Para quem acompanha o futebol de seleções na América do Sul, o sucesso não é grande surpresa. Alejandro Guerra há tempos despontou como um dos protagonistas da Venezuela. No entanto, até 2014 sua carreira permaneceu contida em seu próprio país. Defendeu clubes de peso no cenário local – Caracas, Deportivo Anzoátegui, Mineros de Guayana. Ainda assim, causava surpresa que nenhum time do exterior o tivesse levado. A primeira chance só veio após completar 29 anos, contratado pelo Atlético Nacional de Juan Carlos Osorio. Uma aposta de nenhum risco aos Verdolagas. Hoje, El Lobo aparece como cérebro e grande artífice do time de Reinaldo Rueda. Um dos grandes candidatos a craque da atual edição da Libertadores.

VEJA TAMBÉM: A classificação agônica do Atlético Nacional reforça uma certeza: Te amamos, Libertadores

Guerra é aquilo que se pode chamar de meio-campista completo. Dita o ritmo, ocupa os espaços, avança ao ataque, oferece o combate, dá opção às laterais. Não à toa, tem desempenhado múltiplas funções: entra como volante, como meia, como ponta. Mas sua posição mais frequente tem sido como armador, centralizado. Uma importância e tanto, em um time de vocação ofensiva e de ótimas opções para o ataque, com Ibarbo, Marlos Moreno, Copete, Berrío, Ibargüen. E que também denota o seu ótimo momento, desbancando para a função dois ídolos locais como Macnelly Torres e Sherman Cárdenas.

Entre 2014 e 2015, Guerra já teve seu destaque nas campanhas vitoriosas do Nacional. Era uma peça útil no vice da Copa Sul-Americana, enquanto ganhou espaço no último título do Campeonato Colombiano. Porém, 2016 é mesmo o ano do Lobo. Em sete rodadas da liga nacional, já balançou as redes cinco vezes. E, na Libertadores, se coloca entre os melhores da competição. Seu papel decisivo se evidenciou nas oitavas, quando marcou dois gols na classificação sobre o Huracán. Mesmo assim, abaixo do nível de excelência que demonstrou nesta quinta, no épico contra o Rosario Central.

Guerra começou a partida aberto na meia direita. Contudo, as circunstâncias do jogo levaram Reinaldo Rueda a apostar na versatilidade do camisa 18 – número que, aliás, até parece aludir às capacidades misturadas entre um participativo 8 e um talentoso 10. Recuado mais atrás, como volante, para a entrada de Berrío, o Lobo começou a ordenar a pressão do Atlético Nacional. Apesar da retranca e da catimba do Rosario Central, o venezuelano teve calma para organizar o jogo. Mesmo precisando do resultado, os Verdolagas conseguiam pensar e construir ótimas jogadas. Assim, Guerra terminou com o segundo gol na vitória por 3 a 1, bem como com o prêmio de melhor em campo – embora, não fosse a expulsão, pela atuação decisiva Berrío talvez fosse o candidato mais lógico.

Em Medellín, Guerra desfruta de um sucesso que não pôde provar na Venezuela. Chegou a declarar em entrevistas que a paixão da torcida do Atlético Nacional foi um dos motivadores para a sua transferência. E agora surge como ídolo. Obviamente, o elenco qualificadíssimo o ajuda. É uma troca permanente: o talento à disposição aprimora o meio-campista, embora sua visão de jogo também permita aos Verdolagas irem além. Ao lado do compatriota Luis Seijas, meio-campista do Independiente Santa Fe, dá importância à Venezuela no cenário de clubes sul-americano. Quem sabe, para botar o país no topo das Américas, nem que seja graças a um protagonista.