Ajax, Feyenoord e PSV ainda são o Trio de Ferro holandês, é verdade. No entanto, se é necessário pegar um clube que simbolize os momentos do futebol batavo nos últimos tempos, este é o AZ. Tanto na época de desânimo interno, quanto pelo ligeiro crescimento que se vê atualmente. Tome-se, por exemplo, a temporada 2008/09: beneficiado pelas crises internas dos grandes, aparentando crescimento interno (turbinado pelo investimento do banco DSB, propriedade do então presidente Dirk  Scheringa) e tendo um time sólido, verdadeiro exemplo de eficiência, o clube de Alkmaar brilhou e conquistou o título holandês.

Tudo isso, para ter uma dura queda de volta à realidade, causada por diversos fatores: a saída de Louis van Gaal, a falência do DSB (e, por tabela, a saída de Dirk Scheringa da presidência do clube), a má campanha na Liga dos Campeões… desde  então, o clube teve de se readaptar à nova situação. Que, na verdade, era a comum: uma equipe média, que conseguira perturbar os grandes (e, mesmo, destroná-los) graças a uma reestruturação interna. E foi ela que levou o AZ de volta à boa situação atual, como um dos principais candidatos ao título holandês.

E já estava de ótimo tamanho para os Alkmaarders. Ainda assim, aos poucos, a participação na Liga Europa foi crescendo. Ainda que fosse uma suposição até razoável antes do jogo, eliminar o Anderlecht, time de melhor campanha na fase de grupos, era um ótimo augúrio. Segurar a pressão da Udinese, nas oitavas, foi ainda melhor. E, após vencer o jogo de ida contra o Valencia, nas quartas de final, a esperança de conseguir deter a pressão dos Ches em pleno Mestalla era grande – e tinha razões para isso.

Não foi possível: os dois gols de Rami, praticamente em sequência, decretaram a impossibilidade de repetir a campanha de 2004/05, comandada por Co Adriaanse. O 4 a 0 deixou claro que, por melhor que esteja, o AZ ainda tem certo limite de desempenho. Ainda assim, os desafios continuam. Até porque, no final de semana passado, notou-se certo nervosismo no time contra o Vitesse. O que pode explicar o 2 a 2 – e a perda da liderança para o Ajax.

Por um lado, isso é ruim – afinal de contas, ainda há duelos contra Twente e PSV. Por outro, cada uma das próximas seis rodadas serão um desafio admirável para a equipe de Gertjan Verbeek sem dúvidas, um dos grandes técnicos atuando na Holanda, hoje, sabendo tirar o máximo de times medíocres. Além disso, há atletas como Esteban, Martens, Maher, Moisander, Altidore… todos jogadores que cresceram de desempenho em 2011/12. O que resultou numa equipe sólida. Que não pode desmoronar apenas por uma jornada infeliz contra os valencianistas.

Um começo tenso

Jason Voorhees, Chucky, Freddy Krueger, Hannibal Lecter… o cinema está cheio daqueles casos de psicopatas, monstros ou assassinos que retornam sucessivamente. Pois é: o Anderlecht parece ser assombrado pelo espectro da queda de desempenho nos momentos finais. Foi assim em 2010/11, quando o time permitiu a chegada do Racing Genk no final da fase regular do Campeonato Belga – e perdeu o fôlego em definitivo no hexagonal decisivo.

E começou assim no último fim de semana. Os Mauves foram surpreendidos por um Kortrijk esforçado, e arrancaram empate por 2 a 2, a duríssimas penas. Já o vice-líder Club Brugge abriu a fase decisiva da Jupiler League de modo absolutamente inverso: um 3 a 0 indubitável sobre o Racing Genk. Resultado: a diferença, que caíra naturalmente para três pontos após a divisão entre a primeira fase e o hexagonal, foi baixada para apenas um.

Pior: o time de Ariël Jacobs enfrentará, neste final de semana, um Standard também necessitado de reação, após dura derrota para o Gent, na primeira rodada. Ariël Jacobs definiu bem: “É o encontro de dois leões feridos.” De fato, o Anderlecht necessita de um triunfo rápido. Até para matar o retorno do fantasma no nascedouro, após o princípio tenso.

Esperando um final feliz

A cidade de Almelo está mobilizada – 18 mil torcedores viajarão a Roterdã para ver a partida. Os jogadores, idem – o capitão Antoine van der Linden disse que “um título assim é como tatuagem, as lembranças nunca mais vão lhe deixar”. O próprio técnico, Peter Bosz, reconheceu que a final da Copa da Holanda é “o jogo do século” para o clube. De fato, é o que parece: conquistar a primeira KNVB Beker de sua história representará o paraíso para o Heracles Almelo.

Não que o título a ser decidido neste domingo, no De Kuip, não seja importante para o PSV. Os Eindhovenaren não reclamariam de conquistá-lo – até porque seria o primeiro título do clube em três anos. No entanto, os Heraclieden representam um time médio- pequeno, que subiu para a Eredivisie em 2004/05, após 18 anos, e faz campanhas boas há apenas duas temporadas.

Além disso, a classificação para a decisão veio apenas numa prorrogação  disputadíssima contra o AZ. E a partida representa um fim de ciclo para alguns atletas – como o zagueiro Tim Breukers, já acertado com o Twente para a próxima temporada. Ou, então, é a chance de afirmação para os que já vêm bem, como Willie Overtoom, Darl Douglas, Samuel Armenteros e o brasileiro Everton. O que é unânime é que levantar a taça (que seria entregue pelo presidente da empresa patrocinadora do clube – no caso do PSV, quem a daria ao capitão seria Hans van Breukelen) seria um ponto alto nos 109 anos de vida do Heracles.