Tite faz uma campanha tão boa com a seleção brasileira que há poucos questionamentos sobre o seu trabalho. O treinador tem mostrado que sabe o que está fazendo. Isso, porém, não impede de questionar sobre alguns jogadores que mostraram muita qualidade nos últimos anos. Allan e Jorginho, do Napoli, estão brilhando, mas não tiveram chances na seleção. Allan, porém, declarou que tanto ele quanto o seu companheiro de meio-campo ainda têm esperanças.

LEIA TAMBÉM: Sassuolo assusta, mas Napoli cumpre sua tarefa no Italiano

A dupla atua junta no Napoli e forma um meio-campo muito técnico e bom marcador. Allan muitas vezes atua pelo lado direito de um meio-campo com três jogadores, com Jorginho mais atrás, na função que os italianos gostam de chamar de “regista”, além de Marek Hamsik, o mais criativo deles.

Allan, de 26 anos, surgiu no Madureira, mas foi no Vasco que ele ganhou suas chances. O volante foi muito bem e acabou negociado com a Udinese. Foi um dos melhores jogadores do time, se destacando com os desarmes. Foi contratado pelo Napoli em 2015 e, desde então, se tornou uma peça importante do time. O meio-campista atuou pela seleção sub-20 do Brasil em 2011 e também passou a ter passaporte português.

Já Jorginho é um jogador formado na Itália. Aos 25 anos, nasceu em Imbituba, em Santa Catarina, mas se mudou para a Itália aos 15 anos. Ele tem ascendência italiana, com a origem da sua família na cidade de Lusiana, no Veneto. Por isso, ele já tinha passaporte italiano e foi morar no país.

Se tornou jogador das categorias de base do Verona, mas estreou atuando pelo Sambonifacese, por empréstimo, na temporada 2010/11, onde fez a sua estreia profissional, na Série C2 italiana. Estreou pelo time profissional do Verona em 2011 e se tornou destaque do time. Em 2014, foi contratado pelo Napoli, onde se tornou também um jogador importante, especialmente com Maurizio Sarri.

Em 2012, Jorginho chegou a ser chamado para a seleção italiana sub-21. Em 2014, disse que queria defender a Itália. Foi convocado para seu primeiro jogo por seleção em março de 2016, ainda com Antonio Conte como técnico da Itália. Estava na lista de 30 jogadores convocados para a Eurocopa, mas foi cortado da lista final. Foram dois jogos pela Itália, mas ambos amistosos.

O técnico atual da Itália, Giampiero Ventura, não parece ter Jorginho nos seus planos e nunca o convocou desde que assumiu o posto, após a Eurocopa de 2016. Recentemente, a CBF confirmou que está monitorando Jorginho com a possibilidade de convocá-lo. Se Jorginho for convocado e decidir aceitar, mudará a sua nacionalidade e não poderá mais defender a Itália, mesmo que só atue em amistosos pelo Brasil. Por isso, é uma questão séria para decidir-se.

Depois da vitória do Napoli por 3 a 1 sobre o Sassuolo, no domingo, Allan foi perguntado sobre a possibilidade de ele e Jorginho serem convocados pelo Brasil. “Nós esperamos que sim, mesmo sabendo que é um pouco difícil, e eu não sei por que isso”, declarou o volante. “Nós estamos tentando jogar bem pelo Napoli. Se a convocação vier, ótimo, mas se não vier, então é importante que nós joguemos bem com o nosso clube”, afirmou ainda Allan.

Na última convocação da seleção brasileira para os jogos contra Japão e Inglaterra, em novembro, Tite convocou Casemiro, Fernandinho, Paulinho, Renato Augusto e Giuliano. Além destes, outros de características um pouco diferentes, como Diego, Philippe Coutinho e Willian, que são mais ofensivos.

Jorginho e Allan podem substituir os três jogadores do centro do meio-campo: Casemiro, Paulinho e Renato Augusto. Jorginho, especialmente, é um jogador que traz uma característica diferente de Casemiro e também pode fazer muito bem a função de Renato Augusto, que é o jogador que mais caiu de rendimento nos últimos jogos do Brasil. Allan tem jogado em uma função parecida com a que Paulinho exerce atualmente na Seleção.

Por tudo isso, Tite tem mesmo que enviar representantes para acompanhar estes dois jogadores. Jorginho e Allan têm potencial para estarem entre os convocados. Com Jorginho, especialmente, a questão é convencê-lo que não será convocado apenas para garantir que ele só possa jogar pelo Brasil e não mais pela Itália.

Há espaço para ambos, mas é preciso, sim, testar. Estes amistosos de novembro eram uma grande oportunidade. Só restam os amistosos de março, no começo de 2018. Haverá tempo para ter mais estes dois testes? Tudo indica que não.


Os comentários estão desativados.