O centroavante Aílton teve uma trajetória inconstante no começo de sua carreira, sem se firmar no futebol brasileiro. Rodou por diferentes clubes, até conseguir destaque no Guarani, que o projetou rumo ao Tigres do México. No entanto, foi a partir de sua chegada à Alemanha que o “Queixada” se notabilizou como um verdadeiro goleador. O atacante está entre os grandes ídolos do Werder Bremen e marcou época no clube, acumulando tentos no início do século. Nenhuma temporada seria mais espetacular, aliás, que a de 2003/04: com 28 gols em 33 jogos, o paraibano foi campeão, artilheiro e eleito o melhor jogador da Bundesliga. Também faturaria dois títulos da Copa da Alemanha com os Verdes.

Em fim de contrato na época, Aílton já tinha assinado com o Schalke 04 e se mudou a Gelsenkirchen logo após viver sua temporada arrebatadora. Fez um ano satisfatório com os Azuis Reais, antes de iniciar uma caminhada por diversos países. Jogaria em Turquia, Sérvia, Suíça, Ucrânia, Áustria e China, além de passar por Campinense e Rio Branco no Brasil. Aposentou-se em 2011, podendo se gabar da campanha em que implodiu a Bundesliga com seu faro de gol e sua presença de área. Formou uma dupla histórica ao lado de Ivan Klasnic, municiados pelo francês Johan Micoud na armação.

Aos 46 anos, Aílton lembra com carinho de seu auge. Reconhece que gostaria de ter sido chamado pela seleção brasileira no período, mas também não nega que as dificuldades eram imensas pela concorrência pesadíssima. “O Brasil sempre teve jogadores muito bons para a Seleção e muitos bons atacantes. Especialmente no meu tempo, havia vários jogadores de alto nível. Mas, é lógico, tenho um pouco de tristeza por nunca ter sido chamado, principalmente quando tive meu melhor momento no Werder Bremen. Mas era muito difícil conseguir um lugar na Seleção”, contou o veterano, em entrevista ao site de apostas online Betway.

Quase uma década após a sua aposentadoria, Aílton Queixada vê diferenças no futebol. E avalia que, em seu tempo, havia mais liberdade para se arriscar as jogadas: “No passado, os jogadores atuavam mais com o coração. A técnica mudou muito. Antes, as estratégias eram implementadas no campo, mas agora os jogadores têm mais medo de arriscar e completar as jogadas. Eles só precisam jogar com um pouco mais de atrevimento”.

Na Alemanha por sete anos consecutivos entre 1998 e 2005, além de retornos esporádicos, Aílton acompanhou as transformações do futebol local. Viu as dificuldades enfrentadas no início do século, com fracas participações da seleção alemã na Eurocopa, que moldaram o projeto de renovação culminando no tetracampeonato mundial em 2014. Para ele, a mentalidade seria lapidada desde então, já no impulso que se viu em 2006: “A Alemanha sempre teve um futebol muito bom. Quando você vai mal em uma competição, como na Eurocopa de 2004, libera energia para a próxima”.

Aílton somou 106 gols em 219 partidas pela Bundesliga, além de 36 assistências. Somente com o Werder Bremen foram 88 tentos. É o quinto maior artilheiro do clube na história da liga, apenas 21 gols atrás do líder, Claudio Pizarro. Além disso, neste século, apenas três jogadores conseguiram superar sua marca de 28 gols em uma só temporada na Bundesliga – Robert Lewandowski, Pierre-Emerick Aubameyang e Klaas-Jan Huntelaar.