Estamos no dia 29 de fevereiro. Logo entraremos naquele mês que Tom Jobim escreveu, em um dos seus clássicos: “São as águas de março fechando o verão”. Sim, o verão acaba em março, os estaduais ainda estão na metade e, aqui em São Paulo, o que vemos são os quatro grandes paulistas jogando bem pouco futebol. Cada um com problemas diferentes e próprios, mas o que é impressionante é que nenhum consegue ser razoavelmente convincente. Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos parecem ainda estar longe do que podem render, longe do que seus torcedores gostariam, longe do alto nível que precisam se quiserem os títulos importantes do ano.

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Ainda é começo do ano, são poucas rodadas dos estaduais e nós mesmos, jornalistas, torcedores, apaixonados por futebol em geral, costumamos dizer que o estadual não é o mais importante do ano, não deveria servir para avaliar a força dos times. É verdade. Os estaduais, infelizmente, tornaram-se irrelevantes e um estorvo, mais do que um prazer. Mesmo assim, o que preocupa é que os times estão jogando muito pouco e os jogos começam a ficar agudos, por exemplo, na Libertadores, que o trio de ferro paulistano disputa.

O Corinthians é quem tem menos a se preocupar. Não pelos resultados, que tem saído também por um pouco de sorte. A questão é que o Corinthians tem alguma organização, um jeito de jogar mais claro. O futebol não convence. Individualmente, os jogadores também estão bem distantes do que se espera deles. O time tem um jeito de jogar claro, os jogadores parecem se esforçar para fazer com que o time funcione. Mesmo não jogando bem, arrancando gols milagrosos no final contra Cobresal, Ferroviária, São Bento e Oeste, o Corinthians parece ter alguma esperança de melhorar. O futebol continua ruim. O time, porém, é organizado. De qualquer forma, se espera que o time jogue mais.

O Santos, um dos times que mais joguou bom futebol em 2015 depois do próprio Corinthians, também está demorando para engrenar. O time ainda não conseguiu ter o mesmo desempenho do ano passado e sofre, ainda, com a perda de Marquinhos Gabriel, que terminou o ano jogando muito bem, e Geuvânio, reserva imediato e que tinha tudo para voltar a ser titular em 2016. Os dois deixaram o clube. Ricardo Oliveira ainda parece devagar. Lucas Lima, o craque do time, está devagar. A vitória por goleada no meio da semana foi um alento, mas o time parece não conseguir render. O jogo contra o Palmeiras, na semana anterior, também foi bastante fraco.

O São Paulo viu uma melhora em relação a 2015 em termos de organização. O time parece se defender um pouco melhor. Um pouco, porque ainda comete muitas falhas que comprometem o time. Além disso, continua com o mesmo problema ofensivo: cria pouco e não aproveita as raras chances de gol que tem. Os jogos do São Paulo são normalmente arrastados, quase não se vê uma jogada trabalhada. Os resultados do São Paulo estão ruins, mas pior do que isso é o desempenho em campo. Mesmo mais organizado que em 2015, o que o São Paulo mostra em campo não dá perspectiva de melhora. E eis aí o problema para pensar no dia 10 de março, quando o time terá o próximo jogo importante: contra o River Plate, na Libertadores.

O Palmeiras vem jogando de uma forma bem preocupante. A torcida se preocupa e critica o técnico Marcelo Oliveira, não sem razão. Em 2015, sob o comando do técnico, o Palmeiras teve poucos momentos de bom futebol. O início foi promissor, especialmente pelas seis vitórias seguidas no Brasileirão. Só que o futebol não foi melhorando, não se desenvolveu.

O que se viu foi um time com problemas na saída de bola que ainda não foram resolvidos. Um time que usa (e abusa) da bola aérea, que tem dificuldade para criar jogadas quando tem a posse de bola. Enfim, um time sem ideias. Com o elenco que tem, poderia e deveria render mais. Não rende. E, assim como no caso do São Paulo, os resultados são ruins, mas o futebol é ainda pior.

O começo de ano, até aqui, é muito ruim para todos os paulistas. Não significa que no fim do ano um deles não possa estar jogando bem. Há muito a se jogar ainda. A questão é: com a pré-temporada, com os times trazendo reforços, o que falta para que o futebol comece a ser melhor? O que se espera no começo do ano não é que o time esteja voando, mas que ao menos dê sinais de bom futebol. Até aqui, o máximo que vemos para elogiar é a organização de um ou de outro, um ou outro brilho individual em jogos esporádicos. No mais, se falarmos de bom futebol, só podemos pensar em São Bento, em Ferroviária…


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