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O River luta para superar uma série de traumas nas semifinais da Libertadores

Em uma semana que as cenas da Bombonera ganharam o mundo, o River Plate espera roubar os holofotes de volta para si. Afinal, enquanto o Boca Juniors sonha em voltar às glórias, são os Millonarios que têm a chance nas mãos. Nesta terça-feira, o clube entra em campo para uma enorme festa no Monumental de Núñez. Vai disputar a sua 16ª semifinal de Libertadores, menos apenas que o Peñarol em toda a história do torneio. Para buscar a sua quinta decisão e, sobretudo, superar o trauma que quase sempre atravancou a equipe nas principais fases do torneio. A oportunidade é ótima, e o River se reforçou para isso.

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Maior campeão da história do Campeonato Argentino, o River Plate é o clube do país com mais participações na Libertadores, e o quinto em todo o continente – atrás apenas de Peñarol, Nacional, Olimpia e Cerro Porteño, hegemônicos em seus países. Porém, é pouco ter só dois títulos de Libertadores. Ainda mais quando se compara com as sete conquistas do Independiente, as seis do Boca Juniors e as quatro do Estudiantes. Ou mesmo quando se pensa nos grandes times que o clube de Núñez contou ao longo deste período.

Durante o período em que as semifinais da Libertadores eram disputadas em triangulares, o River Plate chegou lá oito vezes. Conseguiu se classificar à final em três, mas, depois de perder para Peñarol em 1966 e para o Cruzeiro em 1976, ergueu sua primeira taça só em 1986. Já as maiores frustrações vieram já com os mata-matas, quando os Millonarios contavam com um verdadeiro esquadrão. Entre 1995 e 2005, o clube disputou seis semifinais em 11 possíveis – além de três quedas nas quartas e duas nas oitavas. O título veio em 1996, com o brilho de Francescoli, Crespo, Ortega, Almeyda, Sorín, Gallardo e outras lendas do clube. Só que a lista de frustrações é bem maior.

O primeiro algoz na década de lamentos foi o Atlético Nacional, na semifinal de 1995, com Higuita comandando os colombianos. Em 1998 e 1999, duas vitórias brasileiras: o Vasco de Juninho Pernambucano e o Palmeiras de Alex, que acabariam com o troféu. O maior pesadelo nas semifinais veio em 2004, com a derrota para o Boca Juniors e Tevez em sua clássica comemoração imitando uma galinha. Até a última participação na fase até então, amassados pelo São Paulo na caminhada do tri em 2005. Pior de tudo, ainda, foi ver o Boca repetindo os feitos nas Américas na gloriosa era de Carlos Bianchi.

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Para não sucumbir outra vez, o River aposta em nomes tarimbados que se feriram naquelas derrotas. Marcelo Gallardo hoje é o técnico, enquanto Lucho González e Javier Saviola chegaram no intervalo da Copa América – assim como Pablo Aimar, que se recupera de cirurgia e acabou não inscrito no torneio continental. Com eles, os Millonarios esperam ter a experiência e o talento necessários para fugir da escrita. Para quem se reinventou nos mata-matas da competição, eliminando o próprio Boca Juniors e se impondo diante do Cruzeiro, a esperança é enorme.

Durante as semanas de espera até as semifinais, o River Plate não empolgou muito. Foi eliminado na Copa da Argentina para o Rosario Central e acumulou empates no Campeonato, caindo para a terceira colocação. Agora, encara o Guaraní, que está apenas em sua segunda semifinal e não se reforçou para o embate. A aposta dos aurinegros é justamente em um elenco muito bem encaixado, que surpreendeu na campanha bem mais pelo jogo coletivo do que pelos talentos individuais. A solidez defensiva e a capacidade nos contra-ataques é o que deram o triunfo aos paraguaios contra Corinthians e Racing, e nisto eles apostam.

Nesta terça, entretanto, o Guaraní terá que suportar a pressão do Monumental de Núñez lotado. E iniciar a campanha em casa, mais uma vez, será importante para o River Plate reforçar a sua confiança no título que não vem há quase duas décadas. Téo Gutiérrez se foi e há outros desfalques importantes, mas que precisam se colocar apenas como detalhes pela chance que se desenha. Mais do que se refazer de um trauma, os Millonarios querem caminhar rumo à glória.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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