Copa Africana de Nações

Rajevac está na história de Gana por 2010, mas o fracasso na CAN provocou sua demissão neste retorno

Milovan Rajevac foi o treinador de Gana na campanha até as quartas de final da Copa de 2010, mas agora protagonizou o pior desempenho do país numa Copa Africana

Milovan Rajevac reassumiu a seleção de Gana com certos ares de sebastianismo. O treinador tinha encabeçado um período importante dos Estrelas Negras, ao comandar o time até as quartas de final da Copa do Mundo de 2010 e acabar também com o vice na Copa Africana de Nações do mesmo ano. Porém, com uma geração bem mais fraca do que aquela de uma década atrás, o sérvio amargou a pior campanha ganesa na história da CAN. E, diante do fracasso na fase de grupos, Rajevac sequer vai permanecer para os duelos decisivos pelas Eliminatórias em março. Nesta quarta, a federação local anunciou a demissão do técnico.

Rajevac treinou Gana pela primeira vez de 2008 a 2010. Assumiu uma geração dourada dos Estrelas Negras e potencializou os resultados. O vice na CAN de 2010 podia ser amargo, com o tricampeonato do Egito. Ainda assim, os ganeses ganharam as atenções do resto do planeta na Copa do Mundo meses depois. Fizeram uma campanha histórica, em que ficaram muito perto de alcançar as semifinais. Rajevac viraria uma personalidade muito querida no país, mesmo que tenha deixado o comando da equipe no fim de 2010.

A carreira de Rajevac, porém, não decolou depois disso. O comandante dirigiu o Al-Ahli na Arábia Saudita, antes de ter trabalhos curtos por Catar e Argélia. Durou um pouco mais à frente da Tailândia, com a qual disputou a Copa da Ásia de 2019, mas não era algo tão retumbante assim. Apesar disso, Gana voltou a procurar Rajevac em setembro de 2021. A seleção já vinha de um momento de crise com James Kwesi Appiah e Charles Akonnor também não decolou. O sérvio não teria margem de manobra.

Rajevac até conseguiu classificar Gana para a fase final das Eliminatórias, mas dependeu de uma vitória escandalosa sobre a África do Sul para passar. Desta maneira, existiam desconfianças sobre o potencial dos ganeses na CAN. Os protagonistas da equipe, como André Ayew e Thomas Partey, não transmitiam firmeza. A esperança ficava em alguns jovens, como Kamaldeen Sulemana, mas nada que parecesse suficiente para uma campanha tão longa dos Estrelas Negras.

No entanto, a eliminação na fase de grupos saiu muito pior que a encomenda. Gana perdeu a estreia contra Marrocos e o empate cedido contra Gabão no fim aumentou a pressão. O time apresentava pouca capacidade ofensiva, com um futebol amarrado. E isso custou caríssimo contra Comores. Num jogo em que a vitória era necessária, os Estrelas Negras estavam expostos aos contragolpes e perderam por 3 a 2. A expulsão de André Ayew também prejudicou, mas não que o time fizesse uma boa partida quando estava com 11 homens.

Assim, a demissão de Rajevac é plenamente compreensível. O material humano estava aquém de 2010 e o treinador sequer conseguiu compor um coletivo capaz de vencer. Foi a pior campanha de Gana na história da Copa Africana de Nações. A preocupação fica para o substituto, que já terá um jogo decisivo em março, com os duelos diante da Nigéria pela fase decisiva das Eliminatórias. Resta saber quem vai desarmar a bomba. Um comitê técnico também foi montado para avaliar a situação da federação.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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