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O retorno do Braunschweig, o campeão adormecido

Dentre as grandes competições nacionais europeias, a Bundesliga é a mais recente. O Campeonato Alemão foi criado em 1903, mas sua estrutura era regionalizada. A fundação de um torneio de pontos corridos, abrangendo todo o país, só aconteceu na temporada 1963/64. E a comemoração de seus 50 anos não poderia ser em melhor estilo. Tanto pelos recordes do Bayern Munique e pelo desempenho dos germânicos na Liga dos Campeões, como também pelos desdobramentos da segunda divisão.

Time da maior cidade do país, o Hertha Berlim foi o primeiro a carimbar o acesso. Já nesta sexta, a festa ficou por conta do Eintracht Braunschweig. Um clube de vasta história na Bundesliga, adormecida ao longo das últimas três décadas. O campeão do torneio que passou mais tempo longe da elite está de volta, após 28 anos. E não quer voltar ao ostracismo tão cedo.

A maior glória dos Leões

Criado em 1895 e fundador da Federação Alemã de Futebol, o Braunschweig manteve seu lugar cativo nas primeiras divisões regionais e participou de algumas edições do nacional. Uma das forças da Oberliga Nord na virada da década de 1960, o clube tinha boas condições financeiras e altas médias de público. Acabou se tornando um dos 16 clubes fundadores da Bundesliga – honra que o Bayern, por exemplo, não teve.

O Eintracht Braunschweig campeão em 1966/67
O Eintracht Braunschweig campeão em 1966/67

As grandes glórias dos Leões foram vividas justamente nos primeiros anos da recém-criada competição. Time de meio de tabela nas três primeiras edições, o Braunschweig conquistou seu único título da Bundesliga na temporada 1966/67. Liderada pelo artilheiro Lothar Ulsass e com um ótimo sistema defensivo, a equipe se manteve no topo durante a maior parte da competição e desbancou o 1860 Munique, então dono da taça. Não à toa, o Estádio Eintracht teve média de 25 mil torcedores por jogo, ainda hoje a maior de sua história.

A glória na Bundesliga deu ao Braunschweig o direito de disputar a Copa dos Campeões. E os germânicos não fizeram feio. Depois de deixarem para trás o Dinamo Tirana e o Rapid Viena, caíram apenas nas quartas de final, eliminados pela Juventus apenas por conta do placar agregado. Venceram por 3 a 2 em casa, mas acabaram perdendo por 1 a 0 em Turim.

Nos anos seguintes, o Braunschweig não conseguiu repetir o título – a melhor posição foi um terceiro lugar em 1976/77. Ainda assim, o time se classificou três vezes para a Copa da Uefa e, nas duas oportunidades em que acabou rebaixado na década de 1970, conquistou o acesso logo no ano seguinte.

As curiosidades do Braunschweig

Mais marcante que as campanhas na década de 1970, foram três fatos em particular. Em 1971, o Eintracht Braunschweig foi um dos clubes envolvidos no escândalo que evitou o rebaixamento do Kicker Offenbach. Mas, ao contrário das outras equipes subornadas, os Leões receberam um incentivo – a famosa mala branca – para dificultarem contra o Oberhausen. Levaram o dinheiro, mas dois jogadores foram suspensos e outros 10 foram multados.

Paul Breinter e o patrocínio da Jägermeister (Foto: Old School Panini)
Paul Breinter e o patrocínio da Jägermeister (Foto: Old School Panini)

Um ano depois, o clube cometeria outra ‘irregularidade’ em troca de dinheiro. O Braunschweig se tornou o primeiro clube alemão a exibir um patrocínio em sua camisa, o da tradicional bebida germânica Jägermeister. Para tanto, substituiu seu escudo pelo logo da marca. A ação foi proibida pela federação alemã, mas a diretoria do time ganhou a queda de braço em 1973 e a empresa estampou as camisas até 1987.

Já em 1977, logo após ficar em terceiro na Bundesliga, o Braunschweig fez a transferência mais ousada de sua história. Tirou do Real Madrid ninguém menos que Paul Breitner, craque da seleção alemã. A estadia do campeão do mundo no clube, contudo, durou pouco. Sem fazer muito sucesso em sua temporada de estreia, Breitner foi negociado com o Bayern Munique no ano seguinte.

O declínio e o renascimento dos pioneiros

O terceiro rebaixamento do Eintracht Braunschweig na Bundesliga aconteceu na temporada 1984/85. E os Leões demorariam a se recuperar dele. Dois anos depois, o time caiu também na segunda divisão e teve que voltar às competições regionais. Depois de mais um acesso e outro rebaixamento, passou a década de 1990 limitado à Regionalliga Nord e vivendo graves problemas financeiros.

A esperança de renascer só apareceu a partir de 2003, com o primeiro dos quatro acessos que viveria ao longo dos 10 anos seguintes. Ainda na gangorra, o time tomou o impulso final em 2010/11, subindo novamente à segunda divisão. E, depois de duas temporadas na 2. Bundesliga, veio a comemoração pelo ressurgimento na elite após 28 anos.

Nesta temporada, o Braunschweig deu pinta de que subiria desde o início da campanha. Os Leões só ficaram de fora da zona de acesso na primeira rodada e, embora tenham perdido a liderança para o Hertha em fevereiro, asseguraram a volta à primeira divisão com três rodadas de antecedência. Sentindo o bom momento, a torcida manteve média de 21 mil espectadores por jogo, na melhor taxa de ocupação da história do clube.

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Para a próxima temporada, a equipe precisa se concentrar em se manter na elite – algo que o Greuther Fürth, atual campeão da segundona, não conseguirá fazer. A campanha tranquila na segunda divisão não é garantia alguma de permanência na Bundesliga. Valerá, ao menos, para fazer um clássico de peso contra o arquirrival Hannover 96, de glórias bem maiores nos últimos anos. E, obviamente, para sentir o gosto de estar novamente entre os grandes clubes do país.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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