Argentina

Os 40 anos de Verón: La Brujita usou os seus poderes para fazer o futebol ainda mais mágico

Juan Sebastián Verón representou a essência do futebol. Não daquele jogo acelerado, como a exigência física nos acostumou a ver cada vez mais. Mas a cadência, o toque, a visão. Um meio-campista cerebral, que o ritmo mais lento das partidas permitia a existência aos montes décadas atrás. Por mais que o seu estilo remetesse a outros tempos, no entanto, Verón foi um grande craque contemporâneo. Porque sua inteligência e sua capacidade tática superavam qualquer anacronismo, o tornando acima da média. Um jogador especial, que que merece todas as homenagens no dia em que completa 40 anos.

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O futebol corre nas veias de Verón. Do pai não herdou apenas a profissão ou o apelido de La Bruja, mas a paixão pelo Estudiantes. Formou-se jogador com os pincharratas e voltou já veterano, para reconquistas a Libertadores com o clube. Aos 34 anos, se tornou o melhor jogador das Américas e, depois, chegou mesmo a doar todo o seu salário para as categorias de base. Entre idas e vindas, a dedicação aos alvirrubros permanece até hoje, não mais dentro de campo, mas como presidente. Por sua própria história no futebol platense, Verón já ficaria na história. Mas ele foi muito além.

Afinal, o meio-campista esteve entre os melhores jogadores do mundo entre o final dos anos 1990 e o começo dos 2000. Marcou época no futebol italiano, defendendo as cores de Parma, Lazio, Internazionale e Sampdoria. Seus passes magistrais e os chutaços de fora da área se adaptavam perfeitamente ao estilo de jogo da Serie A. É verdade que La Brujita também decepcionou na carreira. Nunca valeu o investimento de Manchester United e Chelsea, assim como foi considerado traidor pelos próprios compatriotas, diante da apatia contra a Inglaterra na Copa de 2002. Mesmo assim, Verón teve momentos marcantes também com a Albiceleste, ao longo de 14 anos servindo a seleção. Chuteiras penduradas, deixam as críticas um pouco mais esquecidas na memória para que as boas lembranças perdurem mais.

Verón é daqueles personagens que precisam existir mais no futebol. Por seu talento dentro de campo, é claro. Pela forma como tornou a camisa listrada em vermelho e branco como sua segunda pele. E também por seguir dentro do dia a dia do clube, buscando mais conquistas de um jeito diferente, já que suas pernas não correspondem mais como em outros tempos. La Brujita é um apelido que vem de seu pai, um dia chamado de “cara de bruxa”. Mas poderia muito bem traduzir a magia que os Verón levaram aos gramados.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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