Copa América

Doze grandes times da história da Copa América

Não existe competição de seleções mais antiga no mundo do que a Copa América. E, indo além da Copa do Mundo, o torneio serviu para eternizar grandes times do continente. Afinal, quando o Mundial sequer existia, o torneio sul-americano já consagrava seus esquadrões. Permaneceu assim especialmente na década de 1940, quando a Segunda Guerra Mundial interrompeu o torneio da Fifa. Para que a competição continental mantivesse viva a história de grandes jogadores e grandes equipes.

POLÍTICA: Como a Copa América pode salvar o governo chileno

Historicamente, a taça fica restrita ao trio de ferro da América do Sul: Argentina, Uruguai e Brasil dividem entre si 37 das 43 edições já disputadas do torneio – Peru e Paraguai, com dois cada, além de Bolívia e Colômbia, conquistaram as demais. Natural, então, que os maiores times da história do torneio se dividam entre os três países. Mesmo assim, não é uma escolha fácil de fazer. Alguns elencos históricos acabaram de fora, como o Uruguai três vezes campeão, entre 1916 e 1920; a Argentina triunfante em 1937, com o potente ataque comandado por Varallo, Peucelle, Ferreyra, Guaita e Zozaya; ou mesmo o Brasil, que venceu em 1989 com um show de Romário e Bebeto.

Além disso, para privilegiar os esquadrões dos demais países, preferimos abrir a lista inicial, de 10 equipes, para uma com 12 citados. Assim, além de três times de Argentina, de Brasil e de Uruguai, contemplamos também outras três seleções – e apenas uma dela sem títulos, a Colômbia do final da década de 1980 e início de 1990. Conheça a trajetória desses timaços:

FRIEDENREICH/BIOGRAFIA

Brasil (1919-22)

Dois títulos em quatro edições
Campanha total: 15 jogos, 8 vitórias, 4 empates, 24 gols pró, 16 gols contra
Craques: Friedenreich, Marcos Carneiro de Mendonça, Neco

O Uruguai venceu as duas primeiras edições da Copa América, com o Brasil não passando da terceira colocação. Entretanto, o fato de sediar o torneio em 1919 impulsionou o desempenho do time. Nas Laranjeiras, o escrete canarinho fez campanha idêntica aos uruguaios, forçando um jogo de desempate. E em tarde de quatro tempos extras (150 minutos no total), Friedenreich confirmou-se como lenda ao definir a vitória por 1 a 0 sobre a Celeste. O time perdeu as duas edições seguintes, mas recuperou a taça com a mesma base em 1922, com o torneio outra vez sediado no Rio de Janeiro, na comemoração dos 100 anos da Independência. Neco e Formiga estrelaram a decisão, com vitória por 3 a 0 sobre o Paraguai.

uruguat

Uruguai (1923-26)

Três títulos em quatro edições
Campanha total: 10 jogos, 9 vitórias, 1 empate, 31 gols pró, 4 gols contra
Craques: Nasazzi, Andrade, Scarone

Não foi o primeiro momento dominante do Uruguai na Copa América, mas sem dúvidas foi o mais significativo. Afinal, a Celeste não se conteve apenas em acumular sucessos na América do Sul, como preparou seu timaço para conquistar duas medalhas de ouro nas Olimpíadas e a Copa do Mundo de 1930. Alguns nomes experientes dos títulos do final da década de 1910 permaneceram, como Héctor Scarone e Ángel Romano. Entretanto, o impulso veio pela ótima geração que surgia, encabeçada por José Nasazzi, José Leandro Andrade, José Pedro Cea, Pedro Petrone e Andrés Mazali. Em 1925, a Argentina interrompeu a sequência de vitórias, em um ano em que os uruguaios se ausentaram. Já no fim da década, foram mais dois títulos da Albiceleste, desta vez sobre os vizinhos, que dariam o troco na primeira edição da Copa.

COPA AMÉRICA: Quem acabou punido: Suárez ou os torcedores?

obdulio1

Uruguai (1942)

Título contra dois rivais fortíssimos
Campanha: Seis jogos, seis vitórias, 21 gols pró, 2 gols contra
Craques: Obdulio Varela, Gambetta e Aníbal Paz

Se houvesse Copa do Mundo em 1942, tudo leva a crer que o Uruguai seria fortíssimo candidato. Não apenas pelo desempenho impecável na Copa América daquele ano, mas também diante dos adversários que ficaram pelo caminho. A Argentina formava o time que dominou o continente na sequência da década, com Moreno, Pedernera e Masantonio estrelando a equipe. Já o Brasil seguia com alguns craques da campanha até a semifinal da Copa de 1938, entre eles Domingos da Guia e Tim, além do promissor Zizinho. Só que, com uma base formada pelo Nacional pentacampeão uruguaio, a Celeste venceu ambos os rivais por 1 a 0 e massacrou o restante das seleções. O craque daquela edição foi ninguém menos do que Obdulio Varela, que despontava no Montevideo Wanderers aos 25 anos.

