América do SulBrasilLibertadores

Há 10 anos, o Inter ratificava seu nome como vocação, campeão das Américas pela primeira vez

O Beira-Rio estava preparado para a apoteose. A vitória dentro do Morumbi lotado por 2 a 1, com uma atuação soberba de Rafael Sóbis, elevava o nível de confiança dos colorados para o segundo jogo da final da Copa Libertadores. Era a chance de ver o jejum de títulos além das fronteiras do estado se romper com a conquista das Américas. Uma viagem inédita e inesquecível, que se completou naquele 16 de agosto de 2006. Não foi um duelo fácil, independente da vantagem no placar agregado. Com um a menos, o Inter precisou lutar bastante para não ceder e, mesmo sofrendo um gol, segurar o empate por 2 a 2. Enfim, pôde comemorar com um grito nunca antes pronunciado por seus torcedores. O domínio do continente, depois de algumas frustrações no torneio, se concretizava.

VEJA TAMBÉM: Nos dois anos sem Fernandão, a declaração de amor de um colorado

Ao longo de sua história, o Internacional contou com equipes mais qualificadas do que a de 2006. Em talento, o Rolo Compressor ou a base tricampeã brasileira nos anos 1970 se mantêm acima. No entanto, a importância do que os comandados por Abel Braga fizeram é incomparável. Tudo bem que as circunstâncias eram outras, os tempos eram outros. De qualquer forma, foi um passo gigantesco em termos de representatividade aos colorados. O fim de anos de sofrimento e gozações, especialmente pelos grandes feitos do Grêmio entre as décadas de 1980 e 1990. O grito de libertação.

A classificação à Libertadores veio de uma maneira que nem todos os colorados gostam de lembrar, na amarga perda do título Brasileiro de 2005. Entretanto, o Inter manteve sua força e a comprovou em um nível de exigência ainda maior. Passou com tranquilidade em seu grupo, superando o Nacional-URU, o Unión Maracaibo e o Pumas. Já nos mata-matas, depois do reencontro com o Nacional nas oitavas, um dos momentos de maior tensão veio na etapa seguinte. Os gaúchos perderam o jogo de ida contra a LDU Quito e precisaram esperar a pausa da Copa do Mundo para o reencontro. No Beira-Rio, não deixaram passar a oportunidade e se impuseram rumo à semifinal. Na sequência, outro jogo duro contra o Libertad e a classificação. Até a etapa final, contra o São Paulo.

O Tricolor vinha referendado pelo excelente momento. Então campeão do mundo, em busca do tetracampeonato da Libertadores. O time não era estritamente o mesmo, mas muito da qualidade se mantinha. Algo ignorado pela fome que o Internacional encarou o confronto. Em São Paulo, Rafael Sóbis protagonizou o jogo de sua vida. Até Fernandão, Tinga (apesar da expulsão) e Clemer surgirem como heróis no Beira-Rio. Três líderes de um grupo muito qualificado. Os autores dos gols que garantiram a taça, mantendo as rédeas no placar com os gaúchos, além do goleiro capaz de defesas imprescindíveis. Ali nascia também a lenda do “Capitão América”, que Fernandão tornaria ainda maior nos meses seguintes.

Em sua forte base, nomes que seguem idolatrados no Internacional. E, mais importante, que fariam ainda mais meses depois, no Japão. A vitória mais fantástica dos colorados, sem dúvidas, aconteceu no Mundial de Clubes, diante do poderoso Barcelona. Mas a façanha que deve também à consistência da caminhada na Libertadores. Uma conquista para marcar época no futebol brasileiro e, principalmente, na história do Inter.

Nesta terça, o Beira-Rio voltou a receber os campeões. Em um momento no qual o clube não tem tanto o que comemorar com sua equipe principal, vale a lembrança dos velhos jogadores. Os campeões continentais de 2006 compõem um dos times, desafiando uma série de ídolos históricos na outra equipe. Uma maneira de manter vivo o passado. De engrandecer o título que tornou o orgulho dos colorados ainda maior.

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo