O Brasil já sabe que perderá um craque no próximo final de semana. A decisão parecia tomada há tempos, mas a convicção do adeus foi dada nesta segunda: esta é a última temporada de Alex. Apenas mais um jogo na conta do veterano de 37 anos, um dos melhores jogadores do país nas últimas duas décadas. O Couto Pereira, que se tornou palco da aparição do talento, também marcará sua despedida. Camisa 10 que deixará saudades.

RELEMBRE: O bom filho – a volta de Alex ao Coritiba

Ídolo em três clubes brasileiros e venerado no Fenerbahçe, Alex é um jogador completo. Não apenas pela classe que exibe com as chuteiras, mas também pela inteligência ao analisar aquilo que acontece muito além do jogo. Engajado e crítico. O craque ideal, que age e pensa com a cabeça. Que fará uma falta imensa dentro de campo, mas pode (e deve) se manter próximo do futebol por muito tempo.

Alex merece muitos aplausos. Por isso, listamos 10 razões que, além de engrandecerem o veterano, também demonstram como o camisa 10 fazia bem ao futebol:

Porque ele marcou a história de três grandes clubes brasileiros

Coritiba, Palmeiras, Cruzeiro. Três dos clubes mais vitoriosos do país, três das maiores torcidas e três lugares onde Alex é idolatrado. A paixão no Coxa se tornou óbvia depois de tanta dedicação, a equipe onde o craque surgiu e que também honrou as cores na despedida. No Palmeiras, os feitos na Libertadores de 1999 falam por si, com o camisa 10 jogando demais contra Corinthians e River Plate. E não há símbolo maior no Cruzeiro do que a Tríplice Coroa que o time ostenta na camisa, uma façanha que teve o meia como protagonista.

HISTÓRIA: Os três anos de Corinthians x Palmeiras que ninguém se esquecerá

Porque ele se tornou motivo de culto na Turquia

Poucos jogadores brasileiros foram tão marcantes em um país europeu. Alex pode ser considerado o melhor estrangeiro da história do futebol turco. Uma grandeza potencializada pela paixão de torcedores conhecidos justamente pelo fanatismo. O camisa 10 liderou o Fenerbahçe a se tornar o clube com mais títulos nacionais, conquistando três vezes a Süper Lig – fantástico principalmente em 2010/11. Além disso, comandou o time em sua melhor campanha na história da Champions League, chegando até as quartas de final. A estátua em frente ao Estádio Sükrü Saraçoglu é a prova material de seu culto.

Porque ele não precisou da Copa para ser querido pelo Brasil

A Copa do Mundo é uma das maiores lacunas na carreira de Alex. O meia teve bons momentos pela Seleção, como nas conquistas da Copa América em 1999 e 2004. Apesar disso, será lembrado como um dos jogadores brasileiros mais talentosos a nunca ter disputado o Mundial – ainda mais por ter ficado tão perto da convocação em 2002, quando foi nome importante nas Eliminatórias. Mas não é a ausência no currículo que diminui o carinho até mesmo de torcedores de clubes nos quais o camisa 10 nunca atuou. O profissionalismo e a classe certamente facilitam a admiração.

Porque ele possui uma rara consciência sobre os podres do futebol

Se quisesse, Alex se aposentaria direto para uma cabine de transmissão. A visão do craque sobre o que acontece além das quatro linhas é melhor do que a de muitos comentaristas. Sobretudo, porque ele não tem pudores para criticar aquilo que não acha certo. No ano passado, em entrevista ao Lance!, bateu até na Rede Globo, pela forma como a CBF se torna subserviente. Já na semana do adeus, escancarou as insatisfações com o que rola na política do Coritiba. Postura combativa que só tende a ajudar.

Porque ele se mantém fiel aos seus princípios

Alex tinha várias opções para escolher quando resolveu voltar ao Brasil. Contudo, não abandonou a paixão. Escolheu o Coritiba, clube no qual começou e pelo qual torceu desde a infância. Pode não ter conquistado grandes títulos, mas o simples fato de ajudar o clube a se manter na Série A em 2014 já é uma grande vitória. Gesto simples, mas que representa a coerência frequente em suas atitudes.

Porque seu respeito pelos torcedores sempre foi gigante

A despedida de Alex do Fenerbahçe é emblemática. Depois que o craque entrou em rota de colisão com o técnico Aykut Kocaman, sua saída do clube acabou selada. Uma notícia que causou comoção imensa nos torcedores dos canários, mobilizando centenas de pessoas a uma vigília na frente da casa do brasileiro. A atenção que o ídolo deu aos seus fãs, mesmo nas altas horas de madrugada, reforçou seu caráter. Algo que se repetiu em outros momentos da carreira.

Porque ele usou seu prestígio para defender os atletas

Alex voltou ao Brasil para encerrar a carreira, mas também para liderar um dos movimentos mais importantes para o futuro do futebol no país. O Bom Senso Futebol Clube começou através de veteranos para se perpetuar às próximas gerações. E o meia não se furtou ao discurso feroz, no qual atacou principalmente o desgaste causado pelo calendário. Ele também participou ativamente da organização do grupo e das reuniões, comparecendo em Brasília para conversar com Dilma Rousseff.

Porque sua eficiência com a bola nos pés é imensa

Garçom e, ao mesmo tempo, matador. Por mais que Alex tenha sido acusado em parte da carreira de desaparecer em alguns jogos, não é isso que os seus números mostram. Somando gols e assistências, o craque ajudou a produzir tentos em 75% das vezes que esteve em campo. Regularidade impressionante, sobretudo nos tempos de Fenerbahçe, onde balançou as redes 185 vezes e serviu os companheiros em outras 162. Não passou uma temporada completa sem marcar pelo menos 18 gols pelo clube e por duas vezes foi artilheiro do Campeonato Turco.

Porque ele honrou como poucos a camisa 10

Como seria o camisa 10 ideal de sua equipe? Aquele capaz de decidir jogos sozinho? Dono de uma maestria ímpar para ditar o ritmo da partida? Com capacidade de se aproximar do ataque e também de brilhar em um lampejo na bola parada? A visão sobre a camisa mais nobre do futebol mundial pode parecer romantizada. No entanto, Alex conseguiu ser tudo isso, como poucos no futebol brasileiro nos últimos anos. Talvez por isso que seu estilo cause saudosismo em muita gente.

Porque os seus golaços são inesquecíveis

Dois chapéus consecutivos, inclusive no goleiro. O toque de letra decisivo. Um giro sutil e o chute por cobertura. O petardo indefensável de fora da área. A cobrança de falta perfeita. Muitos foram os lances mágicos de Alex ao longo da carreira. A mera menção já os torna vivos na mente. E o que resta é esperar que se repitam uma vez mais no adeus do craque.