Michel Platini receberá um novo mandato como presidente da Uefa em março, no congresso geral da entidade. Não terá concorrência ao cargo. O prazo para inscrições de candidatos se encerrou na noite do dia 24 de dezembro e não houve nenhum interessado. A decisão de permanecer em seu cargo na Uefa veio depois da confirmação que Joseph Blatter será, mais uma vez, candidato à presidente da Fifa, também em 2015. Platini esperava ser o sucessor do suíço. Ainda pode ser, mas não em 2015. Terá que se conformar com mais um mandato à frente da Uefa, onde ele já se envolveu em polêmica, mas que também tomou medidas que foram elogiadas. A figura do francês é controversa.

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Platini sabe que não teria chances contra Blatter na Fifa. Contava justamente com o apoio do atual presidente para se eleger. Uma troca de favores pelo apoio em 2011, quando o suíço foi até Platini e pediu o apoio da Uefa na eleição, que tinha, no começo, a concorrência de Mohamed Bin Hammam. O catariano, que também era parte importante da campanha pela Copa do Mundo de 2022 no Catar, queria ser o dirigente da Fifa. Não conseguiu, porque foi derrubado. Corrupção. Foi pego comprando votos.

Curiosamente, caíram diversos dirigentes da Fifa, como Jack Warner, com quem Bin Hammam tratava da compra de votos para a eleição no Caribe. No recente relatório sobre os candidatos à sede das Copas de 2018 e 2022, nada apareceu sobre corrupção ou compra de votos. Tudo que apareceu foi relacionado à compra de votos para a eleição presidencial de 2011. Isso, claro, no sumário publicado pela Fifa, contestado imediatamente pelo chefe da investigação, Michael Garcia, que diz que o relatório – que ele escreveu! – teve várias partes importantes omitidas no documento divulgado.

Platini, na Uefa, entendeu que o futebol é feito de política. Manter-se um dirigente importante é, antes de tudo, um jogo político. Isso não é um problema por si. A política é necessária para a vida em sociedade. A questão é como se administra isso. Platini cometeu muitos erros, muitas vezes se igualando a dirigentes que ele mesmo combateu para chegar ao poder. Basta lembrar que o francês é um dos principais embaixadores da campanha do Catar pela Copa de 2022, foi um dos articuladores para que os catarianos comprassem o Paris Saint-Germain e teve denúncias do seu filho com um cargo na Qatar Investment Authority, entidade do governo do Catar que faz os investimentos no PSG e nas empresas petrolíferas do país, por exemplo.

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Um ponto polêmico da gestão de Platini na Uefa foi a mudança na Eurocopa. Primeiro, aumentando o número de participantes de 16 para 24 times. Depois, tirando a sede fixa de 2020. A mudança tem a ver com o fato de países europeus estarem em crise e sediar um evento como esse gera problemas, porque é caro – e isso foi visto com clareza na Eurocopa de 2012, dividida entre Ucrânia e Polônia. Mas também é uma enorme oportunidade de fazer uma Eurocopa com várias sedes e agradar várias federações nacionais ao mesmo tempo.

Outra medida foi a mudança nas fases preliminares da Champions League. A partir da temporada 2009/10, os times nas fases preliminares, ou seja, que não tinham vaga direta na fase de grupos, passaram a ser divididos em campeões e não campeões. Foram as chamadas rota dos campeões, que envolvia só os campeões nacionais que não tinham vaga direta e a rota da liga, com os times que se classificaram sem serem campeões dos seus países. Platini justificou que esta era uma forma de ser fiel ao nome do torneio, Champions League. Afinal, na prática os times de ligas mais fortes que entram na última fase preliminar teriam que jogar entre si. Isso gerou diversas acusações de politicagem de Platini, mas a medida não teve implicação de fato no nível técnico do torneio, como se acusou.

Uma medida muito elogiada da sua gestão é o Fair Play Financeiro. Os clubes passaram a ter um limite de gastos. Explicamos o que é o Fair Play Financeiro aqui e fizemos outras matérias falando sobre o Fair Play Financeiro. Uma medida que ainda precisa ser acertada, aprimorada e, evidentemente, precisará ser rígida para funcionar, mas parece evidente que é uma boa medida. Basicamente, diz para os clubes só gastarem o que arrecadam.

Platini desistiu de concorrer à presidência da Fifa em 2015. Mas é de se imaginar que, aos 59 anos, ele mantenha os planos de dirigir a Fifa. Em 2019, não terá a concorrência de Blatter e deve ter caminho aberto. Ao menos é isso que ele parece esperar.

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