América do SulBrasilLibertadores

A altitude ajuda, mas o The Strongest venceu porque soube o que fazer com a bola

Um Internacional abaixo do tom. Começou a partida mal posicionado em campo, com meio-campo inoperante e defesa confusa. Além disso, não estava ambientado com a altitude de La Paz. Resultado: o The Strongest voou, abriu 2 a 0 em menos de 20 minutos e teve controle de quase toda a partida, um 3 a 1 mais que justo. Dá para concluir esse roteiro dizendo que os Andes foram a grande figura da equipe boliviana, mas isso é querer se enganar. Os atigrados sabiam muito bem o que estavam fazendo em campo.

LEIA MAIS: Guia da Copa Libertadores 2015: fase de grupos

A receita tradicional das equipes de altitude é botar muita velocidade, sobretudo em lançamentos longos, e abusar dos arremates de longa distância, sempre imprevisíveis no ar rarefeito. Tudo o que não vimos na noite desta terça no estádio Hernando Siles.

O princípio do time comandado por Néstor Craviotto é o toque de bola. O time teve muita trocas de posições pelo meio, com passes curtos e penetração pelo meio. Até os volantes participavam da armação ou de conclusão, sobretudo Chumacero (o melhor jogador em campo). Os três gols bolivianos saíram dessa forma, bem como várias outras jogadas que não encontraram a rede.

Além disso, o The Strongest mostrou muita inteligência para lider com sua limitação no jogo aéreo. Sem jogadores altos, os bolivianos sempre posicionavam dois ou três jogadores fora da área quando havia um cruzamento no ataque. O objetivo não era necessariamente finalizar com a cabeça, mas criar condições para finalizar no rebote, de frente para o gol do Inter.

VEJA TAMBÉM: Nós amamos a Libertadores, e nos damos o direito de sonhar com mais

Enquanto isso, o Colorado ainda sofria por ser uma equipe em formação. O jogo não fluía e, salvo nos 20 minutos iniciais do segundo tempo, quando Anderson saiu e o meio-campo ficou mais sólido, o Internacional não esteve à altura do adversário. O técnico Diego Aguirre será cornetado, D’Alessandro dará a cara a tapa como líder desse elenco que é e as chances de classificação continuam semelhantes às que eram.

Pois é,  por mais que o The Strongest tenha mostrado virtudes, um jogo não o torna favorito à chave. O elenco é limitado, e qualquer qualidade coletiva pode ruir se os jogadores não tiverem capacidade técnica de executar as jogadas que foram treinadas. Até porque a altitude não pautou o jogo do The Strongest, mas certamente ajudou o time boliviano a atuar com uma intensidade muito maior que o Internacional.

De qualquer modo, a equipe boliviana é bem montada, sabe o que faz em campo. Mais ou menos como o semifinalista Bolívar já havia sido na Libertadores de 2014. São bons sinais. Talvez a Bolívia tenha percebido que contar apenas com a altitude só seria suficiente para dar algumas vitórias na fase de grupos, mas o futebol local precisava de mais para realmente chegar a algum lugar.

Mostrar mais

Ubiratan Leal

Ubiratan Leal formou-se em jornalismo na PUC-SP. Está na Trivela desde 2005, passando por reportagem e edição em site e revista, pelas colunas de América Latina, Espanha, Brasil e Inglaterra. Atualmente, comenta futebol e beisebol na ESPN e é comandante-em-chefe do site Balipodo.com.br. Cria teorias complexas para tudo (até como ajeitar a feijoada no prato) é mais que lazer, é quase obsessão. Azar dos outros, que precisam aguentar e, agora, dos leitores da Trivela, que terão de lê-las.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo