Segundo os documentos revelados pelo Football Leaks, Andrea Agnelli é um dos principais mentores da Superliga Europeia. O presidente da Juventus articularia nos bastidores a iniciativa pelo torneio, que suplantaria a Liga dos Campeões e limitaria a elite do futebol europeu em um seleto grupo de agremiações. Após a divulgação do material, Agnelli e outros dirigentes graúdos trataram de desmentir a ideia, reforçando o compromisso de renovar a Uefa. Ainda assim, soa como ironia que o Ajax, um clube histórico excluído da tal Superliga, tenha eliminado a Velha Senhora de forma tão categórica na Champions. Após a classificação dos holandeses, o cartola deu o braço a torcer e exaltou o belíssimo projeto dos Godenzonen.

“Meu trabalho é estar presente em certos momentos e fazer avaliações gerais. O Ajax mereceu totalmente a classificação. É um clube que trabalha em ciclos e este começou há alguns anos. Eles mereceram, não apenas por uma partida, mas pelos dois confrontos. Logicamente, esta é uma competição que meia hora de bom futebol pode fazer a diferença entre a conquista e a eliminação. Mas eles causaram grandes problemas para o Bayern, eliminaram Real Madrid e Juventus”, declarou o presidente, à Sky Italia.

“Precisamos tirar nossos chapéus. Como torcedor, logicamente há decepção com a derrota, mas por vezes você precisa aceitar que o adversário faz uma temporada extraordinária e devemos ter a humildade para elogiá-los. Eles são uma reminiscência do Monaco de alguns anos atrás. Esta é a natureza do Ajax, veremos o que acontece em alguns anos, se esses rapazes seguirem no clube ou saírem. Há jovens honrando a camisa de um clube que possui um enorme peso no cenário continental e na história do futebol europeu. O Ajax não será o favorito na semifinal, mas são candidatos genuínos ao título”, complementou o dirigente.

Agnelli também destacou a competitividade da Juventus ao longo dos últimos anos, voltando a ter relevância na Champions: “Ao mesmo tempo, sabemos que nos últimos cinco ou seis anos tivemos uma presença estável nas quartas de final da Champions e queremos seguir progredindo. Estamos próximos de conquistar o oitavo Scudetto consecutivo e isso é extraordinário. A Juventus estava no 43° lugar no Ranking da Uefa e agora ocupa a quinta posição, então temos que avaliar a situação inteira. É verdade que a Juventus era favorita e tinha mais experiência, mas este é o futebol”.

Por fim, o treinador reiterou que Massimiliano Allegri tende a permanecer no clube, a despeito da insatisfação com a falta de evolução do time nos últimos meses: “Falamos no verão que a Champions é um objetivo e será assim a cada temporada. Escalamos um time relativamente novo nesta terça, então ele pode crescer com Allegri no banco. Vamos nos sentar ao final da Serie A e discutir o contrato, como eu havia dito há seis semanas. Temos um clube que garante o futuro e a continuidade da prosperidade para a Juventus”.

O próprio Allegri confirma este desejo. Após a partida, o treinador apontou que as conversas com o presidente são positivas e que há um longo trabalho a fazer. O próximo objetivo será assegurar o octacampeonato da Serie A, antes de pensar na renovação.

“Eu me encontrei com o presidente há alguns dias e ele disse que eu permanecerei na Juventus. Iremos nos sentar com o clube e pensar sobre o futuro. Já tomei minha decisão: tenho um contrato e pretendo ficar. Ainda há muito trabalho a fazer. Se não tivesse motivação, teria dito ao presidente que sairia ao final da temporada. Nestes cinco anos, trabalhamos bem. Muitos jogadores cresceram”, apontou o treinador.

Na mesma linha, Allegri fez questão de exaltar o trabalho do Ajax: “Fizemos um bom primeiro tempo, embora frenético demais quando tínhamos a posse. O futebol é cruel, quando você concede um gol fortuito, o medo se instala. Deveríamos ter outra postura no segundo tempo. O Ajax mereceu totalmente o resultado e a classificação. O jogo de ida foi mais equilibrado que a volta. Estava convencido que teríamos um segundo tempo diferente, mas não foi assim que aconteceu. Temos que dar o crédito ao Ajax por uma atuação extraordinária na volta do intervalo. Não vamos nos esquecer que este time chegou à final da Liga Europa. Nosso problema é que desmoronamos e não tivemos paciência para fazer nosso jogo, considerando as opções que saíram do banco”.

De qualquer maneira, também admitiu o impacto das lesões em seu elenco e não quis colocar uma carga de cobrança extra sobre Cristiano Ronaldo: “Quando você alcança as quartas de final, é melhor ter o máximo de opções no elenco, porque esses confrontos são decididos nos detalhes, nas substituições e nas alternativas no banco. Tivemos vários jogadores com problemas físicos e os dois jogos aconteceram no intervalo de uma semana. Há vários jovens no elenco que precisam jogar e ganhar experiência. Alguns podem ter sentido dois jogos tão grandes no espaço de uma semana”.

“Todo mundo dizia que, com Cristiano Ronaldo, ganharíamos a Champions. Isso não acontece desta maneira, agora vamos deixar de lado e pensar na próxima temporada. Existem outras equipes, não é só a Juventus que ganha. Ronaldo nos deu muito ao longo da campanha, mas você precisa de cada jogador quando alcança as quartas de final. Sempre disse que, para vencer a Champions, você precisa chegar em bom nível e boa forma às fases finais. Estamos em uma situação de emergência há algum tempo e isso não se sustentou”, finalizou o técnico juventino.