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Ídolo e folclore: Quando um cão mordeu Navarro Montoya em plena semifinal da Libertadores

Cabelos compridos, uniformes coloridos, defesas espalhafatosas, saídas de gol com os pés. Navarro Montoya se encaixa perfeitamente na descrição do goleiro folclórico dos anos 1990, que se eternizou principalmente com Higuita e Jorge Campos. Entretanto, limitar o camisa 1 ao folclore seria negar os grandes momentos que viveu na carreira. Sobretudo, a adoração que recebeu da torcida do Boca Juniors, onde teve o seu auge. Com os xeneizes, El Mono compôs um time histórico no início dos anos 1990 e foi fundamental para encerrar a seca de títulos no Campeonato Argentino. Ídolo que completa 50 anos nesta sexta.

Navarro Montoya estourou com a camisa do Vélez Sarsfield, clube no qual surgiu ainda aos 18 anos. Já a chegada ao Boca Juniors aconteceu em 1988, desbancando Hugo Gatti, espelho para o novato na idolatria e no folclore. Seus melhores momentos na Bombonera foram grandiosos, consagrado especialmente como pegador de pênaltis. A fase era tão boa que muitos defendiam sua convocação à seleção argentina. Infelizmente, não podia. Nascido em Medellín, filho de um ex-goleiro argentino, Montoya chegou a atuar pela Colômbia no início de carreira. Embora tivesse crescido na Argentina e nutrisse o sentimento pelo país, só receberia a permissão para defender a Albiceleste em 1998, quando já havia deixado La Boca.

Além disso, Navarro Montoya não conseguiu coroar o ápice com um título da Libertadores. Acabou atrapalhado por essas histórias que só podem ser contadas no torneio. O Boca tinha ajudado a eliminar o River Plate na fase de grupos, antes de derrubar Corinthians e Flamengo nos mata-matas. Já nas semifinais, encarou o Colo-Colo. E, depois de vencer por 1 a 0 em Buenos Aires, caiu em um confronto caótico em Santiago. O goleiro teve problemas desde o primeiro tempo, incomodado com as cusparadas e com os fotógrafos que lotavam a beira do campo. Mas o pior veio ao final, quando o Cacique vencia por 3 a 1: Navarro Montoya era um dos mais descontrolados na briga campal que se desenrolou. E o goleiro só se acalmou quando um pastor alemão chamado Ron, da polícia chilena, mordeu suas nádegas. Com o tumulto encerrado, o Colo-Colo pôde festejar a classificação. Ron virou herói.

Apesar do fracasso em sua melhor campanha na Libertadores, Navarro Montoya conquistou quatro títulos continentais com o Boca Juniors: a Supercopa, a Recopa, a Copa Master e a Copa Ouro. Deixou o clube em 1996, rodando por equipes pequenas da Espanha, antes de voltar ao país em 2002. Ainda recebeu o respeito das torcidas de Chacarita Juniors, Independiente e Gimnasia La Plata, antes de entrar no ocaso da carreira – incluindo aí uma frustrada passagem pelo Atlético Paranaense, já aos 40 anos. De qualquer forma, sua história já estava escrita. O folclore e as glórias de quem brilhou como poucos nas balizas da Argentina entre os anos 1980 e 1990.

Para saber mais detalhes da carreira de Navarro Montoya, vale conferir o especial escrito pelo amigo Caio Brandão no Futebol Portenho, assim como o texto do ótimo Efemérides do Éfemello.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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