América do Sul

Conheça a história do garoto que, com a ajuda do Teleton, chegou à elite do futebol uruguaio

Durante este final de semana, a televisão brasileira realiza mais uma edição do Teleton. O evento capitaneado por Silvio Santos dá uma prova enorme de solidariedade, auxiliando milhares de crianças e adolescentes com deficiências físicas, através da AACD. Maratona de ajuda ao próximo que, aliás, não se resume apenas ao Brasil. A maioria dos países das Américas e da Europa Ocidental realizam o evento em suas emissoras, assim como outras localidades da Ásia e da Oceania. Já no Uruguai, o Teleton deu a sua contribuição para Matías Dutour, que superou obstáculos até chegar à primeira divisão local.

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O meia de 20 anos nasceu com a má formação de um de seus braços. Com o apoio da Fundação Teleton do Uruguai, conseguiu comprar uma prótese e realizar seu tratamento. Contudo, não foi essa questão que impediu o garoto de realizar seu sonho em se tornar jogador de futebol. Os pais de Dutour contam que ele chegou a ter 23 bolas durante a infância. E, logo em seu início, percebeu que não era a falta do antebraço que o tornava diferente em campo. Calçando chuteiras, não tinha limites. Assim, tornou-se uma das maiores promessas do Rocha Athletic, de sua cidade natal. E chegou ao Nacional, onde atuou nas categorias de base e pôde fazer parte do elenco principal em 2014 – com a chance de treinar ao lado de seu ídolo, Álvaro Recoba.

“Tinha gente que me dizia: ‘O futebol não vai te levar a nada, siga estudando’. Mas eu sempre estive convencido que ia chegar. Fui passo a passo e hoje eu vivo um sonho”, contou Dutour, em depoimento ao Teleton uruguaio. “As conversas com meus pais me ajudaram a amadurecer e eu deixei de ter medo das limitações. Na vida, não há nada para perder, e a pessoa deve tentar superar as adversidades. Não me considero modelo de nada, mas assumo certa responsabilidade, porque me aproximo de crianças e pais em situações parecidas com a minha e tento ajudar. Mas sem deixar de ser eu mesmo”.

Sem tanto espaço no time titular do Nacional, Dutour preferiu se transferir. Voltou a sua cidade natal durante a última semana, firmando contrato com o Rocha Fútbol Club para atuar na primeira divisão. Independente disso, segue como um exemplo de superação. E evoca também uma das melhores lendas da história do futebol uruguaio: Héctor ‘Manco’ Castro, que, sem um dos antebraços, tornou-se uma das estrelas da Celeste bicampeã olímpica e campeã mundial em 1930. História para Dutour manter viva, mesmo que nunca repita o sucesso do velho craque.

A dica da pauta veio do leitor Leandro Paulo. Valeu!

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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