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Quais jogadores da Argélia teriam espaço na França?

Mesmo que a França não tivesse atropelado a Ucrânia e se classificado à Copa do Mundo, haveria uma forte presença de descendentes de Luís XIV no Brasil. Por volta do início da partida no Stade de France, na última terça-feira, a Argélia já estava garantida no torneio mundial do ano que vem. Dos 23 jogadores convocados para o jogo decisivo contra Burkina Faso, 15 nasceram na França, mas quais desses poderiam ter espaço no time dos campeões mundiais de 1998?

Não muitos. A seleção argelina está na Copa do Mundo pela segunda vez seguida, mas não é exatamente uma potência africana. Empatou em tudo com o Egito nas Eliminatórias passadas e precisou de um jogo de desempate para se classificar para o Mundial da África do Sul. Desta vez, o grupo preliminar foi tranquilo, com Mali, Benin e Ruanda, e o sorteio colocou Burkina Faso no mata-mata. E ainda assim, a vaga veio apenas nos gols marcados fora de casa. Na Copa Africana de Nações, tem um título, em 1990, e um vice, dez anos antes.

O elenco do bósnio Vahid Halilhodzic tem muitos jovens. Apenas três jogadores convocados para jogar contra Burkina Faso têm mais de 30 anos e somente Madjid Bougherra e Rafik Djebbour, 29 anos, passaram das 30 aparições pela seleção.

O próprio Bougherra, nascido em Longvic, nas cercanias de Dijon, poderia muito bem ter ganhado algumas chances no time francês porque não precisa de muito esforço para ser melhor que Laurent Koscielny, um dos zagueiros convocados por Didier Deschamps. Além de capitão da seleção argelina – e discípulo de Liu Kang -, ele defendeu o Rangers de 2008 a 2011 antes de ser vendido para o Lekhwiya, do Catar.

Dificilmente alguém seria titular, mas o também zagueiro Carl Medjani passou por quatro seleções de base da França antes de optar pela Argélia e coleciona quase duas centenas de partidas pelo Ajaccio em seis anos. Liassine Cadamuro-Bentaiba não consegue ser titular da Real Sociedad, que está na Liga dos Campeões, mas atua em todas as posições da defesa e a sua versatilidade poderia ser útil. O jovem lateral esquerdo Faouzi Ghoulam, do Saint-Étienne e com convocações para o time sub-21 francês, poderia ser testado como o futuro substituto de Patrice Evra e Gael Clichy.

No meio-campo, Hassan Yebda jogou mais de dez partidas por quatro seleções de base francesas, teve uma passagem pelo Napoli e defende o Granada desde 2011. Sofiane Feghouli é jogador do Valencia. Mais defensivo, Medhi Lacen fez carreira na Espanha, em clubes como o Alavés, Racing Santander e Getafe. Eles poderiam ganhar uma chance, mas esse setor é bem concorrido na França.

O atacante Ishak Belfodil vem ganhando algumas chances na Inter de Milão. Já jogou seis vezes nesta temporada e tem apenas 21 anos. Embora tenha nascido na Argélia, jogou em seleções inferiores da França e, dependendo da sua evolução, poderia ajudar na renovação do setor ofensivo do time principal.

Essas possibilidades seriam todas bem remotas e dependeriam muito das circunstâncias. Há um motivo para tantos argelinos terem passado por categorias de base da seleção e optado pela Argélia. De qualquer forma, os franceses que deixam a xenofobia de lado e se identificam com os conterrâneos de quaisquer origens têm dois times para torcer na Copa do Mundo de 2014.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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