África

Uma nova era

 Camarões tem que agradecer pelo fim da Copa. E recomeçar. Recomeçar de novo. Sim, porque não dá para seguir com um elenco tão desunido como foi na África do Sul. Está em jogo o futuro do país. Uma nova geração está chegando – e esse é o grande legado que Paul Le Guen, demitido, deixa – e os veteranos não podem atrapalhar mais uma vez a equipe.

Alexandre Song é candidato a conduzir esse processo de renovação. Antes do jogo contra a Holanda, nesta quinta-feira, foi ele o responsável por conceder a entrevista mais contundente, em que indicava as razões para outro fracasso camaronês em Mundiais – e que, como sinal de seu amadurecimento, não passavam pela sua exclusão do time na estreia.

Ou seja, Song não advogou em causa própria, o que em se tratando de um ambiente tomado por egos pode se provar fundamental para que os Leões Indomáveis – que, mais do que nunca, fazem hoje jus ao apelido – façam valer a expectativa que passou a rodear o país depois de sua participação em 1990.

As peças para isso existem. Algumas já estavam no grupo, enquanto outras foram trazidas com Le Guen. Figura quase sempre nula em campo – nos bastidores, costuma ser ativo –, Samuel Eto’o ainda tem mais alguns anos com o time e pode também colaborar nesse trabalho. Nunca lhe faltou comprometimento, mesmo em momentos em que nomes como Roger Milla o colocam em dúvida. Faz parte. Determinados jogadores, depois que deixam os gramados, parecem não saber o que falam. É o caso.

Diante da Holanda, não havia muito o que fazer. Camarões tentou uma despedida digna. Não conseguiu. Em seu retorno à Copa, sai sem sequer uma vitória. Poderia fazer mais. Mas, em cima da hora, tudo parece ter degringolado. Eto’o, que, não canso de dizer, ao menos na seleção não sustenta o papel de principal jogador, merecia mais. Talvez a nova safra que está chegando seja capaz de lhe proporcionar isso. É esperar pra ver.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Sem categoria

Uma nova era?

A Fifa na última semana trouxe às manchetes do mundo inteiro um debate fundamental para o devido funcionamento do futebol nessa nova escala global, onde a cada temporada este esporte se torna realmente um novo ramo de atividade econômica, dada a expansão do mercado do entretenimento no mundo inteiro, e sendo reconhecida a sua popularidade neste contexto.

Devido a todo esse cenário, a Fifa vem tentando tomar medidas para tentar controlar esse alto volume de capital investido no futebol, das mais diversas origens, e também o crescente número de negociações de jogadores por todo o globo. Primeiro foi a criação de janelas de transferências em dois períodos distintos na temporada (um no início e outro na metade), e com o passar dos anos foram criadas medidas para tentar diminuir as diferenças econômicas entre os poucos clubes, como o mecanismo de solidariedade e a indenização por formação. Hoje, depois de instituídos os mecanismos citados, a Fifa está procurando enfocar com mais força a questão do conceito de estabilidade contratual no futebol.

Este conceito visa dar maior proteção aos clubes pequenos, em sua maioria formadores de jogadores, do apetite voraz com que os grandes clubes agem em busca de matéria prima barata e de qualidade dos pequenos. Um exemplo dessa iniciativa protecionista foi o caso recente da punição dada pela Fifa ao Chelsea pelo Comitê de Resolução de Disputas da entidade, por induzir o jovem jogador francês Gael Kakuta, então com 16 anos, à quebra de contrato com seu clube formador (Lens) dentro do período protegido pela Fifa, e sem a devida indenização ao clube francês.

Segundo a decisão, o clube inglês não poderá inscrever jogadores nas próximas duas janelas de transferência, pagará multa de € 780 mil e indenização ao clube formador no valor de € 130 mil. Já Gael Kakuta foi suspenso por quatro meses nos termos do artigo 17 do Regulamento de Transferências da Fifa. O clube inglês divulgou que irá recorrer da decisão junto ao Tribunal Arbitral do Esporte (TAS), e a decisão já movimenta outros clubes pequenos, como o Le Havre (que acusa o Manchester United de ter prática semelhante com o jovem atleta Paul Pogba, e o clube inglês refute a acusação pela imprensa) a buscar seus direitos.

No passado recente já tivemos casos semelhantes a estes, um deles envolvendo a punição dada pela Fifa ao goleiro egípcio Essam El Hadary (suspensão de quatro meses) e ao clube suíço FC Sion (proibição de inscrever jogadores até o fim de 2010) no ano passado, por ter o atleta rescindido unilateralmente o contrato com seu clube anterior (Al Ahly) por influência do clube suiço, sendo este caso ainda pendente de decisão do recurso ao TAS pelo clube suíço (onde garantiu a suspensão cautelar das punições ao egípcio e ao FC Sion enquanto o recurso fosse julgado). Está previsto que o TAS se posicione sobre este recurso até o fim deste ano.

O outro caso semelhante envolveu o zagueiro francês Philipp Mexès, seu clube formador (Auxerre) e o seu novo e ainda atual clube, a Roma em 2004. Neste caso, o jogador francês foi suspenso por seis semanas, e o clube italiano proibido de inscrever novos jogadores nas próximas duas janelas de transferências (punição que foi reduzida, via recurso ao TAS, para apenas uma janela de transferência).

Os dois casos anteriores levam a crer que a punição ao Chelsea pode ser atenuada, mas não revista. E apesar da morosidade (a quebra contratual do jogador com seu clube formador se deu em 2007, e a punição em primeira instância só foi dada em 2009), é interessante ver iniciativas de se coibir essa coação financeira dos clubes grandes aos clubes de menor potencial econômico, principalmente em cima de jogadores menores de idade.

A Fifa com isso tem a oportunidade de entender que a competição econômica entre os clubes não deve ser comparada a uma competição entre empresas concorrentes em outros segmentos, devido às particularidades do esporte, pois as agremiações esportivas dependem uma das outras direta e indiretamente. O “produto futebol” a ser explorado pelo mercado se torna mais atrativo quando existe real competitividade entre os clubes, e com isso o sucesso tende a ser maior para eles conjuntamente.

Se os grandes potências do futebol possuem o maior mercado consumidor e o maior poder econômico, em contrapartida os pequenos clubes possuem a matéria-prima para formar bons jogadores e precisam ser protegidos para reforçar a competitividade esportiva. Se cada potencial for devidamente reconhecido, e legislado segundo o respeito à estabilidade contratual, todos os clubes sairão ganhando, e o futebol também cresce como produto global atraente. Com a palavra, a Fifa.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo