Argentina

A herança

Quando todos imaginavam que a vitória ante Unión, por 2 a 1, na última rodada traria paz ao Independiente, que não vencia no torneio local há 15 partidas, eis que mais um problema vem à tona, este financeiro: uma dívida que pode levar a instituição à bancarrota. Herança do ex-presidente do clube, Julio Comparada.

No último balanço divulgado, em 2011, o clube possuía a segunda maior dívida do futebol argentino, com um passivo de 144,3 milhões de pesos (R$ 62,2 milhões), com déficit de 5,3 milhões de pesos (R$ 2,2 milhões), ficando atrás apenas do River Plate. Mas, segundo o atual presidente do Indep’te, Javier Cantero, a dívida gira em torno de 320 milhões de pesos (R$ 137,9 milhões).

Como se o futebol apresentado pelos Diablos e, consequentemente, a campanha já não o credenciassem a falência, o clube recebeu um pedido de quebra (em outras palavras, pedido de falência) da empresa Construcciones Unión, responsável pela remodelação dos setores “Gargantas dos Diabos” do novo estádio Libertadores de América, durante a gestão do ex-presidente. A dívida era de U$S 859.125,00 (R$ 1,7 milhões), correspondente a três parcelas de U$S 286.375 (R$ 580.195,75). Mas com alguns encargos está em U$S 942.354,00 (R$ 1,9 milhão).

A empresa protocolou um pedido de quebra no Juizado número 2 de Avellaneda, frente ao não pagamento das parcelas da dívida com vencimento no último dia 30 de janeiro. Contudo, para que o pedido tome efeito, o Independiente deverá entrar em cessação de pagamentos. Logo, todas as renegociações feitas até então pelo atual presidente e que, diga-se, vem sendo saldadas se somará a coleção de dívidas. Os demais credores rezam.

Seria leviano chamar Comparada de mau caráter, mas o que pensar sabendo que a dívida que havia sido contraída e não quitada em seu mandato foi reconhecida seis dias antes dele deixar o cargo? O que dizer a respeito do presidente que ficou conhecido por vender suas maiores estrelas e ainda assim deixar o clube endividado? Apenas um adendo: ele é um dos “testas de ferro” de Don Julio Grondona, o Ricardo Teixeira do futebol argentino, o que por si, já merece os adjetivos mais sórdidos.

Visto de fora, os problemas dos Rojos já são imensos – barras bravas, plantel deficiente, campanha medíocre, descenso -, mas talvez nenhum se compare a herança financeira herdada por Canteros, que faz jus as cores da instituição. Só resta agradecer e pagar.

O poder

Se você acha que os barras bravas podem tudo, não ache mais, tenha certeza. Durante a partida entre os reservas de Quilmes e Unión, nesta terça-feira, os barras Los Alamos, de Quilmes, velaram o filho de um dos chefes da torcida, com autorização do clube, nas arquibancadas. Com direito a tiros para o alto. O filho de José María morreu num acidente de moto, a qual havia roubado momentos antes e estava sendo perseguido pela polícia.

Contraditório

O San Lorenzo vive sob pressão. As declarações de Ricardo Caruso Lombardi não pegaram bem, menos ainda o seu retrospecto. O presidente do clube, Matías Lammens, vende a ideia de que comprou a briga do técnico e o seu projeto. No entanto, Lammens já estuda uma alternativa. Ele fez uma proposta ao técnico argentino Edgardo Bauza, da LDU Quito, do Equador, que recusou. Ou seja, comprou a briga até a próxima derrota.

Paradoxo

O técnico do Boca Juniors, Julio César Falcione, vive um momento paradoxal. Enquanto é questionado acerca do seu rendimento, a questionável Federação Internacional de História e Estatística do Futebol (IFFHS) lançou, nesta terça-feira, o ranking mundial de clubes, no qual coloca o clube Xeneize em terceiro lugar, abaixo apenas do Barcelona e da Universidad de Chile. Vélez Sarsfield foi o décimo. Ao menos, agora, Falcione já tem uma desculpa.

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