“Ah, é Celso Barros!”.

Fim de jogo entre Fluminense e Palmeiras, confirmado o título carioca, os primeiros gritos carregando o nome do homem forte da parceira tricolor se fazem ouvidos em Presidente Prudente. Algo que se tornou comum ao longo dos anos, numa situação fortalecida a partir do vínculo entre Celso e os jogadores e que deixa clara a importância que a Unimed assumiu nas Laranjeiras desde a sua chegada, com a equipe agonizando na Série C.

Ainda hoje, nos corredores do time, existe alguma tensão na relação com a patrocinadora. Um conflito explicado basicamente a partir da divergência de políticas de cada um no mercado. Não é difícil entender. O Fluminense olha para fora e vê nomes com potencial para crescer à sombra de seus destaques e gerar dividendos mais adiante. A Unimed, por sua vez, concentra o seu olhar em craques já consagrados, que possam catapultar a sua marca.

Faltava alguém que equilibrasse essa equação. Faltava Rodrigo Caetano. O ex-dirigente do Vasco foi trazido pelo Flu com status de grande contratação. É o cara que faz atualmente a ponte entre os desejos da patrocinadora e o clube. Nem sempre consegue.

Na semana passada, conversando com um cartola tricolor, cheguei a ouvir falar na “existência de dois times”. O time da Unimed e o time do Flu. Não exatamente com o sentido negativo que uma expressão assim dá. Mas tentando transmitir a ideia de que o Fluminense se mexe para reduzir o poder de influência da empresa em seu futuro. E não deixa de ser verdade.

O time de Diego Cavalieri, Deco e Fred é também o time de Wellington Nem, Samuel e Marcos Junio. A garotada ganha espaço, vê o trabalho de formação alcançar o exterior e ser internacionalizado com parcerias em outros centros. Xerém abastece hoje a equipe de cima e os cofres. A diversificação de receitas abriga ainda uma mudança estatutária que traz os sócios-torcedores para dentro do clube, num projeto que já vinha se desenhando com a aproximação entre o time e os tricolores de outras cidades.

O Fluminense mira alguns exemplos do mercado para crescer. Na organização interna do São Paulo, no plano de sócios do Inter, na estrutura do Grêmio. Não precisa fazer o mesmo dentro de campo. Pode não ter enchido os olhos durante o Brasileirão, mas venceu o campeonato com sobras. Em conversa com o blogueiro algum tempo atrás, Deco falou um pouco a respeito do segredo tricolor.

“A gente está sempre jogando e aí é um mérito do Abel (Braga). Além de ter um elenco bom, é um mérito do treinador conseguir em momentos difíceis fazer o time vencer mesmo quando ‘ah, não jogou tão bem’, mas conseguiu manter coisas que outros times têm dificuldade. O exemplo do Vasco. Perdeu quatro, cinco jogadores, saíram alguns, outros se machucaram e o time cai. A gente, não. Em alguns momentos, não jogamos um futebol tão espetacular, mas conseguimos vencer. Acho que isso é importante para dar condições de brigar sempre”, explicou o meia.

Mais uma vez, não é difícil entender o que se passa nas Laranjeiras.

Ah, é Fluminense! Parabéns, tricolores.