Alemanha

Na contramão dos naming rights, Union Berlin vende estádio aos torcedores

O Union Berlin resolveu adotar a postura que muitos times tem feito para arrecadar dinheiro: vender o estádio. Só que o clube alemão, que joga a segunda divisão do país, resolveu fazer de uma maneira diferente: venderá para os seus torcedores.

“Nós decidimos vender nossa alma”, disse o presidente Dirk Zingler, em uma entrevista ao jornal Berliner Zeitung. “Para os membros”, completou. O anúncio foi surpreendente, uma vez que vivemos a era das “arenas” e do naming rights, que vende o nome dos estádios para aumentar o caixa.

O estádio Alte Försterei foi construído pelos torcedores em uma campanha há três anos e agora está à venda para esses mesmos torcedores por €500 a ação. Por um mês, de 1º a 31 de dezembro, os torcedores poderão comprar dez mil ações, ou um máximo de 58%, do estádio Alte Fösterei, onde o time joga desde 1920.

O presidente espera que a campanha arrecade €5 milhões, que será usado para a construção de um novo setor de arquibancadas, “a casa do torcedor”, com infraestrutura melhor, que inclui um bar.

Muitos clubes vendem o nome de seus estádios para empresas, como forma de arrecadar dinheiro, o que acaba resultado, por vezes, em nomes pouco populares. O Newcastle, por exemplo, resolveu vender o nome do estádio tradicionalíssimo St. James’ Park, o que causa polêmica entre torcedores.

O Union Berlin se destaca como um clube com discurso anticomercial. No comunicado que declarou a venda de ações do estádio, o clube diz: “Balançadores de bandeiras, batedores de palmas e música de gol. O futebol se tornou show business. E corre o risco de se tornar imutável e indistinguível”. Na nota, o clube ainda diz que o Union se estabeleceu “sua própria e única cultura de futebol: arquibancadas de pé, paixão direta e futebol inalterado”.

A venda de ações é limitada a dez ações por pessoa ou empresa, o que dará direito ao seu dono de participar das decisões que serão tomadas sobre o estádio, inclusive sobre ma possível mudança de nome. Porém, apenas os torcedores que são sócios do clube poderão comprar as ações.

“Isso significa que não será possível, por exemplo, que o presidente do clube mude o nome do estádio usando sua própria empresa, como aconteceu com o Newcastle”, disse Christian Arbeite, porta-voz do clube.

O clube tem histórico de chamar os seus torcedores para participar da vida do clube. Entre 2008 e 2009, mais de dois mil torcedores passaram mais de 140 horas de trabalho na reconstrução do estádio Alte Försterei, uma vez que o time precisava de uma reforma no seu estádio para ser promovido para a segunda divisão. O time conseguiu, com torcedores ajudando nas obras com seu trabalho voluntário.

Antes, em 2004/05, o time passava por uma grava crise financeira que poderia impedir a equipe de disputar a liga regional – na Alemanha, o clube que tem dívidas não pode disputar os torneios. Então, o clube convocou os torcedores para doarem sangue e, com o dinheiro recebido, doar ao clube para manter o seu funcionamento. A campanha foi chamada de “Sangue pelo Union” e acabou sendo um sucesso.

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