River Plate_La Maquina

Argentina (1945-47)

Três títulos em três edições
Campanha total: 18 jogos, 16 vitórias, 2 empates, 67 gols pró, 12 gols contra
Craques: Labruna, Pedernera, Méndez

Não é à toa que este é considerado por muitos como o melhor time da história da seleção argentina. A equipe treinada por Guillermo Stábile dominou o continente de maneira inquestionável, com três taças conquistadas sobre uma boa geração do Brasil. Ao longo do triênio, somente o Chile do mítico goleiro Sergio Livingstone barrou a Albiceleste. E, mesmo assim, comemorou suados empates. A base argentina era formada por La Máquina do River Plate, com o time protagonizado pelo quinteto Loustau, Labruna, Pedernera, Moreno e Di Stéfano – ainda que nunca tenham atuado juntos em uma mesma edição. Além disso, o elenco também trazia grandes nomes de outros clubes do país, como De la Mata e, especialmente, Norberto Méndez, autor de 17 gols em 17 jogos durante o tri. Ainda mais impressionante é a média de gols do time: 3,7 por jogo, incluindo os 9 a 1 sobre a Colômbia em 1945.

brasil49

Brasil (1949)

O grande título da geração de 1950
Campanha: Sete jogos, seis vitórias, uma derrota, 39 gols pró, 7 gols contra
Craques: Zizinho, Ademir de Menezes, Jair da Rosa Pinto

O Uruguai enviou ao Brasil um elenco repleto de amadores, enquanto a Argentina nem disputou esta edição, já que ambos viviam a maior greve da história do futebol sul-americano, que paralisou os profissionais entre 1948 e 1949. No entanto, a forma como a Seleção passou por cima de seus adversários deixa dúvidas se os vizinhos conseguiriam fazer frente. O esquadrão de Flávio Costa anotou 39 gols em apenas sete partidas, e perdeu apenas para o Paraguai quando já tinha a taça nas mãos. Aquela campanha ajudou a inflar as expectativas sobre o time para a Copa de 1950, por mais que não estivesse presente a elite continental naquela edição. Nada que diminua o peso de astros como Zizinho, Jair, Ademir, Tesourinha e Barbosa.

argentina57

Argentina (1955-59)

O time que impediu Pelé de ser campeão
Campanha geral: 22 jogos, 18 vitórias, 3 empates, 71 gols pró, 20 gols contra
Craques: Sívori, Sanfilippo, Labruna

A péssima campanha na Copa de 1958 acabou marcando uma geração argentina que merecia muito mais consideração. Afinal, se Pelé nunca conquistou a Copa América, é justamente por causa da hegemonia da Albiceleste, que seguia comandada por Guillermo Stábile. Foram três títulos em quatro edições do torneio, realizadas em anos consecutivos. E, embora o elenco tenha passado por pequenas mudanças, a qualidade técnica foi uma constante, com craques do porte de Sívori, Sanfilippo, Labruna, Maschio e Corbatta. No papel, o time de 1957 é superior, chegando a vencer o Brasil de Zizinho, Didi e Evaristo por 3 a 0. Entretanto, o de 1959 conseguiu o maior feito, ao barrar Pelé e Garrincha no empate por 1 a 1, que valeu a taça.

ARGENTINA 2015: Messi é o homem certo na hora certa

DOMI 335578

Peru (1975)

O primeiro a vencer o Brasil em casa em jogo oficial
Campanha: Nove jogos, seis vitórias, um empate, 14 gols pró, 7 gols contra
Craques: Cubillas, Sotil, Chumpitaz

Depois de mais de uma década em que a Copa América acabou esquecida, após ser deixada de lado pelas seleções, o Peru ajudou a revigorar o retorno do torneio em 1975, em nova fórmula. Naquela época, o torneio era disputado de maneira itinerante, sem sede fixa. O que permitiu aos peruanos alcançarem seu grande feito nas semifinais. Após passar por Chile e Bolívia na primeira vez, a Albirroja eliminou o Brasil graças a uma vitória por 3 a 1 no Mineirão, a primeira oficial sobre a Seleção – e que permaneceu assim até os 7 a 1 de 2014. Ainda que o time baseado no Cruzeiro e no Atlético Mineiro (com Nelinho, Piazza, Reinaldo e Roberto Dinamite entre os destaques) tenha vencido em Lima por 2 a 0, o Peru avançou graças ao cara ou coroa. Já na decisão, os peruanos bateram a Colômbia. Com uma mescla daquele time, o país andino disputou três Copas entre 1970 e 1982.

para

Paraguai (1979)

Segundo título do país
Campanha: Nove jogos, quatro vitórias, quatro empates, 13 gols pró, 7 gols contra
Craques: Romerito, Kiese, Cabañas

Ao lado do Peru, o Paraguai é o único país fora do trio de ferro a ter mais de um título da Copa América. Em 1953, o lendário Fleitas Solich comandou a equipe que surpreendeu o Brasil de Didi e Julinho, embora o Uruguai tivesse jogado sem as principais estrelas. Contudo, maior foi o feito da Albirroja em 1979. Por mais que não tenham disputado nenhuma Copa do Mundo naquela época, os paraguaios contavam com um elenco bastante qualificado, especialmente pelos convocados do Olimpia, campeão da Libertadores naquele mesmo ano. Durante a fase de classificação, o Paraguai eliminou o Uruguai. Já nas semifinais, a vítima foi o Brasil de Falcão e Sócrates, com vitória por 2 a 1 em Assunção e empate por 2 a 2 no Maracanã. Por fim, a Albirroja se consagrou na decisão diante do Chile de Figueroa e Caszely – outro bom time que também merecia seu lugar na história.

