Copa Africana de Nações

Tunísia supera crise por desfalques e bate a Nigéria para avançar na Copa Africana de Nações

Sem 12 jogadores e o técnico, equipe tunisiana foi valente e ganhou na genialidade de Msakni

O domingo foi de superação para o povo da Tunísia. A apreensão envolvida pelo jogo contra a Nigéria, na Copa Africana de Nações, era suficiente para garantir que o dia seria de roer muitas unhas. No entanto, de forma valente e trabalhada na eficiência, a seleção tunisiana venceu a favorita Nigéria e avançou para as quartas de final do torneio, com o placar de 1 a 0.

Antes mesmo da bola rolar, a Tunísia já tinha do que reclamar. Os 12 desfalques por covid-19 e lesões, somando o técnico Mondher Kebaier, devastaram parte das chances que a equipe tinha na luta pela sobrevivência do torneio.

Ao mesmo tempo, havia desconfiança: seleções como a de Camarões ainda não tiveram nenhum caso positivo. Durante a semana, a Federação Tunisiana procurou um laboratório independente para confirmar suas suspeitas: apenas 2 dos 10 casos positivados para coronavírus na sua delegação apareciam na nova lista.

O vento soprou contra as águias tunisianas

Estranha ou não a circunstância, a Tunísia precisava jogar bola. E do outro lado estava a Nigéria, velha conhecida pela CAN, e que vinha com a melhor campanha na fase de grupos. Sem qualquer desfalque, os Super Águias vinham embalados para pegar um rival que só havia vencido um jogo na competição.

Em briga de águias, vence a que tiver o bico mais afiado. Em uma partida tão desigual, ao menos no papel, restava à Tunísia se reinventar diante de suas baixas ou buscar um gol em contragolpe. Em termos físicos, a Nigéria era bastante superior, e talvez até no nível técnico. Na hora de fazer valer isso tudo, a seleção das Águias Verdes se mostrou desorganizada e inerte no ataque.

O primeiro tempo transcorreu de maneira amarrada, com a Tunísia marcando muito bem e sem correr riscos, e a Nigéria trocando passes, mantendo a bola para si e sem conseguir criar. Na hora de soltar o passe para quebrar as linhas defensivas do adversário, a equipe nigeriana simplesmente não tinha criatividade. Voltando do intervalo, essa inércia cobrou seu preço: aos dois minutos da etapa complementar, Youssef Msakni recebeu no contragolpe, carregou a marcação consigo, cortou o marcador e acertou uma bomba à meia-altura. O goleirão Maduka Okoye aceitou e a bola passou para balançar as redes.

A frustração de Okoye é justificada: a Tunísia mal chegou na área, chutou apenas três vezes no gol. O arremate de Msakni era o primeiro e ele não pegou. E essa não foi a única notícia ruim para os nigerianos. Forçada a sair para o ataque, deixando espaços expressivos na defesa, a equipe treinada por Augustine Eguavoen mexeu.

A primeira troca foi de Alex Iwobi na vaga de Kelechi Iheanacho, que pouco fez no comando do ataque. Só que Iwobi foi expulso com sete minutos em campo, por uma solada no tornozelo de Msakni. O árbitro consultou o VAR e mudou o cartão, que inicialmente seria amarelo, para expulsar Iwobi. Um ato inconsequente e que certamente prejudicou os planos de Eguavoen para a já difícil reação necessária nos minutos finais.

Meia-hora de mais do mesmo

Com um a menos em campo e um gol contra, a Nigéria passou ao ponto de precisar provar por que teve a melhor campanha. E seu melhor argumento foi um chute de Sadiq Umar, que tentou bater na saída do goleirão tunisiano Bechir Ben Said, mas a bola caprichosamente tomou outro rumo, para fora. Os zagueiros da Tunísia só olharam, sem poder evitar. Ben Said, aliás, havia feito uma grande defesa nos pés de Moses Simon, minutos antes, à queima-roupa.

A defesa da Tunísia mostrou segurança quando mais se expôs. E mesmo essa exposição era normal para a circunstância desesperadora na qual a Nigéria se encontrava. O teste de fogo foi superado por uma seleção que chegou com alguma dificuldade no mata-mata, perdeu um time inteiro para as oitavas de final e ainda assim sobreviveu.

A discrepância técnica entre os dois times acabou reduzida após a expulsão de Iwobi, enquanto a Nigéria compensava a ausência do meia com mais correria e abrindo mais espaço para o golpe fatal tunisiano. Para o bem da sequência da Tunísia na CAN, nem foi preciso se esforçar muito mais para outro gol. O primeiro bastava. Conhecer suas próprias limitações, às vezes, é o melhor caminho para triunfar.

A Tunísia já sabe quem será seu adversário nas quartas: a seleção de Burkina Faso, que eliminou Gabão no primeiro duelo deste domingo.

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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