O Auckland City é um time que sequer tem todos os seus jogadores profissionais, mas mesmo assim o time mostrou que o sonho não tem limites. Depois de eliminar o Moghrab Tétouan nos pênaltis na preliminar, neste sábado foi a vez de jogar contra o Sétif, campeão africano. E mais uma vez, deu muito mais trabalho do que se imaginava. O retrospecto dos neozelandeses, caindo sempre no primeiro jogo em cinco das suas seis participações não valeu. O time da Oceania jogou de igual para igual, venceu o Sétif por 1 a 0 e poderia ter vencido por mais. Não, não é brincadeira: o Auckland City não só venceu, mas foi melhor que o Sétif, perdeu várias chances de gol e chegou a colocar o time africano na roda no final do jogo, trocando passes.

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Se você pensa que o jogo foi um gol meio sem querer, em um lance casual, e o time africano pressionou mais, está enganado. Não foi o que aconteceu. O Sétif teve até mais posse de bola sim, mas as chances de gol do Auckland foram mais numerosas. Fez o gol, que acabaria sendo o da vitória, aos sete minutos do segundo tempo. Em um escanteio, a bola sobrou para John Irving, que teve categoria para ajeitar, tirar da marcação e chutar.

Depois do primeiro gol, então, os neozelandeses perderam alguns contra-ataques que poderiam ter ampliado o placar. Em um deles, Ryan De Vries recebeu pelo lado direito e bateu de pé esquerdo, procurando o ângulo. A bola passou perto. O banco de reservas do Auckland foi à loucura, com os jogadores pulando e colocando as mãos na cabeça. Na defesa, o time nem era ameaçado. O Sétif não parecia ser o campeão de um continente como a África, de tantos bons times, que costumam complicar tanto a vida dos adversários no Mundial. Basta lembrar o Al Ahly contra o Inter em 2006 e contra o Corinthians em 2012.

O sonho não pode parar. Os africanos, que surpreenderam em 2010 com o Mezembe vencendo o Inter, com o Raja Casablanca (que era o time da casa, não o campeão africano) vencendo o Atlético Mineiro em 2013, agora foram as vítimas da zebra. O Auckland City mostrou qualidades. Não é um time capaz de enfrentar equipes fortes como o San Lorenzo e menos ainda o Real Madrid. Mas é um time capaz de3 punir a complacência. O Sétif não pareceu subestimar o Auckland, mas também não pareceu bom o bastante para se impor.

À medida que o tempo passou, o Auckland City se encolheu, passou a tentar chamar o Sétif para sair em contra-ataque. Não sofreu pressão como se esperava. No ataque, ainda causou perigo e chegou a colocar os argelinos na roda com passes inteligentes. O estádio, cheio de lugares vazios, se dividia entre se divertir com os neozelandeses e fazer burburinhos em ataques do Sétif.

O sonho do Auckland City se realiza. O time chega à semifinal do Mundial de Clubes pela primeira vez em sua história. Pela primeira vez em um Mundial da Fifa, o time da Oceania estará entre os quatro primeiros. E não por sorte, por acaso, nada disso. O Auckland foi mais time que o Sétif. Um empate sim poderia ter vindo por acaso. O Auckland mostrou consistência, conseguiu jogar melhor, sem desespero, e vai à semifinal. O sonho não acabou. A semifinal é uma realidade. Vencer o San Lorenzo é uma missão praticamente impossível. Mas para quem sonha, por que não imaginar ir ainda mais longe?