Alemanha

Draxler foi o expoente de uma seleção alemã na qual vários jogadores saem em alta

Os planos de Joachim Löw para a Copa das Confederações foram um sucesso. O treinador não deu tanta importância ao torneio a ponto de convocar o seu time principal. Não quer dizer, contudo, que ele não tenha sido importante. Pelo contrário. A partir das duas semanas na Rússia, o comandante pôde testar variações e jogadores ao elenco principal do Nationalelf. E o resultado satisfez bastante. Prezando pela eficiência na final, diante de um Chile sedento, os germânicos ficaram com a taça. Mas, ainda melhor, deram créditos a diversos talentos que podem ser muito úteis a seu 11 inicial rumo à Copa do Mundo.

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Julian Draxler, sem dúvidas, foi o protagonista da conquista. Löw confiou no jovem para ser o líder do elenco renovado. E o camisa 7 surpreendeu positivamente. Não apenas por ter sido uma referência técnica dentro de campo, assumindo a responsabilidade e criando boas jogadas. O ponta também serviu de influência enorme aos companheiros, algo até surpreendente para a sua pouca idade. Depois de uma Eurocopa interessante, se afirma definitivamente na base titular.

Outro jogador que cresceu ao patamar mais alto durante o torneio foi Marc-André ter Stegen. Havia uma briga homogênea entre os três goleiros convocados. Não à toa, Bernd Leno ganhou a confiança inicial de Löw, mesmo sem a badalação do blaugrana. É um arqueiro que faz um ótimo trabalho há anos no Bayer Leverkusen e já poderia ter dado passos maiores. Contudo, não aproveitou a chance e falhou. Ter Stegen, então, dominou a posição. Não sucumbiu aos momentos de maior pressão e fez partidas decisivas, sobretudo na final contra o Chile. Torna-se o reserva imediato de Manuel Neuer, enquanto a vaga ao terceiro goleiro segue vaga.

Pela concorrência na faixa central da seleção principal, Leon Goretzka talvez não se coloque imediatamente como titular. Mas deveria ser ao menos uma alternativa. Dá até para discutir se o jovem do Schalke 04 não merecia a Bola de Ouro até mais do que Draxler. O camisa 8 voou no meio de campo, tanto pela consistência na proteção quanto pela ajuda ao ataque. Dono de uma ótima visão de jogo e criativo nos passes, ainda se projetou bastante à área, marcando seus gols e criando oportunidades. Aos 22 anos, tem um futuro brilhante pela frente na equipe nacional.

Goretzka, da Alemanha (Foto: Getty Images)

Timo Werner, por sua vez, era um destaque esperado, mas incerto. Dá para dizer mesmo que os alemães torciam pela afirmação do prodígio como uma alternativa real ao ataque. E, depois de atuações ruins em suas primeiras chances anteriores, ele começou os dois primeiros jogos da Copa das Confederações no banco. Quando entrou, não saiu mais. Ofereceu muita movimentação na linha de frente e contribuiu ao coletivo como um todo. Anotou três gols, deu assistência e levou a Bola de Ouro para casa. Ainda precisa amadurecer em certos aspectos, assim como errou alguns fundamentos com maior frequência do que deveria. Independentemente disso, o posto de homem de referência da Alemanha está sendo talhado a ele.

Por sua versatilidade, Joshua Kimmich se coloca de vez como o grande coringa de Joachim Löw. É o favorito para fazer as vezes de lateral, arrebentando na função durante a maior parte do tempo. Mas também é um jogador de enorme capacidade tática. Nos jogos mais tranquilos, soube se encaixar na linha defensiva, aumentando a qualidade na saída de bola e na pressão. Além disso, fez as vezes no meio de campo, pela faixa central. Sua multiplicidade é bem melhor aproveitada no Nationalelf do que no Bayern.

No mais, a Alemanha contou com uma série de jogadores que não foram necessariamente excepcionais, mas podem deixar a Rússia sabendo que fizeram bem o seu trabalho. Antonio Rüdiger deu um passo à frente na disputa entre os zagueiros, enquanto Shkodran Mustafi viveu um torneio satisfatório. Quem poderia ter feito um pouco mais, até pelas expectativas, foi Niklas Süle. Diante da carência nas laterais, Jonas Hector deve ser mesmo o dono na esquerda. Já pela direita, Benjamin Henrichs se firma como opção. Sebastian Rudy demonstrou sua utilidade, mesmo sem se destacar tanto, e por isso foi titular em todos os jogos. Emre Can e Kerem Demirbay não tiveram tantos minutos, mas reforçam seus predicados à rotação. Amin Younes oferece características diferentes como um jogador incisivo de lado e deve ser mais observado, enquanto Julian Brandt oscilou. Já no ataque, Lars Stindl pode não ser uma grande estrela, mas beneficiou o time como um todo por seu estilo participativo.

Sem encontrar grandes dificuldades nas Eliminatórias, a Alemanha ainda pode aproveitar os próximos meses para novas observações. Dá para fazer mais ajustes, ainda que a margem de erro seja menor. Fato é que Joachim Löw encarou a Copa das Confederações da melhor maneira e colhe os frutos. O Nationalelf sai fortalecido da Rússia, especialmente pelas novas cartas que tem nas mãos.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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