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Libertadores entra chutando a porta e falando alto para acordar quem se achava de férias

Três belos gols (ainda que um aparentemente sem querer), tabelinha, passe de calcanhar, um placar dilatado e a eliminatória praticamente assegurada. Olhar de forma superficial ao Corinthians 4×0 Once Caldas passa aquela nítida sensação de um jogo que um radialista das antigas diria um “fora o baile” logo após de enunciar o placar. Mas o que se viu na Arena Corinthians não foi um “show de bola” ou um “vareio”. Foi um duelo de Libertadores como todos os duelos de Libertadores deveriam ser.

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Elias fez sua melhor partida desde que deixou o Flamengo, Felipe saiu sob aplausos depois de passar todo o primeiro tempo sob vaias, Jadson e Renato Augusto foram muito bem nas tais traingulações que Tite tanto fala que quer implementar no Corinthians. Mas um jogo como esse não seria decidido na tática ou na técnica. Seria vencido na manha. E quem teve essa manha foi Emerson Sheik.

É imensurável a importância do atacante na vitória desta quarta. Tudo bem, ele marcou o primeiro gol no que aparentemente deveria ser um cruzamento, e esse é um argumento bem concreto. Mas o gol aos 30 segundos foi a coisa menos importante que ele fez. Afinal, aquela jogada não mudou o rumo da partida.

O Corinthians saiu na frente, mas acabou cedendo a seu próprio nervosismo a partir dos 15 minutos, deixou o Once Caldas ficar perto do empate duas vezes e ainda viu seu melhor jogador ser expulso. Parecia mais uma daquelas noites de sofrimento alvinegro na Libertadores, com os corintianos perdendo a cabeça por algum momento e deixando o resultado escapar.

Aí Sheik apareceu. Ele pegou a bola, ciscou, driblou, provocou, reclamou, brigou, caiu, fez o relógio andar e a poeira baixar. Quando parecia que o jogo era dos colombianos, Emerson o tomou para si. Sua experiência foi a resposta que o Corinthians tinha para o momento ruim. Naquele momento, o atacante ganhou o jogo mental para os alvinegros.

Cada vez que Emerson pegava na bola parecia um golpe psicológico nos colombianos. Eles não sabiam como reagir ao que o atacante fazia. Uma bola perdida que o atacante ficou segurando na esquerda virou a oportunidade de cavar um escanteio, e daí saiu o segundo gol. De uma virada de jogo que Sheik fez uma embaixadinha para lá de provocadora (coisa de quem sabia que era o dono da partida) saiu um passe para Elias e, dali, a tabela que gerou o terceiro gol corintiano.

A goleada corintiana não foi no número de gols, mas na capacidade de se mostrar à altura dos obstáculos que um duelo de Libertadores que se preze sempre oferece. E isso quem trouxe foi o jogador que, em 2014, havia sido rejeitado por Corinthians e Botafogo. Um jogador que foi o dono da primeira grande partida da temporada 2015 na América do Sul.

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Ubiratan Leal

Ubiratan Leal formou-se em jornalismo na PUC-SP. Está na Trivela desde 2005, passando por reportagem e edição em site e revista, pelas colunas de América Latina, Espanha, Brasil e Inglaterra. Atualmente, comenta futebol e beisebol na ESPN e é comandante-em-chefe do site Balipodo.com.br. Cria teorias complexas para tudo (até como ajeitar a feijoada no prato) é mais que lazer, é quase obsessão. Azar dos outros, que precisam aguentar e, agora, dos leitores da Trivela, que terão de lê-las.

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