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O dia em que Jan Koller calçou luvas no clássico e foi eleito o goleiro da rodada

Jan Koller construiu uma trajetória marcante no Borussia Dortmund. Contratado junto ao Anderlecht, o gigante tcheco foi titular dos aurinegros por quatro temporadas e reserva em mais uma. Somou 75 gols e ajudou na conquista da Bundesliga em 2001/02. No entanto, uma de suas histórias mais lembradas pelo clube não se deu no ataque. Em novembro de 2002, o camisa 9 fez de tudo um pouco contra o Bayern de Munique. Cumpriu sua parte na frente, mas também quebrou um galho atrás. E contribuiu bastante ao folclore do ‘Klassiker’, que se repete neste sábado, na Allianz Arena.

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Durante aqueles anos, Bayern e Dortmund desenvolveram um dos momentos mais ferrenhos da rivalidade. Por isso mesmo, sobrou pegada no Estádio Olímpico de Munique pela 12ª rodada, em confronto entre os anfitriões, líderes da Bundesliga, e os vice-líderes. Jan Koller apareceu pela primeira vez aos sete minutos, abrindo o placar, em chute de Amoroso que desviou sem querer em seu calcanhar. No entanto, os aurinegros iam perdendo suas referências pelo excesso de cartões. Dedê foi substituído aos 36 minutos para evitar o segundo amarelo e Torsten Frings recebeu o vermelho aos 41. Com um a mais, os bávaros partiram para cima. Ottmar Hitzfeld colocou Claudio Pizarro no lugar de Owen Hargreaves logo na volta do intervalo. Roque Santa Cruz empatou aos 17 e o próprio peruano viraria quatro minutos depois, completando jogada de Willy Sagnol.

O lance revoltou, sem razão, os jogadores do Dortmund, que pediam impedimento. Jens Lehmann se exaltou demais e, como já tinha o amarelo, foi para o chuveiro. Pior: a equipe já havia queimado as três substituições pouco antes. O jeito foi recorrer ao grandalhão de sua linha de frente, que atuara como arqueiro nas categorias de base. Koller pegou a camisa do próprio Lehmann, calçou as luvas e, com seus 2,02 m, ficou sob as traves. Oliver Kahn tentou passar as dicas aos seus companheiros, mas o centroavante cumpriu bem o papel. Saiu para agarrar os cruzamentos, teve sorte em uma bola de Bixent Lizarazu no travessão e realizou uma ótima defesa em bomba de Michael Ballack, sem nem dar rebote. Até se aventurou na área adversária, sem sucesso. Segurou o 2 a 1 no placar, por mais que fosse desfavorável, mas com dois a menos em seu time.

Campeão na temporada anterior, o Dortmund permitiu que o Bayern abrisse cinco pontos de vantagem após aquela vitória. Não se recuperou mais e terminou a competição em terceiro, com a Salva de Prata voltando às mãos dos bávaros. De qualquer maneira, Koller entrou no imaginário por sua atuação eficiente em duas funções. E ainda levou um prêmio impensável, ao ser eleito o melhor goleiro daquela rodada.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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