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Após longa luta, torcida do Nuremberg poderá rebatizar seu estádio, dando o nome de ídolo

Desde que o estádio de Nuremberg foi reformado para a Copa do Mundo de 2006, a escolha de seu nome tem sido motivo de grande disputa. Tradicionalmente, o palco do histórico Portugal x Holanda se chamava Frankenstadion. Já depois da renovação, a prefeitura da cidade decidiu vender os naming rights do local, uma postura com a qual os torcedores do Nuremberg, atualmente na segunda divisão alemã, nunca concordaram. A partir de 2006, eles iniciaram uma campanha para batizar a arena como Estádio Max Morlock, em homenagem ao maior ídolo do clube. Inclusive, é esta a alcunha que corre informalmente nas arquibancadas e costuma ser enfatizada em cânticos e bandeiras, por mais que duas empresas tenham bancado os naming rights ao longo da última década. E agora, depois de tanta luta, os grenás deverão ter seu desejo atendido.

O cenário começou a mudar ao final da última temporada. Dona dos naming rights por três anos, substituindo outra companhia, a Grundig optou por não renovar seu contrato com a prefeitura de Nuremberg. Durante os últimos meses, o local passou a ser chamado de Stadion Nürnberg, enquanto o município tentava encontrar novos interessados em um acordo. E, graças a um banco, o Estádio Max Morlock será oficialmente possível. O Consorsbank, sediado na própria cidade, irá pagar três quartos de um contrato de naming rights por três anos. Já o quarto restante, cerca de €800 mil, acabará arrecadado junto aos torcedores.

A “vaquinha” será realizada durante seis semanas. Os torcedores que participarem da campanha ganharão brindes, enquanto tornarão possível a mudança. A intenção do banco é promover o engajamento da população da cidade em torno da causa e, assim, também divulgar a sua marca. Uma maneira de fazer marketing, sem necessariamente aparecer batizando o local. Atualmente, o clube ocupa o oitavo lugar na segunda divisão da Bundesliga.

A iniciativa vem sendo discutida por grupos de torcedores do Nuremberg. E, apesar do entrave comercial, não é mal vista. A página oficial da campanha, que segue independente, considera a oferta do banco uma etapa inicial. Seria um passo importante para propagar o nome de Estádio Max Morlock na mídia e para o resto do país, por mais que já seja utilizado localmente. Além disso, eles ponderam que o dinheiro arrecadado não será revertido diretamente ao banco, e sim à prefeitura, embora também farão propaganda à marca.

“Antes de comemorarmos, precisamos olhar mais de perto. Os conceitos propostos (crowdfunding, banco e naming rights) não se conciliam com o nosso mundo do futebol. Isso porque, logicamente, o banco também quer lucrar com nosso comprometimento. Querem fazer dinheiro com nossos valores. Nossa iniciativa é realizada sem patrocinador ou patrão. Isso continuará. Nosso trabalho segue em frente, mesmo com a campanha. O objetivo não foi alcançado. Entretanto, a proposta do banco pode abrir uma porta. Será difícil apoiá-la, mas, depois de 10 anos, este pode ser nosso maior passo. É apenas um estágio que, no mundo atual, provavelmente é inevitável, mas acabará alcançado e superado”, diz a nota dos torcedores que iniciaram o movimento pela adoção do nome.

Enquanto isso, a memória de Max Morlock continua vivíssima em Nuremberg. Nascido na cidade, o atacante defendeu o clube por 24 anos, de 1940 a 1964. Nunca aceitou vestir outra camisa e liderou os grenás a grandes momentos, com a conquista de dois títulos alemães. Enquanto isso, também fez parte da seleção e esteve em campo no famoso Milagre de Berna, autor do primeiro gol na virada por 3 a 2 sobre a Hungria na final da Copa de 1954. Sem dúvidas, uma lenda que merece tamanha honraria.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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