Argentina

Freddie Mercury, 70 anos: O dia em que o cantor, por acaso, fez amizade com o jovem Maradona

Para quem nasceu em Zanzibar e passou boa parte da adolescência na Índia, é compreensível que aquela sementinha febril por futebol não tenha germinado no peito de Freddie Mercury. O músico mudou-se para a Inglaterra apenas aos 17 anos e nunca virou fanático por um clube, embora acompanhasse a modalidade de vez em quando. “Eu tenho sérias dúvidas se Fred alguma vez jogou futebol ou torceu nas arquibancadas, mas ele entendia o sentimento de unidade existente em uma partida, a paixão e o fervor. Ele gostava de assistir a futebol na TV e adorava os grandes eventos esportivos. Seu time de futebol preferido era, fora a Inglaterra, o Brasil – sua maravilhosa habilidade em campo, os sorrisos que eles sempre apresentavam e seu exército carnavalesco de torcedores entusiasmados”, conta em sua biografia Peter Hince, roadie de Mercury.

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Essa compreensão sobre os sentimentos que o futebol provocava fez, em 1977, Mercury se inspirar nos estádios para compor um dos maiores hits do Queen: We Are the Champions. “Eu pensei no futebol quando escrevi. Queria uma canção participativa, algo no qual os torcedores poderiam se agarrar. Logicamente, eu dei uma sutileza teatral, mais do que em um cântico comum de futebol”, declarou o músico, em 1978.

Os episódios de Freddie Mercury relacionados ao futebol, no entanto, são raros. O mais notável deles, eternizado por uma fotografia que se tornou clássica: o vocalista vestindo uma camisa da seleção argentina, ao lado de outros companheiros do Queen e de Diego Maradona. E o mais curioso: aquela cena aconteceu totalmente por acaso.

Em fevereiro de 1981, o Queen veio à América do Sul com a turnê The Game. Os britânicos realizaram shows em três países. No Brasil, quebraram o recorde mundial de público em um concerto musical no Morumbi. Já na Argentina, foram cinco apresentações. Três delas no Estádio José Amalfitani, casa do Vélez Sarsfield, além de uma em Mar del Plata e outra em Rosário.

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Durante a estadia em Buenos Aires, Freddie Mercury se encontrou com Maradona em uma festa. Despontando no Boca Juniors, mas já um ídolo nacional, o jovem de 20 anos ganhou a simpatia do astro do rock e foi convidado para subir ao palco durante a última apresentação no país. Aceitou prontamente. “Freddie não sabia realmente quem ele era”, se diverte Peter Freestone, assistente pessoal do cantor. Nos bastidores, Maradona vestiu para foto a camisa com a bandeira britânica de Brian May – meses antes do início da Guerra das Malvinas, diga-se. Já no palco armado no José Amalfitani, o craque recebeu a ovação do público, antes de trocar de camisa com Mercury e anunciar a música ‘Another One Bites The Dust’, a primeira do bis.

Curiosamente, Maradona ajudaria a frustrar outra aparição de Freddie Mercury com uma camisa de futebol. Horas depois da final da Copa do Mundo de 1986, o Queen se apresentaria no Olympiahalle de Munique, e o cantor já tinha preparado um uniforme da Alemanha Ocidental para a execução de ‘We Are the Champions’. Porém, a Argentina venceu a decisão e fez com que o músico desistisse da homenagem. Aquela turnê foi a última de Mercury à frente do Queen, cinco anos antes de sua morte, em 1991. Fica a lembrança a um craque da música, que completaria 70 anos nesta segunda, se ainda estivesse vivo.

Não há vídeos da participação de Maradona no show em Buenos Aires, mas dá para conferir o áudio:

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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