Por Bruno Bonsanti

Foi sofrido, mas o atual vice-campeão europeu conseguiu escapar de um grupo difícil e está nas oitavas de final. Nesta terça-feira, o Liverpool venceu o Napoli, por 1 a 0, em Anfield, e se classificou na conta do chá: graças a dois gols marcados a mais do que os italianos: 9 a 7. Graças a Mohamed Salah, que fez o único tento da partida, e a Alisson, que descolou uma defesa salvadora nos minutos finais, em uma finalização à queima-roupa de Milik.

Principalmente no Brasil, onde Alisson é contestado por parte da torcida da Seleção, houve questionamentos sobre a fortuna que o Liverpool desembolsou para tirá-lo da Roma. Na época, a € 62 milhões, foi o jogador mais caro da história da posição, posteriormente superado por Kepa, do Chelsea. Mas esse dinheiro foi investido com esses momentos em mente: uma defesa que transforma uma eliminação em uma classificação.

E o mesmo pode se dizer de Mohamed Salah. Depois da sua última temporada fantástica, o egípcio foi um pouco vítima do próprio sucesso. Os primeiros jogos da atual campanha não foram no mesmo nível, um pouco porque o coletivo do Liverpool caiu, especialmente no ataque, um pouco porque ele se machucou na final da Champions League e teve que se apressar para disputar a Copa do Mundo. Teria sido uma temporada fora da curva? Salah tem respondido colocando bolas nas redes. No fim de semana, anotou uma tripleta contra o Bournemouth e, com esse gol diante do Napoli, chegou a 13 em 23 jogos.

O Liverpool não podia bobear. Um gol do Napoli tornaria a sua missão muito mais difícil. Seria necessário vencer por dois tentos de diferença para levar vantagem no confronto direto, o primeiro critério de desempate, porque a ida, no San Paolo, foi 1 a 0 para os donos da casa. Talvez por isso o começo nervoso, com poucas chances para os dois lados, mas os italianos um pouco mais confortáveis em campo.

O primeiro susto aplicado pelo Liverpool surgiu de um passe perfeito de Robertson para Salah, que estava na marca do pênalti. Mas o atacante errou o domínio e desperdiçou boa chance. Aos 21 minutos, os donos da casa tiveram um gol anulado – corretamente – por impedimento de Mané. Pouco depois, Milner deu mais uma assistência na Champions League: Salah recebeu na área, limpou Koulibaly e tocou cruzado de perna direita para abrir o placar.

 

A partida ficou mais movimentada depois do intervalo. Em uma recuperação no campo de ataque, Firmino deixou Salah na cara do gol. O chute de perna esquerda, buscando o canto direito de Ospina, foi para fora. O goleiro colombiano, aliás, foi essencial para manter as chances do Napoli. Aos 29, ele saiu nos pés de Salah para impedir o chute e, na sequência, quando o egípcio tentou encobri-lo, conseguiu fazer a defesa. Dois minutos depois, Salah enfiou para Robertson, que cruzou rasteiro e Mané bateu. Ospina pegou com as pernas.

O Napoli quase empatou, em um cruzamento rasteiro de Insigne, que encontrou Callejón na segunda trave. Mas o espanhol isolou. Mané perdeu outro gol feito, recebendo o passe de Salah, sem marcação. Mas também isolou. Aos 46 minutos do segundo tempo, a defesa crucial de Alisson: Milik dominou com uma perna e bateu com a outra, na entrada da pequena área. O goleiro brasileiro saiu na hora certa, com o corpo estendido, e conseguiu o bloqueio.

O Liverpool fez uma campanha muito ruim fora de casa na Champions League: três derrotas em três partidas. Mas fez de Anfield o seu alçapão para conseguir os nove pontos que significaram a classificação às oitavas de final. E, graças ao equilíbrio ferrenho do grupo, o Napoli, que provavelmente fez mais partidas boas do que os Reds e do que o Paris Saint-Germain, cruelmente caiu para a Liga Europa. No detalhe.