Embora planos concretos não tenham sido apresentados, dirigentes do futebol europeu seguem se encontrando em privado para delinear planos de uma superliga, com Florentino Pérez, presidente do Real Madrid, sendo um dos principais nomes a capitanear a iniciativa. E, embora muita gente pudesse presumir que um clube como o Paris Saint-Germain também estaria a bordo da ideia, o seu dono, Nasser Al-Khelaïfi, se mostrou mais inclinado ao outro lado: “O PSG não precisa de uma liga fechada”.

A declaração foi dada por Al-Khelaïfi em entrevista à emissora francesa RMC Sport, comentando os resultados financeiros do PSG, que apareceu bem colocado em dois rankings de clubes mais ricos do mundo, incluindo o tradicional Football Money League, da Deloitte.

“O PSG já garantiu grande parte das suas receitas, e não precisamos de uma liga fechada para continuar o nosso trabalho. Ainda temos muitas oportunidades para aumentá-las e fortalecer a influência do clube no mundo”, afirmou Al-Khelaïfi, ao ser perguntado se valeria a pena participar de uma superliga europeia para sustentar os ganhos atuais.

O PSG ficou em 5º lugar no ranking da Deloitte de equipes que mais tiveram rendimentos na temporada 2018/19, com € 635,9 milhões arrecadados, em comparação com € 541,7 milhões no ano anterior. O salto se deveu principalmente ao crescimento na renda comercial, com os parisienses assinando com novos parceiros e renovando outros contratos.

“Desde a aquisição do clube, implementamos uma estratégia para aumentar todas as fontes de renda de forma significativa. Soubemos tornar o Paris Saint-Germain uma marca mundial extremamente atrativa, vanguardista e que ouve seus fãs. É isso que nos permitiu assinar os contratos mais importantes da história do clube, com a Nike e a Accor, e ter um total de 14 novos parceiros em 2019”, destacou o presidente do clube à RMC Sport.

O objetivo do PSG, agora, é ter um crescimento sustentado, a partir de inovações. “Estamos muito atentos às tendências, para entender bem as necessidades dos consumidores e as tecnologias que os satisfazem”, explicou Al-Khelaïfi.

O clube soube fazer exatamente isso ao, por exemplo, fechar a parceria com a Jordan para lançar uma linha de roupas, incluindo uniformes de jogo, em um momento em que futebol e moda streetwear se uniam como nunca antes, impulsionando sua marca globalmente. Um esforço que passa também por uma maior presença em todo o mundo.

“Abrimos escritórios em Nova York, Cingapura, Xangai, Tóquio e Doha, que desempenham um papel importante no crescimento e desenvolvimento do clube. Mais de 13 mil crianças jogam com a camisa da PSG, em nossa rede da PSG Academy”, comemorou o presidente.

O posicionamento de Nasser Al-Khelaïfi é uma agradável surpresa em meio à discussão sobre uma superliga. Algumas prateleiras acima do restante da Ligue 1 em termos financeiros – e, portanto, esportivos –, o Paris Saint-Germain poderia perfeitamente estar entre as equipes interessadas na reformulação tão desejada por Florentino Pérez. Com todo o dinheiro que Catar tem disponível, fica, sim, um pouco mais simples descartar tal ideia, mas não é como se o Real Madrid, segundo clube mais rico do mundo segundo o mesmo ranking da Deloitte, precisasse disso.