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O Borussia Dortmund tem muitos motivos para se orgulhar

Toda derrota dói. Derrotas em jogos grandes costumam doer mais, porque vêm carregadas de muita expectativa. A torcida do Borussia Dortmund sonhou muito com o título da Liga dos Campeões. A grande campanha e o início de jogo fantástico na final contra o Bayern Munique deixaram a impressão que o sonho estava ali, perto, ao alcance das mãos. Só que a derrota com um gol no final foi um duro golpe. Apesar disso, o time não tem que lamentar. Muito pelo contrário. Os motivos são para comemorar.

O que o Borussia Dortmund tem feito é um trabalho fantástico, conseguindo competir com outros times milionários, como o Real Madrid na semifinal e o próprio Bayern. Seu orçamento é menor, mas futebol não é lista da Forbes. Futebol permite que outras coisas além do dinheiro façam a diferença. E o Dortmund foi construído com um time mais barato, mas tecnicamente excelente, intenso, com velocidade e poder de decisão.

O Dortmund tem um jogador fantástico ao seu serviço, Marco Reus. Götze é considerado a grande revelação do futebol alemão aos 20 anos, mas Reus, aos 23, já foi eleito o melhor jogador da Bundesliga e tem feito grandes partidas na Liga dos Campeões e na seleção alemã. Tem potencial para ser decisivo em qualquer nível.

Gündogan, jogadores de meio-campo com uma capacidade de armação e marcação enorme, Blaszczykowski e Grosskreutz, jogadores que trabalham muito duro pelo time, Hummels, um dos melhores zagueiros do mundo, Lewandowski, centroavante da mais alta categoria. Todos são jogadores que podem voltar a colocar o Dortmund na final. E se perder Lewandowski, como especulado, irá atrás de um jogador para substituí-lo à altura. É assim que tem feito. E tem as lições dos anos seguintes ao título europeu de 1997 para ver que o caminho de uma folha salarial gorda e contratações milionárias nem sempre é o caminho para o sucesso. Esse time é o oposto disso.

O Dortmund tem feito um bom trabalho de garimpo de jogadores. Precisará mais do que nunca continuar fazendo isso para manter-se entre os melhores da Europa, o que a história mostra que é uma tarefa muito dura. Chegar às semifinais de forma consecutiva é algo raro e só o Barcelona conseguiu fazer isso consecutivamente nas últimas cinco semifinais. O Bayern, no mesmo período, chegou três vezes à semifinal – nas três, também foi finalista. O Bayern sofreu por chegar nas três finais nos últimos quatro anos e não conseguir ganhar antes de 2013. Se voltar a figurar com frequência entre os melhores da Europa, e tem condições para isso, eventualmente será campeão.

Jürgen Klopp está no comando do Dortmund desde 2008. Assumiu o clube aurinegro na mesma temporada que Pep Guardiola assumiu o Barcelona, mas em uma situação muito pior. O trabalho de Klopp é fantástico. Quando ele chegou ao clube, talvez fosse impensável que o time estaria decidindo uma Liga dos Campeões alguns anos depois. O time sequer conseguia chegar à competição. Para quem não tem dinheiro jorrando dos cofres, como Bayern, Real Madrid, Barcelona, Manchester United, Chelsea, Manchester City ou PSG, é preciso trabalhar sempre bem para se manter no topo. E aqui está o desafio.

Levante a cabeça, Dortmund. A torcida já entendeu isso. Chorou pelo gol sofrido e o título perdido, mas também mostrava, orgulhosa, as cores do time em camisas e cachecóis. Merecidamente, receberam as homenagens dos jogadores do Dortmund, que choravam em campo. Jürgen Klopp fez questão de ir até a torcida e agradecer pelo apoio. Por tudo que o Dortmund fez nessa temporada, que continue fazendo e dando exemplos que futebol se faz com mais do que dinheiro de xeiques.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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