Há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia. No entanto, é difícil até mesmo sonhar com uma defesa que supere a magnitude do ato de Gordon Banks no Estádio Jalisco. Não se discute que o milagre realizado entre o céu e a terra do México está entre os mais impressionantes já registrados. Ainda assim, sua grandeza se amplia pelas circunstâncias. E a prova maior disso é que, a cada defesaça que se concretiza no futebol, a comparação ou a simples menção a Banks se torna natural. A mística do movimento apoteótico, somada a Pelé e ao imaginário construído pela Copa de 1970, possivelmente nunca será superada.

E se existe o Prêmio Puskás para condecorar o gol mais bonito do ano, por que não criar o Prêmio Banks para a defesa mais bonita? Referência melhor não há para denominar a honraria. Se os goleiros vêm ganhando espaço próprio nos eventos do futebol, nada mais justo que também exaltá-los da mesma maneira. Que o próprio Prêmio Puskás tenha perdido sentido entre escolhas contestáveis e votações popularescas, ele ainda resgata a memória de um grande. Seria o mesmo com Banks.

Em 2015, quando o inglês revelou sua luta contra um câncer no rim, aproveitamos a ideia de alguns leitores e lançamos a sugestão do Prêmio Banks. Se o tributo não pode ser feito em vida, resta tempo para honrar a carreira de um dos melhores goleiros da história. O troféu reproduzindo o movimento de seu corpo ao tocar a cabeçada de Pelé, se contorcendo para o inesperado, já seria suficiente obra de arte.