Se a bolada referente à Liga dos Campeões impulsiona os clubes das grandes ligas que participam do torneio a partir da fase de grupos, o impacto deste montante é ainda maior nos países médios e pequenos da Europa. Injetar os milhões de premiação e direitos de TV em sua conta pode ser o suficiente para criar uma hegemonia, a partir da disparidade econômica – os sucessos de times como Bate Borisov e Apoel Nicósia, por exemplo, são geralmente alimentados por uma bola de neve, em ligas cujas receitas dos concorrentes são bem menores. Na Holanda, entretanto, o senso coletivo pode prevalecer. Ajax, Feyenoord e PSV propuseram doar ao menos 10% de todo o dinheiro arrecadado com a participação nas competições europeias para outros clubes da Eredivisie.

Na última segunda-feira, aconteceu uma reunião importantíssima na Holanda. Os clubes se sentaram para discutir os rumos da liga e maneiras para desenvolver o futebol local. E a proposta do trio de ferro vai justamente nesse sentido, tentando fortalecer em conjunto o campeonato nacional. Conforme a apuração do ADSportwereld, ao menos €10 milhões adicionais podem ser oferecidos através da iniciativa, considerando o desempenho de Ajax e PSV na Liga dos Campeões até o momento. Em contrapartida, as forças locais também fazem uma exigência. Pedem que os gramados sintéticos sejam abolidos na primeira divisão. O dinheiro redirecionado serviria para criar um fundo coletivo à mudança.

A grama sintética é uma alternativa principalmente a clubes pequenos do Campeonato Holandês. Diante das condições climáticas, eles preferem a adoção deste tipo de piso para reduzir os custos de manutenção dos estádios – elevados pelos cuidados necessários com a grama natural. Contudo, há um debate que se desenrola há meses sobre a questão. Uma das reclamações frequentes é sobre as implicações que isso traz no nivelamento de disputa e na qualidade do jogo. Todavia, há pontos ainda mais sérios, como a propensão às lesões ou mesmo a presença de substâncias cancerígenas no material sintético. Inclusive, a queda de braço quanto aos gramados artificiais também emperrou as discussões sobre a própria distribuição do dinheiro dos direitos de TV na Eredivisie. Em partes, é uma oferta de conciliação do trio de ferro, que seria posta em prática já a partir de 2019/20.

Além da divisão do dinheiro da Uefa, as mudanças podem ir além na Eredivisie. Também foi apresentada uma proposta para mudar o formato da competição. Na nova ideia, a liga passaria a contar com 16 times, e não mais 18. Além disso, haveria uma fase de playoffs na reta final, aumentando os confrontos de peso entre as equipes maiores. Os projetos serão estudados, até a definição sobre o futuro da competição. A votação está prevista para meados de novembro, enquanto a “Eredivisie 2.0” sairia do papel em 2020/21.


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