Massimiliano Allegri chegou à Juventus coberto de críticas da imprensa e da torcida. Allegri, aquele que foi demitido do Milan, não era o suficiente para substituir Antonio Conte, cantado em verso e prosa pelos torcedores e pela crítica (porém nem tanto pela diretoria, que estava em choque com ele há algum tempo). Chegamos à reta final da temporada e o resultado dificilmente poderia ser melhor. A Juventus garantiu neste domingo o tetracampeonato italiano com uma vitória sobre a Sampdoria, com quatro rodadas de antecedência. O time está na semifinal da Champions League, onde enfrenta o Real Madrid, já sem o status de azarão que carregava. Os craques em campo, como Pogba e Tevez, fizeram a diferença, mas é preciso reconhecer os méritos de Allegri nisso tudo.

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Com a vitória por 1 a 0 sobre a Sampdoria, a Juventus chegou a 79 pontos e não pode ser alcançada por mais ninguém. Como a Lazio tem 62 pontos, 14 a menos que a Juve, e só restam quatro jogos, com 12 pontos em disputa, a conquista está sacramentada. O título pareceu uma questão de tempo desde o começo da temporada, quando nem a Roma, rival da temporada passada, conseguiu manter o ritmo. Como os times de Milão também não conseguiram, em nenhum momento, sequer ameaçar se aproximar, a Juventus pareceu nadar de braçada no Campeonato Italiano mais uma vez.

Isso pode não ser muito diferente do que aconteceu nas últimas temporadas, mas há diferenças entre o antigo e o atual treinador. Para começar, Allegri foi quem parou de insistir no esquema com três zagueiros, que Antonio Conte tanto utilizou neste período. Ele não aboliu a tática, apenas criou uma alternativa para dar mais força justamente ao setor que o time tem mais talentos, o meio-campo. A linha de quatro defensiva fez com que Barzagli tenha ido para o banco mais vezes, com Lichststeiner e Evra nas laterais. Assim, o time pode explorar o seu potencial com Pirlo, Marchisio, Pogba e Vidal no meio. Na frente, Tevez comanda o ataque, ora acompanhado por Llorente, ora por Morata, que ganhou espaço durante a temporada.

Com um esquema de jogo mais variado, o time teve mais jogadores brilhando. Com as lesões de Pirlo e Vidal durante a temporada, o palco foi dominado por Paul Pogba e Carlos Tevez. O francês, titularíssimo no meio-campo, foi a força ofensiva que o time precisava a partir do meio-campo. Alto, com um excelente chute e muita técnica, foi o principal jogador do time na primeira metade da temporada.

Tevez foi muito importante desde que chegou à Juventus, o que não foi nenhuma surpresa. Nesta temporada, porém, os seus gols tem sido muito decisivos, como foram aqueles contra o Borussia Dortmund. As suas atuações ajudam os companheiros de ataque, tanto Morata quanto Llorente. O mérito de Allegri está em conseguir rodar o time quando necessário, descobrir mais jogadores importantes para o time. Marchisio, que tinha perdido espaço na temporada passada com ascensão de Pogba, voltou a ter papel preponderante no time. É o terceiro jogador que ficou mais minutos em campo, atrás apenas de Buffon e Bonucci. Roberto Pereyra, argentino contratado junto à Udinese, jogou muitas vezes por conta das lesões no meio-campo e deu conta do recado, tendo mais minutos em campo que boa parte do elenco – é o oitavo mais utilizado.

O futebol da Juventus continua não sendo brilhante, nem muito atraente. O nível de competitividade, porém, é muito alto. E não quer dizer que não haja bom futebol. A Juventus é um time tecnicamente muito bom, que consegue fazer bons jogos e tem jogadores com muita capacidade de decisão. É um time que variou o seu jogo, em que o 3-5-2 muitas vezes não funcionou na Europa. É um time mais capaz de segurar adversários fortes, assim como de dominar os mais fracos.

Na terça-feira, quando o time enfrentar o Real Madrid no Juventus Stadium, terá o seu teste mais duro na temporada até aqui. Com tudo que o time fez, é possível acreditar.