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Dez grandes momentos para Gerd Müller relembrar seu passado glorioso e combater o Alzheimer

O futebol é uma grande ferramenta na luta contra o Alzheimer. Segundo estudo feito pela Universidade Autônoma de Barcelona, o esporte ajuda a trabalhar a memória e o estado de ânimo dos portadores da doença. Relembrar as emoções vividas durante um jogo combate a deterioração cognitiva causada pela enfermidade. Assim, ver e ler futebol são jeitos de recuperar as habilidades que, pouco a pouco, se perdem com o desenvolvimento da doença. O passado que pode ajudar uma lenda como Gerd Müller.

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Nesta semana, o Bayern de Munique comunicou que seu lendário artilheiro é portador de Alzheimer. Prestes a completar 70 anos, Müller enfrenta mais um adversário duríssimo em sua vida, depois de já ter derrotado tantos – das retrancas ferrenhas aos times considerados imbatíveis, da desconfiança sobre seu peso ao alcoolismo. Não à toa, é um dos maiores campeões da história. Dono de 14 títulos com o Bayern de Munique, incluindo três da Champions, além de ter vencido a Eurocopa e a Copa do Mundo com a seleção alemã.

Assim, inspirados no projeto da Revista Líbero (que produziu edições especiais para falar de grandes momentos do futebol no passado e estimular a terapia de idosos com Alzheimer), resolvemos fazer uma homenagem a Gerd Müller. Relembrar dez grandes momentos do craque no futebol, que poderiam ajudá-lo a reviver suas emoções e, quem sabe, progredir no combate à doença. Passado que, por mais que o cérebro do velho artilheiro possa pregar peças, nunca será apagado da memória do futebol.

O poder das batatas

Antes de chegar ao Bayern de Munique, Gerd Müller defendia as categorias de base do Nordlinger, pequeno clube da região da Suábia. No entanto, não demorou muito para que o garoto fizesse sua fama pelo país. Em 1962/63, ele marcou incríveis 180 gols pelo clube. E a explicação para o sucesso, segundo ele, estava na salada de batatas que sua mãe fazia para lhe dar energias. Em pouco tempo, as duas potências de Munique se aproximaram do prodígio. Melhor para o Bayern, que chegou meia hora antes do representante do 1860 para assinar contrato com o goleador.

O levantador de peso que vingou

Quando Müller chegou ao Bayern, o então técnico do clube, Zlatko Cajkovski, afirmou sobre o novato: “O que vocês acham que eu farei com um levantador de peso”. Alusão direta ao físico do garoto, de pernas curtas e tronco largo. A resposta do “gordinho”, no entanto, veio com gols. Após dez partidas resistindo em escalar o reforço, o treinador cedeu por pressão da diretoria. E, logo na estreia, o centroavante anotou dois tentos na vitória sobre o Freiburg. Segundo números da Fifa, o alemão é apenas um dos cinco jogadores na história a superar a marca de 700 gols em jogos oficiais. “Eu farejava os gols. Então, estava uma fração de segundo adiantado em relação aos zagueiros”, afirmava. Sem contar a qualidade fabulosa nos arremates, que fez muita diferença aos seus números – estes sim, realmente gordos.

O maior da Bundesliga, com sobras

Gerd Müller atuou em 14 temporadas da Bundesliga. Marcou 365 gols, mais do que qualquer outro jogador na história do torneio. Números absurdos, que ressaltam bastante o seu excepcional faro de gol. O centroavante conseguiu ser o artilheiro do campeonato em nada menos que metade de suas participações, sete vezes – número recorde entre as ligas nacionais europeias. Além disso, também faturou duas Chuteiras de Ouro como maior goleador da Europa. Em 11 edições, ele terminou a Bundesliga com mais de 20 gols.

Quatro vezes artilheiro da velha Copa dos Campeões

No antigo formato da Champions, ninguém supera Gerd Müller em número de artilharias. O alemão se manteve soberano no torneio em 1972/73, 1973/74, 1974/75 e 1976/77. É a mesma quantidade de Cristiano Ronaldo e apenas uma a menos que Messi. Além de erguer a taça três vezes, Müller marcou 35 gols em 35 jogos no torneio, a melhor média entre os 50 maiores goleadores. Além disso, está atrás apenas de Di Stéfano, Eusébio e Puskás entre os artilheiros da velha Copa dos Campeões.

