África

Goleiro da África do Sul assassinado vivia seu melhor momento, e o ápice ainda estava por vir

A África do Sul começou a semana em luto e revolta pela morte de Senzo Meyiwa. Goleiro do Orlando Pirates e capitão da seleção sul-africana, Meyiwa foi assassinado com um tiro no peito durante um assalto à casa de sua namorada, a atriz e cantora Kelly Khumalo. Além da revolta pela morte do jogador da maneira como aconteceu, o sentimento de lamentação é grande entre aqueles que acompanhavam a carreira do atleta. Meyiwa vivia seu melhor momento profissional. Esperou por sua chance, estava em uma ascensão rápida na seleção, e tinha a confiança de seus companheiros e treinador.

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Meyiwa havia feito seu primeiro jogo pelos Bafana Bafana apenas no ano passado. Somou apenas seis partidas pela seleção e não levou muito para que tomasse para si a faixa de capitão. Ganhou a oportunidade nas Eliminatórias para a Copa Africana de Nações de 2015, aproveitando ausência por lesão de Itumeleng Khune. Após apenas três jogos com a equipe, já havia conquistado a confiança de Ephraim Mashaba, novo técnico da seleção, que falou emocionado de seu capitão durante entrevista coletiva nesta segunda-feira: “Além de suas habilidades de evitar gols, era um jogador de grupo, tinha tudo. Ele carregou o time na Copa da África. Não sei por que houve qualquer dúvida sobre ele ser o melhor goleiro”.

A conquista gradativa de espaço na seleção africana era apenas uma consequência direta de sua ascensão rápida no Orlando Pirates. Criado no próprio clube, Meyiwa viveu à sombra do titular Moeneeb Josephs por algumas temporadas desde que foi promovido ao time titular. Teve paciência para esperar por sua chance, que eventualmente veio, quando Josephs já apresentava declínio técnico. Agarrou então essa oportunidade com as duas mãos, com firmeza, e nem mesmo a concorrência futura de Fatau Dauda, da seleção ganesa, o tirou do time.

Contratado para a temporada 2013/14 principalmente pela visibilidade que ganhou por Gana, Dauda chegou a ver ameaçada sua ida à Copa deste ano, pois nunca conseguiu tomar de Meyiwa o lugar que acreditava que ocuparia quando foi contratado. Veio ao Brasil, foi titular da seleção, mas deixou o Pirates no início desta temporada, pois sabia que mesmo sua participação no Mundial não mudaria seu status no clube sul-africano. A meta dos Buccaneers já tinha dono.

Aos 27 anos, Meyiwa estava no lugar pelo qual tanto esperou e dava mostras claras de que não sairia de lá tão cedo. Dessa temporada de destaque em 2013, o ápice – talvez de toda sua carreira – aconteceu no confronto com o Mazembe na Liga dos Campeões da África, ainda no ano passado. A arbitragem controversa chegou a ameaçar a vitória por 3 a 1 dos sul-africanos, mas Meyiwa foi herói, defendendo duas cobranças de pênalti. Atuação que manteve vivo o Orlando Pirates na competição, que terminaria histórica, com a classificação à decisão do torneio, que não vinha desde 1995.

Entre torcedores do Pirates ou de equipes rivais, o sentimento nas redes sociais é de perda não apenas de Meyiwa como pessoa, mas também como um exemplo de dedicação. Uma perda técnica também, pois o sentimento era de que por um bom tempo os Bafana Bafana teriam um grande líder e um goleiro de habilidade destacável, “um dos melhores da África”, nas palavras do técnico da seleção. Meyiwa estava relativamente apenas começando. Infelizmente não terá a oportunidade de comprovar com atuações as palavras do técnico que confiou em sua capacidade. Mas viverá na memória de quem, em um período tão curto, pode comemorar vitórias graças às suas defesas.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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