Ano novo, rotina velha. Mario Balotelli foi alvo mais uma vez de racismo nesta temporada da Serie A, desta vez jogando em casa. Os insultos, evidentemente, vieram dos torcedores visitantes, da Lazio, e o atacante apreciou a reação da torcida do Brescia, que buscou abafar as ofensas com vaias aos adversários e gritos de apoio ao jogador, que retribuiu com aplausos.

Após a partida, Balotelli se posicionou contra os ataques. No Instagram, publicou uma resposta à torcida adversária: “Vocês deviam se envergonhar”. A Lazio, por sua vez, preferiu se posicionar de maneira protocolar, tentando separar sua imagem do que chama de uma “minoria” de sua torcida.

Em declaração publicada após a partida, a Lazio escreveu: “Como sempre fez no passado, a SS Lazio condena o comportamento discriminatório de uma minúscula minoria dos torcedores durante a partida com o Brescia. O clube reitera mais uma vez que condena esses excessos injustificados e pretende buscar ação legal contra aqueles que estão na verdade traindo sua própria paixão esportiva ao causar danos sérios à imagem do clube”.

Por volta dos 30 minutos do primeiro tempo, Balotelli, que havia marcado até então o único gol do jogo (que acabou 2 a 1 para a Lazio), se encaminhou ao árbitro Gianluca Manganiello e disse que já era a segunda vez que estava ouvindo ofensas racistas durante o jogo, ao que Manganiello respondeu: “Agora vou tomar conta disso”.

O árbitro então paralisou a partida, e um anúncio foi feito pelo sistema de alto-falante do Estádio Mario Rigamonti, pedindo que os insultos cessassem e alertando para a possível suspensão da partida e punição do clube. Técnico da Lazio, Simone Inzaghi foi até seus torcedores e gesticulou, reforçando o pedido feito pelo sistema de som.

Os torcedores do Brescia presentes no estádio tentaram abafar o barulho dos insultos adversários com vaias a estes e gritos de apoio a seu atacante, que retribuiu em campo com aplausos.

Alvo de racismo por parte da torcida do Verona em novembro de 2019, Balotelli ameaçou deixar o campo naquela oportunidade, até ser dissuadido por companheiros. O atacante é apenas uma de várias vítimas de racismo na atual temporada italiana, com atletas como Lukaku, Kessié e Dalbert, brasileiro da Fiorentina, sofrendo com o mesmo tipo de comportamento.

No mês passado, o CEO da Serie A, Luigi de Servio, sugeriu que a solução para o racismo na liga seria que desligassem os microfones dos estádios para que os sons não fossem captados e transmitidos pela televisão. No mesmo mês, uma campanha supostamente antirracista da Serie A trazia artes de três macacos e ilustrava a falta de tato do futebol italiano com a questão. Problema compartilhado também por parte da imprensa do país, com o tradicional jornal Corriere dello Sport estampando uma capa racista para falar da prévia de Roma e Inter com a expressão “Black Friday” para tratar de Smalling e Lukaku.

Balotelli, por sua vez, ouviu afirmação racista até mesmo do próprio presidente do Brescia. Em novembro de 2019, Massimo Cellino, questionado sobre o que se poderia dizer do atacante, respondeu: “É negro, que é negro, o que posso dizer? Está trabalhando para se clarear, mas tem muitas dificuldades”.

Se os episódios acima, apenas alguns entre vários registrados desde agosto, servem de indício para algo, não devemos esperar punição significativa à Lazio pelo mais novo incidente deste domingo.