O que Lewandowski fez era fichinha para ele

Tudo bem, Gerd Müller nunca fez cinco gols em nove minutos. Mas bater a marca era fácil para o artilheiro alemão. Der Bomber anotou cinco tentos em seis partidas ao longo de sua passagem pelo Bayern. Chegou a repetir a marca por duas vezes em intervalo de apenas três meses, em 1976. Pelo clube, foram 36 partidas em que o centroavante marcou três gols ou mais ao longo dos 90 minutos.

O homem que recusou os milhões do Barcelona para ser campeão do mundo

Gerd Müller esteve muito próximo de acertar com o Barcelona em 1972. Na verdade, o artilheiro já assinara com os catalães, mas acabou voltando atrás. E o motivo da mudança de planos foi a seleção alemã. A um ano da Copa do Mundo, discutia-se que a transferência colocaria em risco sua convocação. E, com a intervenção até do governo alemão, Müller seguiu no Bayern de Munique. O craque estrelou o Nationalelf no Mundial de 1974, embora Günter Netzer tenha sido convocado mesmo defendendo o Real Madrid. Já o Barça aproveitou o dinheiro economizado para buscar outro craque: Johan Cruyff, cuja influência extrapolou sua passagem pelo gramado do Camp Nou.

Fome de gols incomparável pela Alemanha

Gerd Müller perdeu o posto de maior artilheiro da história da seleção para Miroslav Klose. Mesmo assim, sua média de gols pelo Nationalelf parece insuperável, e não apenas em seu país. O craque balançou as redes 68 vezes em 62 partidas. Não é pouco: na seleta lista de jogadores com mais de 50 tentos em jogos internacionais, o alemão só perde para o dinamarquês Poul Nielsen, ídolo de sua seleção entre as décadas de 1910 e 1920. Müller está à frente de tantas outras lendas, como Pelé, Puskás, Batistuta, Romário e Ronaldo. Klose, por exemplo, precisou de 129 jogos (ou seja, mais que o dobro) para superar o seu antecessor.

Uma lenda em Copas

Se considerarmos apenas os jogos em fases finais de Copa do Mundo, os números de Gerd Müller permanecem inacreditáveis. Em 1970, ele foi o artilheiro do Mundial, com 10 gols, e ganhou a Bola de Ouro de melhor jogador da Europa justamente por isso. Já em 1974 sua marca diminuiu, mas o que vale é a importância dos quatro tentos que anotou: um deles definiu a vitória sobre a Polônia, no jogo que colocou a Alemanha na final, enquanto ele também decretou a virada na decisão contra a Holanda. São 14 tentos em 13 jogos de Copa, superado apenas por Ronaldo e Klose. E o velho goleador ainda carregou o time da Euro de 1972, anotando quatro dos cinco gols alemães na campanha do título.

O maior ano de todos

Em 1972, aliás, Gerd Müller viveu o seu ano mais devastador. Entre os jogos pela seleção e pelo Bayern, o craque balançou as redes fenomenais 85 vezes. Registrou o final e o começo de duas temporadas devastadoras pela Bundesliga, enquanto também arrebentou na Champions e na antiga Recopa Europeia. Por quatro décadas, Der Bomber permaneceu com o recorde de gols ao longo de um ano na Europa. Acabou batido por Messi em 2012, mas com uma vantagem: a média de 1,41 tentos por partida está acima dos 1,33 do argentino.

O gol na final da Champions

Por fim, uma das maiores pinturas da carreira de Gerd Müller. O alemão fez muitos gols de “centroavante”, se valendo do ótimo posicionamento e da capacidade em poucos espaços. No entanto, ele deu um toque de genialidade na final da Champions de 1974, que coroou o Bayern campeão continental pela primeira vez. O camisa 9 fez dois tentos na goleada por 4 a 0 sobre o Atlético de Madrid, no jogo de desempate da decisão.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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