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A República Democrática venceu o ‘Dérbi do Congo’ com uma virada épica e muita dancinha

Mais do que o nome em comum, Congo e República Democrática do Congo representam uma das maiores rivalidades do futebol africano. Os dois países banhados pelo Rio Congo chegaram a ser potências continentais, com três títulos da Copa Africana entre 1968 e 1974 – dois deles da república democrática, então chamada de Zaire. Época em que as duas nações também se contrapunham politicamente, de lados opostos entre comunismo e capitalismo da Guerra Fria, e as ditaduras usavam as seleções como propaganda. Neste sábado, os congoleses remontaram o passado para fazer um grande jogo pelas quartas de final da CAN 2015. E, com uma virada espetacular, a RD Congo fez valer a sua maior tradição na virada por 4 a 2.

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Após um primeiro tempo sem gols, o Congo abriu dois gols de vantagem em apenas 12 minutos da etapa complementar. Doré e Thievy Bifouma anotaram os tentos dos Diabos Vermelhos. Logo na sequência, entretanto, a República Democrática começou a sua reação. Aos 30, Dieumerci Mbokani e Bokila buscaram o empate. A virada saiu aos 36, com Kimwaki.  Já aos 45, o gol fatal saiu dos pés de Mbokani, garantindo a classificação para as semifinais e a dancinha do veterano goleiro Kidiaba – que também chorou com a façanha. Na próxima fase, os congoleses aguardam o vencedor do jogo entre Costa do Marfim e Argélia.

Nos últimos anos, a República Democrática do Congo montou uma forte seleção, baseada principalmente no sucesso do Mazembe. Entretanto, os Leopardos nunca cumpriram as expectativas na Copa Africana, ausentes em três edições seguidas e caindo apenas na primeira fase em 2013. Desta vez, apresentam as credenciais que tanto prometiam. E, se conseguirem bater a pedreira que vier na próxima etapa, marfinenses ou argelinos, já terão feito história. Voltarão à decisão pela primeira vez desde 1974, quando o futebol no país rezava a cartilha do sanguinário Mobutu Sese Seko e se sobrepunha aos resultados dos vizinhos comunistas, campeões continentais dois anos antes.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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