A Liga das Nações começou nesta quinta-feira tentando se apresentar como uma alternativa ao baixo interesse aos amistosos internacionais. A Uefa pensou na competição como uma nova maneira de fazer dinheiro e de aproximar as suas seleções, em um círculo fechado. Como atrativo, um título em jogo e vagas à próxima edição da Eurocopa, assim como possíveis lucros em publicidade e fatias de TV. Mas ao menos naquele confronto que deveria servir de cartão de visitas, o torneio não mostrou nada de tão emocionante ou diferente. Alemanha e França fizeram um duelo morno durante a maior parte do tempo na Allianz Arena, com um pouco mais de intensidade na etapa final. Insuficiente para tirar o 0 a 0 do placar, em noite inspirada do goleiro Alphonse Aréola, a grande figura em Munique.

A partida, afinal, reunia duas potências tradicionais e os dois últimos campeões mundiais. A França reiniciou sua jornada depois do bicampeonato com um time repleto de campeões, no qual apenas Aréola não havia sido titular na final em Moscou. Já a Alemanha não indicava traços de sua renovação, com um elenco ainda recheado de medalhões e com oito atletas presentes no vexame contra a Coreia do Sul. De qualquer forma, não deixava de ser um jogo grande.

O primeiro tempo, porém, serviria para um belo cochilo. Foram raríssimas as chances de gol entre duas seleções jogando em ritmo lento e contentes em não se expor. Manuel Neuer trabalhou um pouco mais, com uma boa intervenção em arremate de Olivier Giroud, enquanto os melhores momentos poderiam se resumir às jogadas de efeito de Kylian Mbappé. O empenho aumentou um pouco mais na segunda etapa, entre a movimentação dos franceses e a iniciativa dos alemães. Neuer voltou a salvar em bomba de Antoine Griezmann, mas logo o protagonismo passaria a Aréola. O arqueiro do Paris Saint-Germain acumulou milagres. Diante de uma sequência sob pressão do Nationalelf, o camisa 16 brilhou. Foram cinco defesas difíceis, com destaque ao desvio à queima-roupa de Matthias Ginter que o goleiro se esticou para espalmar e ao chute da entrada da área de Marco Reus. Já nos 15 minutos finais, com as alterações, o duelo voltou a esfriar. Nada da vontade pela vitória, que se espera em uma partida competitiva.

É difícil imaginar que a Liga das Nações engrene de primeira. Pode até oferecer jogos melhores, mas os atrativos para as seleções são pequenos, quando se pensa que os times acabaram de sair de uma Copa do Mundo e logo mais disputarão a Eurocopa. Não dá para se cobrar muito além do que se viu em Munique, ainda mais quando o período de maior dedicação aconteceu há poucos meses. Era mesmo uma noite para que um ou outro jogador tentasse agarrar a oportunidade. Melhor para Aréola, brilhante em uma abertura esquecível ao novo torneio.


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