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A melhor cobertura da coletiva de Klopp foi de um cara que não entendeu nada da entrevista

Para a tristeza dos entusiastas do Borussia Dortmund de Jürgen Klopp, o treinador anunciou nesta quarta-feira que, ao fim da temporada, deixará os aurinegros, dando fim a um ciclo de sete anos. A informação rapidamente tomou noticiários do mundo todo, e qualquer veículo especializado queria a sua casquinha da história. Mas nenhum deles teve uma sacada tão genial quanto o jornal Telegraph, que enviou à coletiva de imprensa de Klopp um repórter que não sabia falar alemão. Receita pronta para tragédia? Nada disso. O resultado foi uma cobertura minuto a minuto sensacional de Ben Bloom.

VEJA TAMBÉM: O carisma e o futebol intenso e ofensivo de Klopp deixarão saudades no Dortmund

Três minutos após Klopp sentar-se frente aos jornalistas, vem a primeira atualização de Bloom durante a coletiva: “Certo, nós temos um pequeno problema… Eles estão falando alemão, e meu GCSE (qualificação acadêmica em uma matéria específica) nesta disciplina não ajuda muito. O que eu posso deduzir é que o cara que está falando agora (presumo que seja o diretor executivo do Dortmund ou algo assim) genuinamente soa como se alguém tivesse morrido. Ele até engasgou. Ah, ele acabou de dizer ‘fantastisch’. Acho que ele não estava descrevendo a decisão de Klopp de deixar o clube”. Dois minutos depois, completa: “Por que eu não sei falar alemão???”

A partir daí, a sequência de atualizações é genial, e Bloom rapidamente começa a repercutir no Twitter. “Eu adoraria lhes dizer o que o Klopp está falando. Ele está falando muito. Mas eu consigo entender exatamente nada. Então, em vez disso, aqui vai uma foto dele colocando água no copo”, dizia outra das atualizações. Precisava haver algum espaço para profissionalismo também, então em determinado momento Bloom consegue uma tradução de algumas aspas de Klopp. Mesmo assim ele não deixa o bom humor de lado: “Alguém que fala alemão fez uma boa tradução! Louvemos o senhor. Certo, vou passar isso como se fosse minha tradução mesmo e espero que ninguém note”.

Confira algumas das melhores atualizações:

Aspa-1

“Eles acabaram de abrir para perguntas. Receio que as perguntas sejam tão alemãs quanto as respostas.”

Aspa-2

“POR QUE NÃO TEMOS UM IDIOMA UNIVERSAL AO REDOR DO MUNDO???”

Aspa-3

“Eu genuinamente sinto muito por isso. Percebo que isso é altamente não profissional. Não digam ao meu chefe que não sei falar alemão. Ele acha que eu estou traduzindo essa coletiva palavra por palavra.”

Aspa-4

“Consegui pegar as seguintes palavras: ‘extremo’, ‘esporte’ e ‘e’. Entenda o que quiser. Na minha cabeça, ele está considerando uma nova carreira como paraquedista.”

Aspa-5

“O quê? A Sky Sports News acabou de passar um trecho da coletiva e eles tinham um cara traduzindo as palavras do Klopp. Como eles encontraram um cara que fala alemão e o Telegraph ficou comigo? Temo ter prejudicado consideravelmente a imagem desta instituição que já foi grande. Es tut mir leid. (O Google Tradutor me diz que isso é “sinto muito” em alemão)”

Presumimos que toda essa cobertura tenha sido previamente planejada, já que o Telegraph é um jornal sério e não correria o risco de mandar inadvertidamente um repórter sem conhecimento de alemão para a entrevista, contando depois apenas com sua capacidade de improvisação. Com essa interpretação, se o objetivo era fazer barulho com a cobertura, o jornal conseguiu. O minuto a minuto viralizou também na Alemanha, e a repercussão no Twitter teve até a conta oficial da embaixada alemã no Reino Unido oferecendo a Bloom um curso de alemão.

Vale a pena conferir a brilhante cobertura na publicação original, clicando aqui. Se você for repórter e algum dia estiver em uma situação dessas, pelo menos já saberá uma boa maneira de contornar tudo.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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