América do Sul

Clássico do Pacífico: Chile e Peru enfrentam-se em um duelo de muita rivalidade (e história)

“Podemos perder para qualquer um, menos para Chile”. Foi dessa maneira que o ex-meia Roberto “Chorri” Palacios – símbolo da seleção peruana dos anos 90 – sintetizou a rivalidade do clássico do Pacífico, que transcende o âmbito esportivo e traz à tona uma velha rixa política e esportiva.

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Para entendê-la, precisamos voltar a 1879, quando o Chile venceu a força militar conjunta entre Bolívia e Peru e anexou territórios dos dois países vizinhos. A Guerra do Pacífico – ou do Salitre – deu-se pela disputa na exploração de diferentes nitratos na região do Atacama, que estavam valorizados no mercado internacional. Um aumento do imposto da exploração desses minerais no litoral boliviano causou a quebra do acordo comercial entre Chile, Bolívia e Peru.

Assim, o governo chileno decidiu invadir Antofagasta e todo litoral boliviano. O Peru decidiu apoiar a Bolívia, quebrando um acordo diplomático firmado cinco anos antes. Com o porto de Antofagasta tomado pelo exercito chileno, foi a vez do Peru ser atacado na região de Tacna e Arica. O exército chileno chegou a invadir Lima em 1981, até que foi assinado o Tratado de Ancón, que determinou a retomada de Tacna pelo governo peruano. O Chile ficou com o domínio da atual região de Arica.

A Bolívia perderia sua soberania marítima e a saída para o mar com a tomada definitiva de Antofagasta. O governo de Evo Morales segue reclamando a restituição da saída boliviana para o mar. O Peru travou durante anos uma disputa na Corte Haya pela delimitação marítima na divisa com o Chile. A sentença da Corte Internacional em 2014 favoreceu o governo peruano, restituindo parte do limite marítimo para exploração comercial.

Natural que toda essa rivalidade esquente nas arquibancadas e dentro de campo quando as duas seleções encontram-se. E no futebol, os chilenos levam vantagem, com com 41 vitórias e 21 derrotas em 76 partidas oficiais. Mas os peruanos também ganharam seus joguinhos importantes.

Chile leva a melhor por vaga na Copa de 1974

O Peru vinha de uma grande participação na Copa de 1970 com o timaço de Cubillas, Perico León e Alberto Gallardo. Nas eliminatórias de 74, disputou a vaga direta na repescagem contra o chilenos. O jogo de ida, disputado no estádio Nacional de Lima, terminou com vitória peruana por 2 a 0, com gols de Hugo”el cholo” Sotil.  Na volta, disputada no estádio Nacional em Santiago, o Chile deu o troco, com o mesmo placar, em grande atuação do meia Sergio Ahumada.

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O jogo de desempate aconteceu em Montevideu, no estádio Centenário, com vitória chilena por 2 a 1, de virada, classificando o time de Carlos Cascely, Elias Figueroa e Ahumada para a  disputa na repescagem contra a União Soviética –  em meio ao turbilhão político que culminou com o assassinado do presidente socialista Salvador Allende e o começo da ditadura de Pinochet em Setembro de 1973.

Peru vence na campanha da Copa América de 1975

Na rodada final do Grupo C da Copa América, disputada em Lima, o Peru venceu o Chile por 3 a 1, com show da dupla Oblitas e Sotil. Em um dos poucos confrontos entre as duas seleções no estádio do Alianza Lima, o popular Matute, o Peru rubricou sua vaga para a semifinal contra o Brasil. Logo viria o título para a seleção blanquiroja, o segundo da história do futebol peruano.

Peru dá o troco nas eliminatórias de 1978

Com a espinha cravada pela eliminação em 74, o Peru teve a revanche nas eliminatórias para o Mundial de 78. Após o empate em 1 a 1 no Chile, a seleção peruana venceu La Roja por 2 a 0, no estádio Nacional de Lima, com gols de Sotil e Oblitas, carimbando o passaporte para a Copa da Argentina.

Chile vence a semifinal da Copa América de 1979

Com dois gols do ídolo Carlos Caszely, o Chile venceu o Peru por 2 a 1 em Lima, classificando-se para a decisão da Copa América contra o Paraguai. Na final, La Roja amargaria seu terceiro dos quatro vice-campeonato do principal torneio entre seleções das Américas.

Chile volta ao Mundial com goleada sobre o Peru

O Chile de Salas e Zamorano, sob a batuta do uruguaio Nelson Acosta, meteu 4 a 0 no Peru, na penúltima rodada das eliminatórias para o mundial de 1998. Marcelo Salas foi o grande nome do jogo, anotando uma tripleta. O Chile depois de 16 anos regressava em grande estilo a uma Copa do Mundo.

O último confronto pela Copa América
O histórico do clássico do Pacífico na Copa América é parelho: são sete vitórias chilenas, seis empates e seis triunfos peruanos. Em 2011, na Argentina, La Roja bateu o Peru nos minutos finais em Mendoza, com um gol contra de Carrillo. O Chile de Claudio Borghi terminava o grupo C na liderança, porém seria eliminado na sequencia da competição ao perder para a Venezuela nas quartas de final. O Peru de Markarian chegaria até as semifinais, sendo eliminado pelo Uruguai.

O último confronto

Na reinauguração do estádio Elias Figueroa em Valparaíso, o Chile bateu o Peru por 3 a 0 com dois gols de Eduardo Vargas e outro de Gary Medel. O amistoso disputado em Novembro de 2014 ainda contou com Paolo Guerrero desperdiçando uma penalidade.

E hoje em dia…

O confronto dessa noite marca um capítulo fundamental na historia do Clássico do Pacífico. La Roja tem a melhor seleção da competição, com o melhor ataque e jogo coletivo afiado. Jorge Sampaoli não poderá contar com Gonzalo Jara, suspenso após a polêmica com Edinson Cavani. Para formar a dupla de zaga ao lado de Medel, Sampaoli tem sérias dúvidas. Ele conta com a experiencia de Jose “Pepe” Rojas, que foi seu jogador no título da Copa Sul-Americana, com a Universidad de Chile. Para evitar o forte jogo aéreo peruano, o treinador argentino pode colocar Miiko Albornoz na zaga pela esquerda, aumentando a estatura de uma defesa reconhecidamente baixa. O esquema tático deve ser o 4-3-3 dos últimos dois jogos, com Valdivia de falso 9, somado à intensa subida dos laterais e a troca de posição do meio para o ataque com Vidal, Aranguiz, Vargas e Alexis Sánchez.

campinho chile

Ricardo Gareca terá o retorno de sua dupla de volantes titular, que gozam de entrosamento no Sporting Cristal. Josepmir Ballon dá mais pegada no meio campo, enquanto o veterano Carlos Lobatón aporta cadência, experiência e maior qualidade no passe. Farfán e Cueva serão as grandes armas de contra-ataque nesse 4-4-1-1 imposto pelo treinador argentino. Claudio Pizarro assume a posição de segundo atacante – que já foi de Farfán no começo da competição – aumentando a estatura do ataque para formar uma dupla de respeito ao lado de Paolo Guerrero. O Peru aposta no jogo aéreo e na experiência de seu tridente ofensivo.

campinho peru

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