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Drogba e Eto’o deixam as suas seleções órfãs

Duas das seleções mais tradicionais da África precisarão superar, nos próximos anos, as ausências de dois dos maiores astros do continente em todos os tempos. Didier Drogba já anunciou a aposentadoria da Costa do Marfim, enquanto Samuel Eto’o deve divulgar, nos próximos dias, que não defenderá mais a seleção camaronesa. Os Elefantes e os Leões Indomáveis não conquistaram títulos recentemente, mas são presenças constantes na Copa do Mundo e forças africanas, muito em função da qualidade e importância de seus destaques e capitães. Será que as duas seleções vão manter o padrão ou crescer sem os ídolos?

Fim de uma era

Gervinho e Drogba comemoram o gol da Costa do Marfim (AP Photo/Hassan Ammar)

Drogba é o maior jogador da história da Costa do Marfim e o maior artilheiro dos Elefantes, com 65 gols em 104 jogos – o que faz dele o terceiro atleta que mais vezes vestiu a camisa de seu país, atrás apenas de Kolo Touré (108) e Zokora (122). O camisa 11 defendeu sua seleção durante 12 anos, sendo oito como capitão. Jogou três Copas do Mundo (2006, 2010 e 2014, sendo eliminado na fase de grupos nas três) e duas finais de Copa Africana de Nações (2006 e 2012, perdendo ambas para Egito e Zâmbia, respectivamente). Além disso, Drogba é uma das pessoas mais importantes e influentes da Costa do Marfim, e inclusive ajudou o país e seu povo diversas vezes. A importância do mito para seu país e seleção é enorme, não é à toa que o anúncio de sua aposentadoria dos Elefantes causou comoção nacional e marcou como o fim de uma era.

É lógico que Drogba fará falta para a Costa do Marfim. Além de toda a história e liderança, o centroavante ainda é importantíssimo dentro de campo. O camisa 11 não perdeu o faro de gol e a qualidade, que ficaram comprovadas nas últimas temporadas com o Galatasaray e durante a Copa do Mundo, quando Drogba, mesmo sem as condições físicas ideais, mudou o jogo contra o Japão. Quando o atacante entrou em campo, os Elefantes ganharam confiança, enquanto os japoneses tiveram um grande motivo para se preocupar. A Costa do Marfim virou o jogo e conquistou sua única vitória no Mundial.

No entanto, apesar da falta que o mito fará, os marfinenses contam com bons nomes para superar a ausência de sua grande estrela. Yaya Touré, que vive fase espetacular, já é o dono do rótulo de estrela do time. Além disso, o setor ofensivo segue contando com ótimas opções: Bony, Gervinho, Kalou e Doumbia, entre outros. Todos os quatro foram bem na última temporada europeia, principalmente Gervinho e Doumbia, sendo que o primeiro foi um dos destaques dos Elefantes na Copa.

E também existem outros dois fatores. A Costa do Marfim tem técnico novo. Sabri Lamouchi pagou o pato por mais um fracasso marfinense em Copas, e o novo treinador é Herve Renard, francês que foi rebaixado com o Sochaux na última temporada da Ligue 1, mas que já fez um grande trabalho na África. Técnico jovem, de 45 anos, Renard foi o comandante da histórica Zâmbia, que conquistou a Copa Africana de Nações em 2012, vencendo justamente a Costa do Marfim na decisão, na disputa de pênaltis.

A opção por Renard leva ao segundo fator: a Costa do Marfim está mais motivada do que nunca para finalmente acabar com os fracassos. Apesar de contar com a melhor geração de sua história, os Elefantes não conseguiram emplacar uma boa campanha na Copa do Mundo. E pior, não ganharam um título sequer da Copa Africana de Nações, que o país não conquista desde 1992. Apesar disso, Drogba tem motivos para acreditar que, mesmo sem ele, a Costa do Marfim vai sair da fila e conseguir o que ele tanto quis como jogador, mas que pode vir como torcedor.

A bagunça tende a piorar

Samuel Eto'o é o capitão de Camarões (AP Photo/Armando Franca)

Que o futebol camaronês está uma bagunça, não é novidade. Os clubes e a seleção vivem péssimo momento, e a aposentadoria de Eto’o dos Leões Indomáveis não deve melhorar o panorama.

O atacante ainda não se aposentou, mas o esperado é que a notícia seja anunciada nos próximos dias. O relacionamento de Eto’o com a federação local e o técnico Volker Finke não é dos melhores, e piorou após as últimas decisões do treinador. Finke não o convocou para o início das Eliminatórias Africanas no próximo mês e tirou a faixa de capitão dele. Stephane Mbia será o novo dono da braçadeira.

Eto’o tem 33 anos, defende seu país desde 1998 e tem uma importância inegável para os Leões Indomáveis. Ele é o maior artilheiro da história da seleção com 56 gols, conquistou a medalha de ouro nas Olimpíadas de 2000, a Copa Africana de Nações em 2000 e 2002 e ainda é o segundo jogador que mais vezes vestiu a camisa de Camarões (118, ao lado de Geremi), atrás apenas de Rigobert Song (137).

É bem verdade que ele não vinha jogando bem pelos Leões Indomáveis fazia um bom tempo e a história praticamente se repetia nos clubes. Não é à toa que o avante acertou com o Everton nesta terça-feira, mas deve ser apenas reserva de Lukaku. Os tempos de Barcelona e Internazionale definitivamente ficaram para trás, mas Eto’o ainda era a referência dos Leões Indomáveis e jogador com maior poder de decisão em uma equipe fraca tática e tecnicamente e muito limitada.

A renovação no futebol camaronês é mais do que necessária dentro e fora de campo. No entanto, a saída de Eto’o em nada melhora o panorama, pelo contrário. Sem grandes nomes e alguém com qualidade para ocupar o lugar do camisa 9, Camarões deve viver dias ainda piores. O mais importante para o futebol do país no momento é uma gestão profissional, melhorias no campeonato nacional e na formação de jogadores. Nos últimos anos, o país apostou na formação de atletas de muita força física, o que limitou o desenvolvimento técnico dos jogadores e tem reflexo nítido na seleção principal. A aposentadoria de seu maior astro não melhora isso e ainda piora o nível da seleção – que já é baixo com ele -, que continuará tendo problemas e rixas com ou sem o camisa 9.

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