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Em meio ao pesadelo do São Paulo, Chumacero teve outra partidaça contra brasileiros

O São Paulo viveu uma noite de pesadelo em sua estreia na fase de grupos da Libertadores. O time de Edgardo Bauza teve uma atuação ruim no Pacaembu, tanto por falta de encaixe coletivo quanto por jogadores apagadíssimos.  Perdeu três pontos que já têm seu peso na conta em busca da classificação. No entanto, também é preciso reconhecer os méritos do outro lado. Pela primeira vez desde 1982, o Strongest venceu um jogo fora de casa pela Libertadores. Obviamente, diante dos problemas dos tricolores, o trabalho ficou mais fácil para buscar o triunfo por 1 a 0. Mas o empenho dos bolivianos foi inegável. Sobretudo, de Alejandro Chumacero, um nome a sempre ser observado nos aurinegros. E que parece gostar de jogar contra os brasileiros no torneio continental.

Aos 24 anos, Chumacero tem pinta de veterano. Natural para quem se acostumou a jogar no time principal do Strongest desde muito cedo. O “Schweinsteiger dos Andes” faz parte dos profissionais há quase sete anos e já está em sua quinta participação na Copa Libertadores. Quase sempre como protagonista da equipe de La Paz. Neste intervalo, o jovem teve uma breve passagem pelo Sport em 2013, onde mal jogou, mesmo com os rubro-negros na Série B. Porém, sua regularidade com os aurinegros é enorme. E, desde a frustrada passagem pela Ilha do Retiro, também ganhou maturidade.

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O porte físico pode ser um problema para Chumacero em algumas ocasiões, mas não prejudica a sua dominância em campo. Contra o São Paulo, o camisa 3 esbanjou fôlego para ocupar a cabeça de área durante o constante controle de bola tricolor. Embora os são-paulinos ameaçassem pouco, também havia os méritos da solidez do Strongest na retaguarda. E, quando a posse ia para os bolivianos, Chumacero tratava de iniciar a saída com qualidade e eficiência. Capacidade técnica que o torna intocável tanto no clube quanto na seleção boliviana, pela qual já soma 29 partidas.

Não bastasse a boa participação no jogo proposto pelo Strongest, Chumacero ainda apareceu decisivamente no lance do gol. Em jogada ensaiada, foi inteligente para aproveitar a constante falha de marcação no lado esquerdo da defesa do São Paulo, se lançando livre e tocando na saída de Denis para Matías Alonso completar para as redes. Autor de três gols nas três partidas anteriores do Strongest, o meio-campista deu sequência ao excelente momento. Em 2015, já tinha sido o carrasco do Internacional, também na primeira rodada da fase de grupos. Marcou dois gols na vitória por 3 a 1 – mais lembrada pela cena de Anderson precisando de oxigênio.

Pode até ser que Chumacero nunca vingue na carreira em uma liga maior. Contudo, sua qualidade está acima do nível do futebol boliviano, e a ponto de ganhar sempre destaque na Libertadores. Por isso mesmo é o dono do time do Strongest, onde tem a liberdade para organizar a construção do jogo, mas também não deixa de se esforçar nas demais tarefas. Tarimbado na copa, o Strongest conquista pontos importantíssimos já pensando em sua classificação, ainda mais levando em conta o bom aproveitamento que o time costuma ter em La Paz. Para, quem sabe, Chumacero tenha mais tempo para mostrar serviço no torneio.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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