Preocupado com o equilíbrio exigido pelo Fair Play Financeiro, o Paris Saint-Germain encontrou outro bom negócio no mercado europeu, depois da contratação de Pablo Sarabia por um preço módico. Nesta quinta-feira, anunciou a chegada de Ander Herrera, ao fim do contrato do meia espanhol com o Manchester United. O jogador de 29 anos cobre duas carências dos parisienses: meio-campo e liderança.

Herrera era tido no Manchester United como um capitão que não usava a braçadeira. Torcedores expressaram o desejo de vê-lo oficializado na capitania como o sucessor de Antonio Valencia, que deixou o clube para a LDU nas últimas semanas. Sobre o assunto, Solskjaer falou que o homem escolhido deveria ser alguém admirado, com os hábitos certos, padrões e personalidade.

Herrera tem esses atributos e seria um candidato natural, caso tivesse chegado a um acordo para continuar em Old Trafford. “Ouvi várias vezes que eu deveria usar a braçadeira em campo, mas eu não preciso dela”, afirmou, em um artigo da ESPN que descreve bem a liderança do espanhol: “Se o Manchester United de Solskjaer é um grupo de amigos saindo à noite, então Herrera é o motorista da rodada, garantindo que todo mundo chegue em casa seguro”.

“Se um dia o time precisar que eu lidere de uma maneira específica, farei isso”, continuou Herrera. “Mas eu não fico maluco com isso. Acho que a melhor coisa é um time que pode ter líderes diferentes em momentos diferentes”. Um desses momentos específicos foi na vitória contra o Chelsea, pela FA Cup. Ao fim do jogo, Herrera dirigiu-se a Alexis Sánchez, em terrível fase desde que trocou de clubes, na Inglaterra, e lhe deu moral à frente das câmeras. E depois disse: “Quero falar sobre Alexis, Andreas (Pereira) e Scott (McTominay), do jeito que eles jogaram. Um jogador de alto nível como Sánchez, o jeito como ele entra lutando, ele joga dessa maneira porque aqui é o Manchester United”.

Disponível por um custo baixo, sem a necessidade de pagar uma taxa de transferências para o Manchester United, o PSG adquiriu um jogador experiente para uma posição carente. Há alguns mercados, o clube francês tenta remendar o meio-campo, com reforços como Lassana Diarra e Leandro Paredes ou improvisações como Draxler e Marquinhos. Herrera não resolve o problema, mas ajuda. Agora, Thomas Tuchel conta com ele, Paredes e Verratti, além do jovem Nkunku.

Até porque Herrera pode fazer várias funções, como disse naquela entrevista à ESPN: “Eu costumava jogar como camisa 10 no Athletic, mas, quando cheguei ao United, um dos maiores clubes do mundo, percebi que para ser camisa 10 eu tinh que marcar 10, 12 gols por temporada. Pensei que tinha que me tornar mais um camisa 8 do que 10, e acho que fiz isso. É por isso que eu joguei 180 jogos pelo clube (terminou com 189) e é por isso que os torcedores gostam de mim e me respeitam. Tive que acrescentar alguma coisa ao meu futebol”.

O Paris Saint-Germain sofreu eliminações dolorosas na Champions League recentemente, contra Barcelona e Manchester United, dois confrontos em que teve muita vantagem e deixou escapar a vaga. Um jogador que corre o tempo inteiro e tem a personalidade de Herrera pode ser importante para evitar que isso aconteça novamente.