Frenkie de Jong se tornou um dos nomes mais especulados no mercado de transferências durante os últimos meses. E não é por menos. Aos 21 anos, o meio-campista do Ajax demonstra talento suficiente para ser um dos melhores do mundo em breve. Versátil, faz de tudo um pouco na faixa central, e tudo muitíssimo bem. Marca, passa, dribla, preenche os espaços, domina o setor. É um dos responsáveis pela boa campanha dos Godenzonen na Liga dos Campeões e também desponta com a seleção holandesa, essencial na classificação à fase final da Liga das Nações. Pois, além da bola no pé, o camisa 21 tem uma visão de futebol acima do comum. Foi o que evidenciou nesta semana, em entrevista ao jornal The Guardian, na qual analisou o seu estilo de jogo e as situações que o circundam.

“Normalmente os meio-campistas apenas passam a bola, mas eu também driblo. As pessoas dizem que eu corro muitos riscos, mas não concordo, porque não perco tanto a posse. Desde que eu era garoto, jogava assim. Não acho que seja bom deixar de lado agora o que sou. Cheguei ao time principal jogando desta maneira desde criança. Por que mudaria agora? Algumas pessoas dizem que preciso jogar um futebol maduro, mas Messi joga um futebol maduro da sua própria maneira também. Ele é bom demais para todos. Pode driblar e parece que os adversários são crianças”, apontou De Jong.

“Quando estou em campo, jogo com intuição, mas penso muito sobre o jogo. Com minha intuição, não é que recebo a bola e sempre penso ‘farei isso’ de imediato, embora às vezes aconteça. A maioria dos bons jogadores atua a partir da intuição. Todo mundo tem um pouco, mas não sei se você pode aprender. Algumas vezes eu planejo. Estou sempre procurando o passe. Sempre tentando ver meu companheiro. Ele está livre? Então você já sabe o que fazer. Mas às vezes a situação pode mudar. Você precisa reagir e usar sua intuição. Tento analisar todo o quadro quando recebo a bola e saber onde cada um está. É o mais importante a um meio-campista”, complementou.

O holandês já chegou a ser comparado com grandes nomes do futebol laranja. Por sua polivalência e pela técnica refinada, Frank Rijkaard e Ruud Gullit são dois dos mais costumeiros. Mas também há Johan Cruyff, embora o novato prefira se afastar dos paralelos com o camisa 14: “Eu me sinto honrado, mas não acho que posso ser comparado com Cruyff. Ele era muito melhor que eu, tinha muita qualidade. Nunca chegarei neste nível. Não quero me comparar com Cruyff. E acho que as pessoas não querem que eu me compare com Cruyff, apenas veem semelhanças entre nós, não as mesmas qualidades. Eu assisto aos vídeos dele, ele era incrível. A maneira como se movia com a bola, a forma como via o jogo…”.

O prodígio, aliás, não esconde que gosta de se espelhar e de estudar as referências no esporte: “Gosto de assistir aos grandes jogadores, aqueles que são tecnicamente bons e entendem o jogo. Tento ver como eles se movem. Há muitos que eu observo, especialmente meio-campistas. Os rapazes do Barcelona, os rapazes do Manchester City… Jorginho no Chelsea agora. Existem muitos para você aprender. Você tem que desarmar também. Tem que fazer seu trabalho defensivo, mas gosto de ver como os jogadores entendem a partida, futebolistas com muita visão”.

E também garante ser apreciador de um estilo mais pautado na bola, como se prega no Ajax em suas raízes. Ou como Pep Guardiola costuma primar: “Amo esse estilo do Guardiola. Roube a bola rapidamente, então jogue com a posse a partir de várias combinações. Quando você assiste a isso, você tem a sensação que quer sair para um campo e jogar futebol com seus amigos, apenas se divertir. O City e o Barcelona são grandes exemplos”.

Por fim, deixa claro que seu objetivo no momento não é pensar na saída do Ajax, apesar das especulações envolvendo seu nome. “É difícil dizer o que acontecerá. Quero encerrar essa temporada bem com o Ajax. Então nós veremos. Talvez eu fique por mais um ano, talvez eu saia. Mas não tenho certeza. Não presto atenção nos rumores. Ouço as histórias, mas apenas quero terminar a temporada bem”, disse, com sua concepção característica e um sorriso franco. “Sou apenas eu. Tento ser gentil com todos. Sinto a pressão para vencer, mas quando estou em campo não penso que a mídia vai me destruir. Quero aproveitar a vida. Ser feliz”. Sem negar que possui um grande futuro pela frente, De Jong prefere manter os pés no chão e desfrutar o jogo. Assim, permite que outros desfrutem de seu jogo. Vai longe.