A Líbia ainda convive com as marcas deixadas pela guerra civil ao longo dos últimos meses. O país do norte da África vive um período particularmente turbulento desde fevereiro de 2011, quando parte da população se levantou contra a ditadura de Muammar Gaddafi. O conflito resultou na morte do governante em outubro daquele ano, abrindo o caminho para a instalação da democracia e das primeiras eleições. Uma estabilização gradual, ainda com insurgências, mas que também começa a ter seus reflexos no futebol.

Enquanto o país ainda vivia o processo de redemocratização, a seleção líbia abraçou a causa. Sob a bandeira dos revolucionários, a equipe se classificou à Copa Africana de Nações de 2012 e disputou o torneio na Guiné Equatorial. Agora, os Guerreiros do Mediterrâneo já podem voltar para casa. Nesta quinta-feira, depois de mais de dois anos de exílio, a Fifa permitiu a realização de partidas internacionais no país.  A reestreia deve acontecer em junho, quando o time recebe a República Democrática do Congo pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2014.

A abertura já tinha sido sinalizada no último mês, quando a Confederação Africana de Futebol permitiu que os líbios disputassem jogos de torneios continentais em seu território. E a reestreia contou com arquibancadas lotadas no Estádio Mártires de Fevereiro, na cidade de Benina. O Al-Nasr não conquistou a classificação para a etapa seguinte da Copa das Confederações Africanas, segundo torneio mais importante do continente. Ficou o gosto amargo, ainda que a sensação de liberdade fosse maior.

O Campeonato Líbio permanece inativo desde a temporada 2010/11, quando foi interrompido por causa da guerra civil. Com a abertura esportiva, no entanto, renascem as esperanças de que a competição possa ser retomada em breve. Enquanto isso, a torcida se concentra em apoiar a seleção, já que os dois times do país que entraram nas competições continentais foram eliminados nas preliminares.

Treinada por Abdulhafeedh Arbeesh, a equipe nacional sonha com a classificação para a Copa. Mas deve ter trabalho para conseguir a vaga. O time é o segundo colocado do Grupo I, que também conta com Camarões, República Democrática do Congo e Togo. Os Guerreiros do Mediterrâneo precisam avançar na liderança da chave e, depois disso, têm que enfrentar um mata-mata para se garantir no Mundial.

Como empecilho, está o fato de que a maior parte do elenco da seleção ainda está vinculada aos clubes do país, sem ritmo competitivo. Ao menos o governo espera dar impulso a mais ao esporte no país, investindo US$ 314 milhões na construção dos estádios. Prevista como sede da Copa Africana de Nações de 2013 e substituído pela África do Sul, a Líbia quer receber o torneio em 2017.

“Assim como Nelson Mandela unificou a África do Sul, queremos unir a Líbia através dessa copa. Iremos iniciar as obras em junho e queremos construir 11 estádios”, declarou Awad Ibrahim Elbarasi, presidente da Câmara dos Deputados da Líbia. Para o político, receber a CAN será um incentivo aos investidores. E também uma prova de que a vida da população recuperou a tranquilidade.