11.07.1987, River Plate Stadium, Buenos Aires, Argentina. Copa Am´rica 1987. Argentina v Colombia. Carlos Valderrama of Colombia beat the challenge of Julio Olarticoechea of Argentina in the 3rd place play off match. ©Juha Tamminen

Colômbia (1987-93)

Três vezes entre os quatro melhores em quatro edições
Craques: Valderrama, Rincón, Iguarán

Os colombianos conquistaram um título da Copa América, em 2001, quando não tinham um time tão brilhante e em um torneio bastante desfalcado. O grande time almejou a taça por muitos anos, mas nunca teve sucesso. Entre 1987 e 1995, a Colômbia ficou entre os quatro melhores em quatro de cinco edições da Copa América, mas sequer chegaram na final. Em 1987, o algoz foi o Chile, em uma edição na qual Valderrama acabou como melhor jogador. Depois, ainda ficaria em último em um quadrangular final e cairia para a Argentina de Goycochea. E, em 1995, quando a base tinha se renovado bastante, outra queda nas semifinais. Como consolo, aquele time dos cafeteros conquistou resultados históricos nas Eliminatórias e fez boa campanha na Copa de 1990.

COLÔMBIA: Colômbia será um desafio real para o Brasil

urug

Uruguai (1983-87)

Último bicampeonato da Celeste
Campanha geral: 10 jogos, 7 vitórias, 2 empates, 14 gols pró, 6 gols contra
Craques: Francescoli, Rubén Sosa, Carlos Aguilera

O título mais lembrado do Uruguai é o de 1995, com Francescoli estrelando a equipe dentro do Centenario. Contudo, na década de 1980 a Celeste conseguiu ficar com o troféu por duas vezes, contando com um elenco mais talentoso e contra adversários de nível mais alto do que na ocasião posterior. Em 1983, os uruguaios venceram o Brasil de Sócrates, Junior, Roberto Dinamite e Renato Gaúcho, segurando o empate por 1 a 1 após fazer 2 a 0 no Centenario. Quatro anos depois, a vítima na decisão seria o Chile, embora o Uruguai tivesse batido a Argentina de Maradona (campeão mundial em 1986) dentro do Monumental de Núñez. Embora aquela geração não tenha vingado nas Copas, sobrava qualidade em nomes como Francescoli, Sosa, Aguilera, Rodolfo Rodríguez, Perdomo, Morena, Saralegui, Bengoechea, Matosas, entre outros.

batistuta

Argentina (1991-93)

Último bicampeonato da Albiceleste
Campanha geral: 13 jogos, 8 vitórias, 5 empates, 21 gols pró, 9 gols contra
Craques: Batistuta, Simeone, Goycochea

Os últimos sucessos da seleção argentina principal não contavam com Maradona, que sequer pôde conquistar o título. Mas, comandada pelo talento de Batistuta, a Albiceleste conseguiu ser bicampeã no início dos anos 1990. O time de Alfio Basile confiava especialmente na estrela de Goycochea no gol, enquanto via o desabrochar de dois excelentes meio-campistas: Simeone e Redondo (este, presente apenas em 1993). Já na frente, Batigol somou nove gols em 13 partidas – com 13 tentos no total, é o maior artilheiro da fase moderna do torneio. A primeira das duas taças veio com a liderança no quadrangular final, vencendo o Brasil de Falcão por 3 a 2. Já em 1993, com Goycochea se superando nos pênaltis outra vez, a Argentina eliminou Brasil e Colômbia, antes de vencer o México na final.

brasil-campec3b3n-1997

Brasil (1997)

Melhor ataque do Brasil em décadas
Campanha: Seis jogos, seis vitórias, 22 gols pró, 3 gols contra
Craques: Romário, Ronaldo, Taffarel

O Brasil de 1989 marcou uma geração, especialmente por conquistar o título em casa. Nos anos 2000, o país estabeleceu uma hegemonia na Copa América, bicampeão mesmo com o time reserva. Entretanto, em termos de domínio e de talento, fica difícil de competir com a equipe de Zagallo em 1997. Em um ano no qual o ataque formado por Romário e Ronaldo encantou, o restante do elenco tinha excelentes peças em abundância – Taffarel, Cafu, Aldair, Mauro Silva, Roberto Carlos, Djalminha e Edmundo, para ficar em alguns. A altitude de La Paz não foi problema e o Brasil bateu os anfitriões por 3 a 1 na final, devolvendo a derrota de quatro anos antes nas Eliminatórias – além de ter deixado pelo caminho o ótimo Paraguai. Naquele momento, aliás, nascia o clássico “vocês vão ter que me engolir”, de Zagallo.

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo