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Furor nas arquibancadas: 14 canchas estrangeiras que intimidam na Libertadores 2017

O “fator campo” costuma ser decisivo na Libertadores. Em um continente extenso, as intempéries ambientais influenciam bastante. Há altitude, há clima, há distâncias para se enfrentar. Além disso, diversos estádios apresentam suas particularidades. Dificultam pela proximidade da torcida, pelo gigantismo que amedronta, pelo barulho que não cessa. Os recebimentos até podem se parecer, mas ao mesmo tempo ressaltam a pressão característica a cada clube.

Abaixo, elaboramos uma lista de canchas fora do Brasil que verdadeiramente complicam a vida dos visitantes na Libertadores. O calor dos torcedores, obviamente, é um fator preponderante. Mas também consideramos a arquitetura e outras questões peculiares de cada cidade. Desafio que vai muito além das quatro linhas, mas que também alimenta o folclore e a beleza de la Copa. Uma lista que pode até engordar, dependendo do uso do Defensores del Chaco ou de outros gigantes nos mata-matas.

Atanásio Girardot – A única cancha dividida por dois clubes na Libertadores 2017 também é uma das mais pulsantes. É impossível não se contagiar com a festa tradicionalmente realizada por Independiente Medellín e (principalmente) Atlético Nacional no gigante de concreto. As arquibancadas não são tão próximas do campo, mas isso é mero detalhe em meio ao clima sufocante que pode ser criado pelos 40 mil presentes. E quase sempre lota.

Hernando Siles – O calor das arquibancadas não é exatamente um trunfo do principal estádio da Bolívia. No entanto, todos já estão cansados de saber a dificuldade que é encarar a altitude de La Paz. O Strongest dificilmente enche os 42 mil lugares presentes, mas segue como um dos times mais difíceis de serem batidos como mandante. Desta vez, será o único dono da cancha na Libertadores.

George Capwell – Devido à reforma do estádio em Guayaquil, o Emelec precisou jogar fora de casa na última edição da Libertadores. Fez falta, com o clube caindo ainda na primeira fase. Agora, os Electricos estão de volta ao seu renovado alçapão, onde sustentam um desempenho de respeito como mandantes nas competições continentais. Com a torcida em cima dos adversários, comporta até 40 mil espectadores.

Nacional de Lima – Um dos mais belos estádios do continente, será desafio exclusivo ao Santos na primeira fase. Tudo porque o Sporting Cristal decidiu jogar apenas a estreia na casa da seleção peruana – nos demais confrontos, volta ao acanhado Estádio Alberto Gallardo. Se lotar seus 50 mil lugares, o Nacional bota pressão principalmente pela acústica, com os camarotes criando um enorme paredão ao redor do campo.

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Nuevo Gasómetro – O San Lorenzo não se sente tão em casa no estádio inaugurado em 1993, desejoso de seu marcado retorno a Boedo. De qualquer maneira, também não são os forasteiros que se aclimatam na cancha localizada nos meandros de Buenos Aires. É um estádio de arquitetura um tanto quanto aberta, mas cujas vozes ficam na cabeça de quem está em campo, com as arquibancadas bastante verticais.

Monumental José Fierro – Se houvesse uma “Escala Alçapão” na Libertadores 2017, a casa do Atlético Tucumán certamente estaria no topo da lista. Nos últimos meses, a Defesa Civil barrou o número de presentes para pouco menos de 23 mil. Mesmo assim, a multidão parece se multiplicar – seja gritando, pulando, subindo no alambrado. O recebimento em San Miguel de Tucumán já é um dos eventos mais legais desta edição da copa.

La Fortaleza – Um apelido que já diz tudo. O Lanús vive um bom momento desde o último ano, quando conquistou o Campeonato Argentino. Mas o seu estádio é sempre um trunfo na manga, especialmente nas competições continentais. O Granate possui um grupo de jogadores experientes, acostumados ao estádio, e que certamente aproveitaram isso ainda mais. São até 47 mil almas nas arquibancadas grenás.

Zorros del Desierto – O Deportes Iquique não jogará em seu campo na Libertadores 2017. O Estádio Tierra de Campeones passa por reformas. O que não quer dizer necessariamente que os forasteiros terão vida fácil na visita ao norte do Chile. O clube emprestará a nova casa do Cobreloa, inaugurado em 2015. O clima seco da cidade de Calama é um entrave, que se soma ao entorno acanhado do Zorros del Desierto, conhecido como ‘inferno laranja’.

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Campeón del Siglo – O Peñarol ainda se acostuma ao seu novo estádio. Mas, pelo menos na estrutura, dá para ver que o projeto da cancha considerou intimidar os visitantes. A moderna casa comporta até 43 mil aurinegros, que ficam relativamente próximos do campo. Na última edição da Libertadores, quando os carboneros precisaram jogar as primeiras rodadas no Centenário, a falta de pontos em casa custou caro.

Monumental de Núñez – A cancha do River Plate foge um pouco dos padrões tradicionais do futebol argentino. Não à toa, muitos rivais costumam desdenhar da atmosfera proporcionada pelos Millonarios. Mas quando o Monumental acaba cheio, e isso acontece com certa frequência na Libertadores, os alvirrubros se incendeiam em conjunto. Os recebimentos em partidas históricas da Copa não deixam mentir.

Gran Parque Central – Diante das dificuldades para encher o Centenário, o uso do Parque Central é frequente nas últimas participações do Nacional na Libertadores. Uma escolha totalmente compreensível, diante das dificuldades que o estádio do início do século passado impõe. As estruturas são precárias, mas não se troca o clima imposto pelas arquibancadas coladas à lateral, cabendo até 28 mil tricolores.

Monumental de Guayaquil – Ao contrário do outro estádio da cidade, o George Capwell, a casa do Barcelona não faz muito a linha de caldeirão. O Monumental é maior e mais aberto, com capacidade para 57 mil presentes. O temor para os visitantes está atrás dos gols. A construção possui duas arquibancadas bem íngremes, nas quais a torcida parece vir abaixo no momento do gol. Cena sempre marcante.

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El Campín – O principal estádio da capital é um símbolo da seleção colombiana e também casa da fanática torcida do Independiente Santa Fe. Se a arquitetura não ajuda tanto assim, os alvirrubros contribuem para o clima incômodo aos estrangeiros com seu fervor. E a lotação dos 36 mil assentos disponíveis costuma ser constante. Além do mais, ainda há a altitude de Bogotá, outro desafio para quem vem de fora.

Ciudad de La Plata – Estádios olímpicos não costumam contribuir muito para a pressão. Não é muito diferente na casa do Estudiantes, por mais que caibam até 53 mil torcedores no local. A ebulição depende muito mais das gargantas e da vibração dos pincharratas. Pois em 2009, na final da Libertadores contra o Cruzeiro, eles deixaram uma imagem que transformou o palco em uma caixa de sapatos cheia de fumaça.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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