Alemanha

Sané já faz a torcida se esquecer de Draxler e o futuro do Schalke se cumpre no presente

Parte da torcida do Schalke 04 ficou na bronca com Julian Draxler. E com certa razão. O prodígio se tornou a grande esperança dos Azuis Reais em reconquistar títulos na Alemanha. O que acabou nunca se cumprindo. O camisa 10 estourou e se tornou peça fundamental no time, mas não o suficiente para levar o clube de Gelsenkirchen de volta ao topo. E, diante das cobranças, preferiu sair. Em busca de tranquilidade, aceitou a proposta do Wolfsburg, que ao menos rendeu € 35 milhões aos cofres da equipe onde passou 14 dos 22 anos de sua vida. No entanto, a venda do camisa 10 tem sido bem contornada pelo Schalke. Justamente apostando em outras promessas da base.

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O time treinado por André Breitenreiter vive bom início na Bundesliga. Não está voando como Bayern de Munique e Borussia Dortmund, além de ter perdido a invencibilidade justamente para o Wolfsburg. Ainda assim, os Azuis Reais aparecem na terceira colocação, com 13 pontos em 18 possíveis. O goleiro Ralf Fährmann tem trabalhado bastante e é fundamental para a largada satisfatória do clube. Mesmo assim, o desempenho é até surpreendente, considerando a juventude do elenco. E, entre os prodígios que mais se destacam, Max Meyer e, sobretudo, Leroy Sané fazem os torcedores se esquecerem um pouco de Draxler.

Filho de uma ginasta olímpica alemã e de um ex-atacante senegalês que fez sucesso pelo Nürnberg, Sané começou a causar impacto no time principal do Schalke já na temporada passada. Apesar da eliminação, o meia foi um dos destaques no duelo contra o Real Madrid pela Liga dos Campeões, anotando um gol. Prova de maturidade que o firmou no time principal, e abre cada vez mais espaços entre os titulares – embora a concorrência de Eric-Maxim Choupo-Moting seja dura. Caindo pelos lados do campo, principalmente pela direita, o garoto de 19 anos esteve em campo nos sete jogos da equipe em 2015/16, em três deles no 11 inicial. E tem desequilibrado nas últimas semanas.

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Mesmo passando em branco, esteve entre os principais nomes na estreia vitoriosa do Schalke na Champions, batendo o Apoel por 3 a 0 no Chipre. A quantidade de dribles e de chances criadas, sobretudo, chamou atenção. Já nas duas últimas rodadas da Bundesliga, decidiu ambos os jogos aos Azuis Reais. Marcou um lindo gol para garantir a suada vitória sobre o Stuttgart, que jogou melhor, mas parou em Fährmann. Já nesta quarta, outro golaço do camisa 19, que saiu do banco para definir o triunfo por 2 a 0 sobre o Eintracht Frankfurt. A qualidade técnica e a calma impressionam.

Já o papel de Draxler do time tem sido feito por Max Meyer. Titular há duas temporadas, apesar dos 20 anos, o meia costumava atuar centralizado como meia no 4-2-3-1 da equipe. Nesta temporada, porém, cai pela esquerda (antes ocupada por Draxler) no 4-4-2 dos Azuis Reais. E também se sobressai pelo poder de criação primoroso. Foram duas assistências na vitória sobre o Apoel, além de um lançamento magistral para Sané resolver contra o Stuttgart. Não à toa, o criador nato já soma convocações à seleção principal da Alemanha, entrando no segundo tempo de um amistoso às vésperas da Copa do Mundo de 2014.

A dupla de meias chama atenção, mas todo o meio-campo do Schalke merece destaque pela qualidade técnica, a despeito da pouca idade. Uma das principais contratações da temporada na Bundesliga, Johannes Geis justifica a aposta com ótimo pode na construção de jogo e precisão nas cobranças de falta – o volante também soma três assistências na temporada. Ao seu lado, Leon Goretzka também se sai bem. E o time ainda conta com Pierre-Emile Hojberg, emprestado pelo Bayern de Munique e que também promete muito.  O início dos Azuis Reais é ótimo para asseverar o talento de tantos garotos. Ainda que as expectativas sejam grandes mesmo para daqui alguns anos.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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