O Lanús possui uma história respeitável nas competições sul-americanas, mas nas secundárias. Conquistou a antiga Copa Conmebol em 1996 e reviveu sua maior glória na Sul-Americana de 2013. Desde o final da última década, os grenás também se tornaram um dos clubes argentinos mais frequentes na Libertadores. Montaram bons times, sem confirmar sua força no torneio. Nas cinco participações anteriores, caíram duas vezes na fase de grupos, outras duas nas oitavas e, no máximo, chegaram a ser quadrifinalistas em 2014, eliminados pelo Bolívar. Para 2017, os argentinos voltavam como campeões nacionais e um dos favoritos entre seus compatriotas. Mais do que isso, com um elenco cheio de jogadores experientes, que atravessaram parte das campanhas anteriores. E que, no fim das contas, levam o clube mais longe do que nunca. Após a vitória nos pênaltis sobre o San Lorenzo, o Lanús está nas semifinais da Libertadores. Enfrentará o River Plate.

O cenário não era simples ao Lanús. No jogo de ida, os grenás perderam para o San Lorenzo por 2 a 0, sem oferecer muita resistência no Nuevo Gasómetro. Mais do que a virada, precisavam de uma nova postura em La Fortaleza. Empurrados por sua torcida, conseguiram mudar seu destino. Foi um verdadeiro jogaço, com boas chances para as duas equipes e muita intensidade. No entanto, os 30 minutos iniciais acabaram sendo decisivos. Justamente quando os anfitriões foram vorazes e abriram vantagem.

O primeiro gol saiu logo aos 10. Uma sobra de bola dentro da área, após erro de Juan Mercier, caiu nos pés de José Sand. Mesmo com o goleiro Nicolás Navarro saindo para fechar o ângulo, o artilheiro teve sangue frio para fuzilar a parte superior das redes, abrindo o placar. O tento empurrou o Lanús, sufocando o San Lorenzo. E, criando mais oportunidades, o time da casa chegou ao segundo tento num lance de sorte, aos 16. Após cobrança de escanteio cheia de efeito, Nicolás Pasquini desviou sem ângulo, mandando a bola no cantinho. Tudo indicava uma vitória contundente do Lanús. Navarro faria grande defesa na sequência, antes que Sand soltasse uma bomba no travessão.

O San Lorenzo demorou a acordar. O Ciclón começou a sair um pouco mais para o ataque nos 15 minutos finais da etapa inicial. E também teve sua bola no travessão, em chute de fora da área de Fernando Belluschi que pegou Esteban Andrada desprevenido, encobrindo o goleiro, mas salvo por um triz. O Lanús se resguardou um pouco mais, dando espaços aos cuervos. Mas nada que voltasse a movimentar o placar.

Já no segundo tempo, o jogo ficou completamente aberto. O San Lorenzo trabalhava mais no campo de ataque, enquanto o contragolpe se transformava em uma boa alternativa ao Lanús. Diante da pressão inicial do Ciclón, Andrada começou a se forjar como herói, fazendo boas defesas. Do outro lado, Navarro voltaria a trabalhar bem aos 30, em bomba de Leandro Maciel. Ainda assim, os azulgranas foram superiores na etapa complementar, sobretudo nos últimos minutos. Esbarraram novamente em Andrada e na falta de pontaria. A defesa grená se esforçou bastante para segurar a vantagem. Para forçar ao menos os pênaltis.

Já na marca da cal, impressionou a confiança do Lanús nas cobranças. O técnico Jorge Almirón apostou em quatro batedores rodados, que combinaram força e precisão nos chutes. E a frustração do San Lorenzo se desenhou logo em sua segunda penalidade, quando Andrada buscou o chute de Matías Caruzzo. Já no último arremate, a responsabilidade nas costas do capitão Nicolás Blandi era imensa. Precisava fazer e torcer para um adversário desperdiçar. O atacante já tinha convertido um penal no jogo de ida, com a bola rolando. Mas desta vez bateu muito mal, parando nas mãos de Andrada, que definiu a vitória por 4 a 3.

O Lanús possui vários jogadores interessantes, nomes célebres do clube e do futebol argentino. Max Velázquez, Lautaro Acosta, José Sand e Alejandro Silva são alguns dos mais tarimbados, com Germán Denis ainda figurando no banco de reservas. Neste aspecto, não ficam devendo em nada ao River Plate – que, todavia, possui um conjunto mais completo. Além disso, o time de Jorge Almirón possui ótimo encaixe, que permitiu atuações bastante consistentes nesta Libertadores. A campanha não é tão uniforme e os grenás passaram dificuldades nas noites mais apagadas. De qualquer forma, o que já fizeram até o momento foi suficiente para um desempenho inédito. Não será agora que abrirão mão de sua luta. Entre os cenários possíveis, talvez seja o pior adversário que os Millonarios poderiam encontrar: uma equipe cascuda e que, em partes, vive a última chance de coroar uma geração.